quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Teatro:

 Considerações:


    * *: açôes que os personagens irão realizar (essas ações não necessitam ser  narradas ou faladas pelo narrador)


    ( ): observações/ideias sugeridas para deixar a cena melhor.


    Os personagens em si, serão representados pelo nome e um travessão indicando sua fala. Caso realize uma ação, será representada como foi dito acima: *e correndo, caiu* um exemplo não localizado no texto.


    Caso haja ato ou cena no roteiro, NÃO PRECISA FALAR QUE A CENA OU O ATO mudou!    apenas: os personagens da cena ou ato anterior saem do palco e entram os da próxima cena ou ato; mas isso não deve ser falado, apenas agido.


    ps: muito obrigado pela atenção, qualquer duvida ou acréscimo, por favor, me comunicar imediatamente.


    O Auto da Compadecida.

    (Roteiro teatral)


Cena 1


    (Seria bom que o cenário se parecessem com uma praça)


    *Chicó e João Grilo entram em cena segurando um balo*


    *Chicó olha ao redor desconfiado*


    Chicó - João, isso não vai dar certo! É cachorro! Nem gente é!


    João Grilo - Mas é justamente isso! Gente todo mundo enterra! Quero ver enterrar um cachorro!


    *Os dois continuam andando segurando o pano enrolado*


    Chicó - E se o padre brigar?


    João Grilo - Aí digo que foi o Major que mandou! Quero só ver ele ter coragem de negar!


    Chicó - E se o Major ficar sabendo?


    *Chicó solta uma mão que segurava o pano, desequilibrando os dois com o peso do animal enrolado no pano e coça a cabeça*


    João Grilo - Segura esse pano direito! 


    *brigou João Grilo, fazendo Chicó voltar a segurar o pano*


    Chicó - Mas e se o Major descobrir? 


    *Chicó pergunta de novo, como um sonso*


    João Grilo - A gente diz que foi o Bispo.


    *Chicó se espanta*


    Chicó - O Bispo?!


    João Grilo - Chicó, você ainda não entendeu? No sertão, a mentira só é feia quando não serve pra nada!


    Chicó - Eu já disse e repito: eu sou o homem mais besta desse mundo...


    *Os dois saem de cena ainda com o pano*


    (Após a saída deles, as cortinas se fecham e o cenário muda para se parecer o interior de uma igreja)


    *As cortinas se abrem, o padre e o Bispo entram*


    *O padre tira seu chapéu e coloca em cima de uma mesa*


    (O chapéu pode ser feito de papel, um emprestado de alguém, ou até mesmo o de palha da escola)


    *João Grilo entra em cena correndo até eles*


    João Grilo - Ô excelência, ô revência! Grande honra! Vim trazer um pedido muito... muito cristão!


    *João Grilo fala sem ar pela correria*


    Padre - E o que foi agora, João Grilo?


    *Perguntou o padre desconfiado*


    João Grilo - Um enterro!


    Bispo - De quem?


    *João Grilo sai de cena correndo e volta com o pano*


    *João Grilo abre o pano e revela o animal*


    (Pode ser um feito de papel, cartolina, ou até mesmo um bicho de pelúcia que alguém esteja disposto a emprestar)


    João Grilo - Do cachorro do Major!


    Padre - Um enterro de cachorro dentro da igreja? De jeito nenhum!


    *O padre faz um escandolo*


    João Grilo - Pois é... eu disse ao Major que o senhor não teria coragem... Ele ficou tão sentido... e disse que ia doar... uns bons contos de réis para a reforma do telhado.


    *João Grilo faz drama com pausas dramáticas, encenando uma tristeza grande.*


    *O Bispo aperta o braço do padre* 


    Bispo - O telhado está mesmo caindo, meu filho...


    *O bispo aponta para o telhado*

    

    *O padre olha para o telhado e se corrige*


    Padre - Bom, se o animal era do Major... Deus também ama as criaturas...

    

    *Chicó entra no exato momento que essa frase é dita e olha incrédulo para a plateia*


    Chicó - Eu digo e repito: O mundo só presta pela metade!


    *E as cortinas se fecham*


    Cena 2


    *As cortinas se abrem, dessa vez o cenário deve ser o enterro do animal*


    (Podem fazer uma cruz de papel e o um montinho de pano para sinalizar a cova)


    *Som de tiros assusta todo mundo e Severino entra, apontando a arma para todos*


    (A arma pode ser feita de papel para não influenciar, ou uma daquelas que são de brinquedo de dardos, sem os dardos, caso alguém tenha e esteja disposto a emprestar)


    Severino - Quietos aí! Quem manda agora sou eu!


    Podre - Misericórdia!


    Bispo - Ave Maria!


    *Os dois dizem, erguendo as mãos*


    Severino - Quero todo o dinheiro do Major! E rápido! Antes que eu mande vocês para o além!


    *Após a frase, João Grilo cochicha algo para Chicó*


    (Para ficar mais realista, a pessoa que irá fazer o papel do João Grilo pode pensar além da mentira, pode contar até mesmo alguma coisa aleatória que realmente deixe o outro com reações simples e compreensivas)


    Chicó - João, não inventa moda não! Esse aí mata sem pensar duas vezes.


    *João Grilo sorri de lado e se aproxima de Severino de maneira exagerada*

    

    João Grilo - E é por isso que pensei três vezes!


    *João Grilo olha para Severino*


    João Grilo - Capitão Severino, o senhor é homem sabido. O Major deixou dinheiro escondido na sacristia. Se o senhor deixar eu buscar, metade é sua.


    *Pela ideia que claramente foi idiota, Severino aponta a arma para João Grilo*


    Severino - E se você tentar me enrolar?


    *João Grilo abre e ergue os braço*


    João Grilo - Olhe para mim. Magrelo desse jeito... Se eu correr, o vento me leva!


    *Severino dá um sorriso curto, mas logo se recompôe*


    Severino - Vai, mas se demorar... Mando o Chicó pro inferno primeiro!


    *Chicó treme de medo*

    

    Chicó - Eu digo e repito: É melhor ser covarde vivo do que valente morto!


    *Chicó diz olhando para a plateia*


    *As cortinas fecham novamente*


Cena 3


    *Antes da cortina se abrir, sons de tiros são ouvidos*


    *Quando as cortinas se abrem, Severino e João Grilo cai no chão se fingindo de morto; João Grilo estava retornando da sacristia.*

    

    *O padre e o Bispo se benzem*


    *As luzes começam a piscar e o Diabo entra*


    (Para as luzes, pode ser comunicado com a diretoria, que, caso não queiram fazer com que pisquem, apenas apaguem e deixar uma fraca iluminação através das lanternas dos celulares dos alunos ou professores.)

    

       Diabo - Que maravilha! Dois fregueses fresquinho: Severino e João Grilo. Um ladrãozinho esperto e um cangaceiro sanguinário! Hoje o inferno vai ter festa!


    *Severino abre os olhos e murmura ainda caído:*


    Severino - Mas eu só fazia o que a fome mandava!


    *O Diabo da uma risada alta*


    Diabo - A fome manda, mas a bala obedece!


    *João Grilo se levanta devagar e olha para o Diabo*


    João Grilo - Olha, posso enganar: Padre, bispo, até cachorro... mas nunca derramei sangue de ninguém!


    *Compadecida entra em cena com manto claro*


    (O manto pode ser um vestido branco)


    Compadecida - Basta! Quem são vocês? Para serem condenados rápido.


    *O Diabo passa a ser desdenhoso*


    Diabo - Eu sou dono da metade do sertão!


    Compadecida - E a outra metade é feita de fé, esperança e riso!


    *Compadecida interrompe o Diabo e depois olha para Severino*


    Compadecida - Você pecou, mas foi fruto da miséria e injustiça.


    *Ela olha para João Grilo*

    

    Compadecida - Você enganava, mas com astúcia contra os poderosos, nunca por maldade.


    *O Diabo se revolta e levanta o tom de voz indignado*


    Diabo - Esse povo pobre sempre escapa!


    Compadecida - Por que Deus olha com mais carinho para aqueles que sofrem. Os dois terão outra chance.


    *E as cortinas se fecham*


Cena 4


    *As luzes voltam ao normal antes das cortinas reabrirem*


    *Chicó e João Grilo acordam no chão da igreja assustados, não tinha mais ninguém, só eles*


    Chicó - João, a gente morreu?


    João Grilo - Morreu, mas já tá vivo de novo...


    Chicó - E como é isso?


    João Grilo - Isso só prova que no sertão até a morte é desarrumada...

    

    *Eles se levantam*


    *João Grilo olha para Chicó, tentando entender, já que, quem havia morrido com ele havia sido Severino*


    *O padre e o Bispo entram em cena, discutindo sobre o telhado*


    Padre - Precisamos decidir logo essa reforma!


    Bispo - Reforma? Primeiro a do bolso! Isso sim!


    *Severino entra em cena, olhando para o público*


    *Severino dá um suspiro e cruza os braços*


    Severino - Não sei se tô vivo, morto ou sonhando. Mas sei de uma coisa: mais difícil que a vida de cangaceiro, só a vida de pobre...


    *Compadecida aparece no canto do cenário, olhando para os homens com ternura*


    *Compadecia olha para o público e faz sinal de silêncio*


    *João Grilo puxa Chicó para perto*


    João Grilo - Bora correr, Chicó! Antes que inventem outro milagre e a gente se enrola de novo!


    Chicó - Eu digo e repito: Se eu correr o bicho pega, se eu ficar o bicho come... 


    *Chicó diz isso olhando para a prateia*


    *Depois, Chicó olha para João Grilo que o puxava*


    Chicó - Mas se eu for com você, João, eu vou correndo!


    *Os dois saem de cena correndo, tropeçando nos próprios pés*


    *Após isso, as cortinas se fecham, quando se abre, Compadecida está no palco*


    Compadecida - "No sertão. a esperteza é defesa, a coragem é rara, mas a compaixão... essa é eterna."


    *As cortinas se fecham novamente e se abrem com todos os personagens em cena, já dispostos para despedida*


    



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