Só mais uma história
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
QD - PRÓLOGO
Minha cartinha
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
AVV- PRÓLOGO
Essa história começa em uma floresta. O único lugar que sempre pude chamar de lar, o lugar que considero minha casa desde o momento em que acordei.
Posso não me lembrar de quem realmente sou, nem ter ninguém que me ajude com isso, mas tenho tudo de que preciso: uma casa na árvore, roupas, comida... E até mesmo conhecimento sobre algumas coisas.
Não sei explicar como essas coisas são possíveis, apenas sei que acontecem. Eu sei várias coisas, mas não sei de mim. As coisas simplesmente aparecem para mim, como se já soubessem que eu precisava delas.
Vivo em harmonia com os animais. Não os machuco, e eles não me machucam. Essa é a regra.
Mais uma vez, me encontrava vagando pela floresta, em busca de algo para fazer. Retornei para casa com machucados superficiais, que pareciam se curar rapidamente, sem deixar cicatrizes.
— Mas o que é isso? — quando cheguei ao pé da escada, deparei-me com uma caixa bloqueando meu caminho.
Eu tinha minhas dúvidas de que alguém soubesse da minha existência. Afinal, sempre apareciam coisas misteriosamente, mas nunca consegui ver quem as colocava lá...
Mas, dessa vez, ao olhar ao redor, vi uma silhueta entre as árvores, se afastando rapidamente.
Fiquei encarando a silhueta por um tempo, tentando distinguir qualquer detalhe, até que, finalmente, desapareceu completamente da minha vista.
— Tenho a sensação de que ainda está me observando... — suspirei, imaginando que a silhueta ainda poderia estar por perto.
Sentei-me na grama, com muita curiosidade. Queria entender o que era aquilo e o que significava. Foi então que notei um pedaço de papel debaixo da caixa.
Peguei o papel com cuidado e comecei a ler, me surpreendendo com cada palavra:
Feliz aniversário, Traveler.
Espero que esteja bem.
Desculpe por não estar aí em seu 16º aniversário, mas saiba que uma parte de mim sempre estará com você.
Como esses presentes.
Use-os com sabedoria, pois não são brinquedos.
De sua querida Doll.
Um misto de emoções me invadiu. Então essa pessoa que sempre me traz coisas sabe quem eu sou? Se realmente sabe, por que nunca me contou? Por que nunca se revelou para mim?
Queria ter todas essas respostas, mas não sabia como encontrá-las. Então, o que me restava era esperar. Talvez, algum dia, as descubra.
— Traveler... — repeti o nome, pensando que poderia ser o meu.
Se essa pessoa realmente sabe quem eu sou, por que se esconde? E por que não me conta nada?
Com tantos pensamentos em mente, levantei-me, peguei a caixa e subi até a casa na árvore. Sentei-me na minha cama, deixando a caixa ao meu lado.
Meus pensamentos vagaram por um tempo, ainda querendo entender os motivos por trás de tudo isso. Mas, no fim, não encontrei respostas, apenas mais dúvidas.
Decidi deixá-las de lado e olhei para a caixa. Se aquilo realmente era para mim, talvez houvesse algo lá dentro que pudesse me ajudar a descobrir as respostas para essas perguntas.
Retirei a tampa da caixa, com esperanças de que fosse algo realmente útil. Mas não havia nada que me indicasse isso.
Era um par de óculos de aviação e um livro vermelho, de capa dura e sem título.
Mesmo sendo presentes muito peculiares, não pude deixar de achar interessante. Peguei os óculos e os ajeitei na minha cabeça. Talvez tenha sido sorte que realmente serviram.
Depois disso, peguei o livro, esperando que seu interior pudesse ter respostas para minhas dúvidas constantes.
Mas, quando abri, acabei me decepcionando com o conteúdo de suas páginas...
— Como assim? Está em branco! — folheei cada página e, infelizmente, essa era a verdade — como isso é possível?!
Minhas últimas esperanças de descobrir a verdade sobre mim acabaram de desaparecer diante dos meus olhos.
Não sabia o que sentia naquele momento, apenas sei que soltei o livro, que caiu no chão, totalmente fechado.
Meus olhos se tornaram embaçados. Sabia que estava chorando. Não me lembrava se isso alguma vez havia acontecido, mas não importava. Afinal, sabia muito bem o motivo.
Deitei-me e não consegui me segurar. Não conseguia acreditar que aquilo realmente era verdade... Eu realmente nunca iria descobrir nada sobre mim. Essa era a triste realidade que me rondava.
Quando, finalmente, o choro cessou, tive a sensação de que pegaria no sono a qualquer momento. Meus pensamentos se acalmaram, me deixando com a mente tranquila o suficiente para me recordar das coisas ao meu redor.
Segurei os óculos, que antes estavam na minha cabeça, e os coloquei nos olhos. Mesmo sem muitas respostas, pude descobrir um pouco sobre mim: meu nome e que alguém zela por mim. Seja lá o que isso possa significar, já me confortava.
Fechei os olhos, prestes a adormecer. Minha vista logo ficou escura. Me senti como se estivesse caindo, como se o sonho tranquilo que eu deveria ter já se iniciasse como um pesadelo.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Mil formas de amar
domingo, 21 de dezembro de 2025
Querida Neve
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
não é nada, saia daqui
Não posso negar que esse poema
foi uma forma de desabafo. Depois daquele dia, não consegui parar de pensar
naquele cristal e no homem que estava lá dentro; afinal, o que significa o
cristal ter se quebrado? O que realmente representou tudo aquilo?
Essas dúvidas ficaram na minha
cabeça por tanto tempo, que mal sabia o que estava ao meu redor. As aulas
voaram completamente, enquanto eu não conseguia prestar atenção em nem uma.
Para a minha sorte, eu fazia as lições, como se meu corpo estivesse no
automático, mas tirando isso, era como se a qualquer momento professor fosse
perceber, pois a cada segundo livre que tinha, pegava o meu caderno de poesias
e rabiscava palavras aleatórias.
Não tinha certeza se
transformaria essas palavras em outro poema, apenas que estavam me ajudando um
pouco a continuar com os pés no chão, literalmente.
Tive sorte quando as aulas
finalmente acabaram, foi um alivio para a minha cabeça, poderia finalmente
pensar em uma coisa só. Pelo menos era o que eu achava... Quando sai da escola,
minha mente começou a pensar de vez.
Minha casa não era na cidade,
como já disse antes, o que só acabou piorando. Meus pais me conheciam o
suficiente para saber quando tem alguma coisa me incomodando; infelizmente não
sabia se poderia contar para eles o que aconteceu... O que eles iriam pensar de
mim?
Segui o caminho todo pensando
sobre cada detalhe do que poderia acontecer. Não sabia dizer se aquilo era
paranoia da minha parte, ou outra coisa; mas sabia muito bem que não poderia
ser uma coisa boa. É como um professor uma vez me disse: “pensar no futuro, é
estragar seu presente”, na época não entendi e ainda não entendo muito bem, o
que explica o fato de continuar pensando cada vez mais...
Quando finalmente cheguei e
subi para a sacada, pensei que poderia me distrair com alguma coisa, até que
percebi que algo estava diferente.
– Mas aonde foi que eu coloquei
minhas chaves? – comecei a procurar por todos os bolsou, tanto das roupas
quanto na mochila, mas não encontrei – eu não posso ter perdido! Eu sei que não
perdi!
Mais uma coisa para a minha
cabeça. Decidida em ter razão, joguei tudo que estava na minha mochila no chão,
procurando as chaves em cada material, mas elas não estavam lá. Persistia que
nem uma doida.
Até que finalmente desisti e
guardei tudo, me encostei na parede da sacada e comecei a repassar meus passos,
queria a todo custo provar que não havia perdido. Foi aí que me dei conta de
algo. Me levantei e olhei para a janela e lá estavam as minhas chaves em cima
da mesa.
– Como assim?! Eu esqueci! E eu
aqui, quase surtando! – fiquei com raiva de mim mesma.
Seria muito fácil me dizer para
apenas voar janela adentro, mas não! As janelas estavam fechadas! Mas por que
não pedi para Lurester abrir? Bem, faz um tempo que não “nos falamos”, se é que
me entendem.
Não havia outra opção, ficaria
trancada do lado de fora de casa até meus pais chegarem... Me sentei novamente,
pensando sobre os meus passos para ter esquecido as chaves em casa.
Meus pais ainda estavam,
falavam sobre alguma coisa que já me esqueci. Eu estava querendo desviar da
conversa e sair de lá o quando antes. Foi desse jeito que acabei aqui, com mais
azar para o meu lado.
– Não tem mais nada que eu
possa fazer... – murmurei, já desistindo de tudo.
Sempre fui muito pessimista,
pelo menos era o que minha mãe falava, mas ao meu ponto de vista, eu sou é
realista, então desisto de coisas que sei que não há vitória... Talvez não
devesse fazer isso, mas eu sou assim mesmo...
Já estava no tédio quando
deitei minha cabeça para o lado e olhei a floresta. Não sei se já tive boas
lembranças com ela; sempre que entro é uma grande aventura, as vezes tenho a
sensação de que ela esconde coisas de mim. E dessa vez não foi diferente.
Precisando fazer alguma coisa
urgentemente, me levantei, deixando minha mochila lá mesmo. Desci as escadas e
segui para a floresta.
Sabia que provavelmente teria
mais alguma “aventura”, mesmo que eu e Lurester não estejamos nos comunicando
recentemente, ainda havia sua “magia” no ar.
Andei sem rumo por um bom
tempo, até chegar em um pequeno lago que parecia brilhar. Era normal, levando
em consideração que suas águas era pratiadas, infelizmente havia alguma coisa
diferente, só não sabia o que era isso.
Curiosa, me abaixei e coloquei
a mão na água, tinha uma textura diferente do normal.
– Aí! – tirei rapidamente, como
se sentisse pequenas fagulhas na minha mão – parece...
Cristal... A água estava
cristalizada. Olhando por fora, era água normai, mas quando colocava a mão,
havia pequenas partículas de cristais. Isso não era normal...
Me levantei, em tentativa de
olhar para o lago em um todo, e de uma certa forma, vi meu reflexo, como se as
cor prateada do lago fosse um espelho... Mas não era só isso, havia outra
pessoa, estava atrás de mim, como se estivesse se escondendo atrás das árvores.
Me virei assustada, com
intenção de reconhecer quem poderia ser; foi aí que vi o homem do cristal,
estava me encarando sem nem uma emoção.
– Quem é você? – lhe perguntei
curiosa.
Aquilo não fazia sentido na
minha cabeça. Eu vi ele sumindo e se despedaçando junto com o cristal...
Eu só poderia estar alucinando,
não havia outra explicação para aquilo.
Ele então olhou para o lado e
as folhas das árvores começaram a se soltar e a vir em minha direção, me
rondando.
QD - PRÓLOGO
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Considerações: * *: açôes que os personagens irão realizar (essas ações não necessitam ser narradas ou faladas pelo narrador) (...
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