terça-feira, 2 de setembro de 2025

Recomeço. parte 7 - Estúdio UD

- Eu estou bem é sério - Amanda respondeu e voltou a andar, fingindo que não havia acontecido algo.

Kalleb a observou atentamente, e logo percebeu uma lágrima escorrer do rosto da garota, que se esforçava para parecer forte.

Um pouco irritado, Kalleb conteve o impulso de gritar e chamar a atenção do idiota que parou e olhou para trás, esperando o amigo.

Ao ver o cara ao seu lado se aproximar do que estava á metros de distância, Kalleb passou a encarar os dois sérios.

Alguma coisa dentro dele estava disposta a mandar aquele cara, mas não o fez.

Olhou então para o caminho que a garota atrapalhada havia ido e começou a ir em direção, mas infelizmente já havia perdido ela de vista.

Em um suspiro de raiva, ele decidiu comprar um donuts... A raiva que sentia havia tirado completamente sua fome...

Ele logo foi para um caixa, dessa vez com atendente, não estava afim de se irritar ainda mais com uma coisa tão idiota.

- Boa noite - disse uma garota ruiva que Kalleb logo reconheceu.

- Boa noite... - respondeu baixo.

Não falaram nada mais que isso.

Ao pagar, Kalleb saiu do mercado, tirando o doce do saco e começando a comer.

Aquilo não havia gosto algum... Mesmo sendo seu favorito... Mas se sentiu obrigado a comer, sua mãe lhe havia ensinado a não desperdiçar comida.

Foi ao chegar em casa, que terminou o doce, com uma expressão de insatisfação, mas sabia que não era pelo donuts.

- Boa noite querido - disse sua mãe para ele.

Infelizmente, Kalleb não estava com a cabeça no lugar e acabou não respondendo. 

Seguiu direto para o quarto e se deitou na cama, olhando aquele teto em branco que apenas o intendiava cada dia mais...

- O que te deu? - ouviu a voz da irmã vindo da porta.

- Acha que a mamãe deixaria eu pintar o teto? - perguntou ele de repente.

Karen conhecia o irmão muito bem e sabia que não era aquilo que o incomodova. Ela então se sentou ao lado dele, passando a olhar o teto também.

- Você sabe que sim - respondeu, se deitando ao lado do irmão.

Eles ficaram um tempo em silêncio, com Kalleb imaginando um céu noturno no teto do próprio quarto.

- Agora... Vai me falar por que você está assim? - sua irmã interrompeu seus pensamentos.

- Não te interessa... - respondeu ele sem nem uma emoção.

De repente se contraiu, havia recebido um soco no estômago, vindo da própria irmã.

- Você é maluca!

- Não esconda as coisas da sua irmã! - ordenou ela, que o olhava pronta para outro soco.

Kalleb não perdia uma batalha como essa. Deu um sorriso de canto para a irmã e logo começaram uma guerra de cosquinhas, que só terminou quando os dois ficaram sem ar.

Dietados na cama, ofegantes, os dois deixaram olhavam para teto, exaustos. 

- Agora, me fala o que claramente me interessa!

Kalleb olhou pra irmã, pensativo; será que aquilo realmente era a melhor escolha?

- Acho que tô gostando de alguém - disse baixou.

- Homem ou mulher? - perguntou ela, deixando o irmão um pouco irritado.

- Mulher...

- Onde se conheceram?

- No Bosque Maia...

- Vocês se falam?

- Não... - Kalleb logo percebeu que viria outra pergunta - Karen, isso não é um interrogatório! 

- Então tome logo uma atitude! - ela olhou seria para ele - chame ela pra sair, faça alguma coisa, se não você perde!

- Do que... Você tá falando?

- Ela por acaso sabe da sua existência? - isso chocou o irmão.

- Acho que sim...

- Acha? Kalleb, se você gosta,  tem que mostrar que gosta! E do jeito certo, que a agrade! Não de um jeito babaca! 

Ele logo se calou, dessa vez, sua irmã estava certa e não poderia negar aquilo.

Vendo isso, Karen se levantou e saiu do quarto, deixando o irmão pensando sobre o assunto.

Após um tempo que lhe parecia eterno, Kalleb se levantou e foi tomar um banho. Ao sair, se olhou no espelho, imaginando como aquele jeito dele poderia impressionar uma garota.

Em frustração, passou a mão no cabelo molhado, empurrando a franja toda para trás e olhando para a testa que não se lembrava de ser tão grande.

Deu uma risadinha para si e vou colocar uma roupa. A coisa que ele menos queria, era que uma das mulheres com quem morava, entrasse no quarto e o visse apenas de toalha. Mesmo que essa vista não significasse nada para a família, aquele noite, pelo menos para ele, significava alguma coisa.

Depois de se trocar, foi jantar com sua mãe e irmã. Era uma noite tranquila como qualquer outra.

Mas ao chegar a hora de ir dormir, a insônia o pegou, estava cheio de pensamentos sobre o que poderia fazer para conquistar aquela garota...

Não aguentava mais girar de um lado para o outro da cama. Foi então que se levantou. Se sua mente estava tão disposta a pensar naquele assunto, que fizesse do jeito que ele quisesse.

Pegou seu kit de spray e um agasalho com capuz.

Após vestir o agasalho, pensou duas vezes em sua pela porta da frente. Optou então e ir pela janela do quarto mesmo.

Pulando do segundo andar, Kalleb conseguiu chegar ao chão sem se arranhar.

Mesmo sabendo que não haveria risco nem um de levar uma bronca, olhou ao redor e começou a correr sem rumo, em busca de qualquer muro que pudesse depositar uma nova arte.

Não demorou muito para que encontrasse e começasse o depositar as tintas dos splay.
Quando terminou, era uma arte abstrata, cheia de cores, mas que já o aliviou de primeira, o permitindo voltar para casa e pegar no sono.

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