Não posso negar que esse poema
foi uma forma de desabafo. Depois daquele dia, não consegui parar de pensar
naquele cristal e no homem que estava lá dentro; afinal, o que significa o
cristal ter se quebrado? O que realmente representou tudo aquilo?
Essas dúvidas ficaram na minha
cabeça por tanto tempo, que mal sabia o que estava ao meu redor. As aulas
voaram completamente, enquanto eu não conseguia prestar atenção em nem uma.
Para a minha sorte, eu fazia as lições, como se meu corpo estivesse no
automático, mas tirando isso, era como se a qualquer momento professor fosse
perceber, pois a cada segundo livre que tinha, pegava o meu caderno de poesias
e rabiscava palavras aleatórias.
Não tinha certeza se
transformaria essas palavras em outro poema, apenas que estavam me ajudando um
pouco a continuar com os pés no chão, literalmente.
Tive sorte quando as aulas
finalmente acabaram, foi um alivio para a minha cabeça, poderia finalmente
pensar em uma coisa só. Pelo menos era o que eu achava... Quando sai da escola,
minha mente começou a pensar de vez.
Minha casa não era na cidade,
como já disse antes, o que só acabou piorando. Meus pais me conheciam o
suficiente para saber quando tem alguma coisa me incomodando; infelizmente não
sabia se poderia contar para eles o que aconteceu... O que eles iriam pensar de
mim?
Segui o caminho todo pensando
sobre cada detalhe do que poderia acontecer. Não sabia dizer se aquilo era
paranoia da minha parte, ou outra coisa; mas sabia muito bem que não poderia
ser uma coisa boa. É como um professor uma vez me disse: “pensar no futuro, é
estragar seu presente”, na época não entendi e ainda não entendo muito bem, o
que explica o fato de continuar pensando cada vez mais...
Quando finalmente cheguei e
subi para a sacada, pensei que poderia me distrair com alguma coisa, até que
percebi que algo estava diferente.
– Mas aonde foi que eu coloquei
minhas chaves? – comecei a procurar por todos os bolsou, tanto das roupas
quanto na mochila, mas não encontrei – eu não posso ter perdido! Eu sei que não
perdi!
Mais uma coisa para a minha
cabeça. Decidida em ter razão, joguei tudo que estava na minha mochila no chão,
procurando as chaves em cada material, mas elas não estavam lá. Persistia que
nem uma doida.
Até que finalmente desisti e
guardei tudo, me encostei na parede da sacada e comecei a repassar meus passos,
queria a todo custo provar que não havia perdido. Foi aí que me dei conta de
algo. Me levantei e olhei para a janela e lá estavam as minhas chaves em cima
da mesa.
– Como assim?! Eu esqueci! E eu
aqui, quase surtando! – fiquei com raiva de mim mesma.
Seria muito fácil me dizer para
apenas voar janela adentro, mas não! As janelas estavam fechadas! Mas por que
não pedi para Lurester abrir? Bem, faz um tempo que não “nos falamos”, se é que
me entendem.
Não havia outra opção, ficaria
trancada do lado de fora de casa até meus pais chegarem... Me sentei novamente,
pensando sobre os meus passos para ter esquecido as chaves em casa.
Meus pais ainda estavam,
falavam sobre alguma coisa que já me esqueci. Eu estava querendo desviar da
conversa e sair de lá o quando antes. Foi desse jeito que acabei aqui, com mais
azar para o meu lado.
– Não tem mais nada que eu
possa fazer... – murmurei, já desistindo de tudo.
Sempre fui muito pessimista,
pelo menos era o que minha mãe falava, mas ao meu ponto de vista, eu sou é
realista, então desisto de coisas que sei que não há vitória... Talvez não
devesse fazer isso, mas eu sou assim mesmo...
Já estava no tédio quando
deitei minha cabeça para o lado e olhei a floresta. Não sei se já tive boas
lembranças com ela; sempre que entro é uma grande aventura, as vezes tenho a
sensação de que ela esconde coisas de mim. E dessa vez não foi diferente.
Precisando fazer alguma coisa
urgentemente, me levantei, deixando minha mochila lá mesmo. Desci as escadas e
segui para a floresta.
Sabia que provavelmente teria
mais alguma “aventura”, mesmo que eu e Lurester não estejamos nos comunicando
recentemente, ainda havia sua “magia” no ar.
Andei sem rumo por um bom
tempo, até chegar em um pequeno lago que parecia brilhar. Era normal, levando
em consideração que suas águas era pratiadas, infelizmente havia alguma coisa
diferente, só não sabia o que era isso.
Curiosa, me abaixei e coloquei
a mão na água, tinha uma textura diferente do normal.
– Aí! – tirei rapidamente, como
se sentisse pequenas fagulhas na minha mão – parece...
Cristal... A água estava
cristalizada. Olhando por fora, era água normai, mas quando colocava a mão,
havia pequenas partículas de cristais. Isso não era normal...
Me levantei, em tentativa de
olhar para o lago em um todo, e de uma certa forma, vi meu reflexo, como se as
cor prateada do lago fosse um espelho... Mas não era só isso, havia outra
pessoa, estava atrás de mim, como se estivesse se escondendo atrás das árvores.
Me virei assustada, com
intenção de reconhecer quem poderia ser; foi aí que vi o homem do cristal,
estava me encarando sem nem uma emoção.
– Quem é você? – lhe perguntei
curiosa.
Aquilo não fazia sentido na
minha cabeça. Eu vi ele sumindo e se despedaçando junto com o cristal...
Eu só poderia estar alucinando,
não havia outra explicação para aquilo.
Ele então olhou para o lado e
as folhas das árvores começaram a se soltar e a vir em minha direção, me
rondando.
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