Ela era uma das poucas pessoas que fazia lição. E depois de tudo, não conseguia mais ficar em sala de aula, parte pelo barulho, parte pelos pensamentos.
E assim se seguia a manhã dela.
Mas para Kalleb, aquele dia estava sendo diferente; seu amigo decidiu descontrair um pouco da raiva em sua casa, e para sua sorte, tinha vários instrumentos que utilizava para passar o tempo.
- Não ouse quebrar minha bateria! - avisou Kalleb, ao perceber que o amigo batia cada vez mais forte.
Infelizmente não foi ouvido e logo teve que interromper a afinação do vilão para alertar o amigo novamente:
- Ouviu Robert? - perguntou - se quebrar vai ter que me comprar outra!
Dessa vez, ele ouviu, parou com as mãos no ar, quando as abaixou, olhou incrédulo para Kalleb.
- Você tem dinheiro suficiente para comprar mais 3 se quiser!
- E eu não quero! Então não quebre!
Eles falavam um com o outro, como se estivessem brigando, mas não demorou muito para começarem a rir.
Kalleb tinha acabado de afinal o vilão e não resistiu em iniciar um dueto com o amigo.
Não eram os melhores, mas isso realmente os deixava melhor.
- Meninos, vem almoçar! - chamou a mãe de Kalleb, animada.
Os dois foram para a cozinha em um piscar de olhos, encontrando uma mulher dançando alegremente ao som da rádio.
- Sério mãe? Essa música? - mesmo não gostando da cantora, Kalleb soria com a diversão da mãe.
- Não sei qual é o seu problema - sua irmã entrou na cozinha - a música a boa.
- O meu problema é com a menina metida que canta mesmo - afirmou o menino, se sentando junto ao amigo.
Kalleb conhecia a cantora desde a infância e não se davam bem nem se tentassem.
- É, vocês realmente devem se odiar - comentou Robert, que não teve a mesma sorte de conhecer a cantora.
Kalleb apenas revirou os olhos e continuou comendo.
Quando terminaram e fizeram a bondade de ajudar com a louça, os amigos saíram de casa. Robert iria voltar para a sua, enquanto Kalleb iria tomar um rumo totalmente diferente.
- Robert, me diz uma coisa, como foi pra você saber que a Lia era o amor da sua vida mesmo?
Isso surpreendeu o amigo; Kalleb nunca foi de se interessar por essas coisas, Robert sempre tentava falar da namorada, mas desistiu quando viu que o amigo nem tentava disfarçar.
- Você quê a história completa de como me apaixonei? - perguntou confuso.
- Nem fudendo! - afirmou Kalleb de presa - quero só a parte que você teve certeza.
Isso deixou Robert pensativo e por um tempo, andaram em silêncio.
- Ela me bateu - disse de repente, antes de parar em frente a uma casa - agora, tchau! - acenou em despedida.
Kalleb ficou um tempo parado em frente a casa do amigo. Aquela resposta não fazia o menor sentido.
Quando voltou a andar, tentou visualizar aquilo acontecendo com ele. Não deu certo.
Kalleb sabia lutar auto-defesa, ninguém chegava perto dele a esse ponto, e algumas vezes, ele reagia até mesmo sem perceber.
Quando se deu conta, já estava perto do mercado; e lá estava ela novamente, sentada sozinha, comendo.
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