terça-feira, 13 de janeiro de 2026

QD - PRÓLOGO

Em uma galáxia distante, esquecida até pelos mapas estelares mais antigos, existe um planeta com uma história única. Seu nome? Lurester - o planeta dos portais.

Isolado em seu próprio sistema, sem lua nem sol para lhe fazer companhia, carrega um passado envolto em mistério e silêncio. Ninguém sabe como, nem por que, ele é assim. Os habitantes apenas vivem, desfrutam de suas maravilhas... até que decidi mudar tudo isso. Eles precisam conhecer a verdade.

Sim, estou falando de mim - um planeta singular. Entre tantos corpos celestes, qual outro abriga portais capazes de conectar mundos distantes? Sinceramente, não conheço nenhum.

Mas essa história não é sobre mim.

É sobre minha guardiã - uma jovem que ousou ir além, que quis desvendar minha origem. Uma garota de cabelos e olhos prateados, tão diferente quanto as estrelas que me cercam. O nome dela? Lenna Holzer.

Foi através dela que nasceu um diário - um objeto mágico, guardado até hoje no coração de uma caverna de cristais. É lá que sua aventura começa.

Feche os olhos por um instante. Imagine-se entrando nessa caverna profunda, onde as paredes brilham com a luz das estrelas. No centro, repousa um atril esculpido em pedra prateada. Sobre ele, um diário antigo, esperando por suas mãos. Ao tocá-lo, as páginas se abrem lentamente. Estão em branco... mas não por muito tempo.

As palavras começam a surgir, dançando na página como reflexos de luz na água. E assim, você começa a desvendar os segredos de Lenna - a guardiã dos portais, a chave para mundos desconhecidos.


Minha cartinha

Existe tantas coisas, ações, medos. 
As vezes isso é um diário secreto, que só eu me encontro.

Como palavras, ou a falta delas.
A mente engana, brinca como se nada nunca pudesse mudar.

Quando me dou conta, as coisas já aconteceram. Eu tenho culpa em cada parte de um dia e sei disso.

O silêncio, o isolamento.
Não estou me protegendo, estou ferindo os outros.

As vezes as palavras não são ações. Os erros são fatais, que podem nunca ser revertidos, não importa o quanto se peça desculpas. 

Os piores monstros não são aqueles que lemos, ou assistimos, somos nós, que fechamos os olhos e as vezes a boca para o mundo lá fora.

Estamos cegos, pensando que estamos sozinhos, quando há pessoas por perto. Infelizmente, se prender no caus da mente, é nosso pior erro. 

Pensamos em um futuro que nunca vem, pois a cada instante, já está aqui, com a gente, virando o presente que não é valorizado. 

As falas, podem até ser ditas, mas a face não esconde os sentimentos, que deixam todos sem entender.

Evitar, pode sim ser possível. Concertar, talvez não.

Então, o que se faz? Um desabafo nem sempre é suficiente, pois tudo já se tornou passado. Tão embasado; querendo esquecer aquilo que lhe fez sofrer. 

O melhor presente, não é aquele que se embala, mas sim aquele que está lá, ao seu lado. Infelizmente, nem sempre valorizado.

As vezes é tanta gente, que você não sabe para onde ir. Não quer machucar ninguém, mas acaba se machucando e nesse meio tempo, todos sentem 

Falar é difícil, tão difícil... Pensamos que o silêncio é nosso porto seguro, um casulo de uma borboleta; protegidos do mundo ao redor, mas no fim, está nos sufocando.

A culpa mata. Mas as vezes a flor já morreu. Não basta água.

A felicidade, não é mais demonstrada pelo sorriso. 

Tô com medo de ter estragado tudo. Um tudo tão grande que não sei sobre o futuro.

Não tenho uma máquina do tempo e nem uma borracha magina... Não tenho um apagador de memória, um botão de delete. Tenho apenas medo, de perder quem está ao meu lado.

Alguns odeiam chiclete, mas quando perdem o gosto, queremos outro. Mas existe um que nunca perde o gosto, a presença de quem amamos.

Existem corações partidos, sem intenção de estarem assim. O meu, já deve estar em pedaços, pelo culpa que me corroe, mas estou disposta a dar ele a cada um que machuquei, quero colar com a colar do amor e deixar lá, para que saibam que sempre vou valorizar quem está ao meu lado.

Para perguntas sem resposta: não, eu não estou bem, mas vou ficar, pois sei que algum dia meu sorriso irá voltar.

Cada princesa passou por algo terrível, mas se ergueu com amigos e família, construíram seus reinos de um jeito tão lindo que não existe outro igual.

A diversão que perdi, não deveria ter chegado até aí.

As vezes precisamos apenas de um mergulho. Um mergulho na água fria. Ocupar uma piscina e fazê-la transbordar de amor.

A água não lava angústias. Mas talvez uma carta escrita a lágrimas sim. Um papel não é suficiente, pois para mim, parece que não haverá fim.

Estragar a si, não precisa estragar ao outros.

Não precisamos de palavras. Perguntas que não se pode responder. As vezes precisamos do simples, que ninguém consegue entregar: um abraço. Um "vai ficar tudo"; alguns precisam apenas de um tempo.

A solidão não é a solução. Então levantasse e puxe para a diversão.

O medo é nosso único inimigo, pois não sabemos o que vão pensar.

Não falo muito, mas sei escrever e as palavras são tão verdadeiras, que o infinito se surpreende com cada palavra, que parece um robô a digitar, mas até eles tem limites no que podem dizer.

Nada aqui faz sentido, como o tempo que se foi perdido. Não posso arrumar nada do que fiz, mas prometo recompensar, pelo machucado que causei em corações tão dispostos a me orgulhar.

Tudo passa tão rápido e nada podemos aproveitar. Infelizmente, ele não volta, só prossegue, tão apressado como se fosse perder algo, sem saber que já passou o momento de respirar.

O peito aperta com medo de continuar no mesmo caminho.

 Florzinha que se fechou, vamos nascer com o grande amor que temos a oferecer. 

Cada palavra é tão confusa, mas os sentimentos algum dia vão dá para entender.

Dá medo de continuar, pois no momento tudo se perde e vão embora como se nada mais tivesse para dizer. Só passa em minha mente, o pedido de desculpas, que agora, não dá para dizer presencialmente.

Mas isso é uma carta, que mando a você, que sei que machuquei e quero te dizer: não foi minha intenção, a mente se fez prisão de um sorriso escarlate, que não brilha no coração a tempos tão distantes que torço recuperar.

O brilho de vocês, me fazem brilhar, então nunca apague o que tanto me conquista. Sou uma escuridão, que precisa de vocês, com o amor, tão vermelho, que floresce em uma rosa sem espinhos para machucar.

Existe vários jeitos de te mandar uma mensagem. Mas decidi, através de uma carta inexistente, avisar, que preciso de ajuda para voltar a brilhar.

Mas isso não é desculpa, para o brilho de vocês eu apagar.

Tão diferentes. Tantos a quem tenho que falar, um pedido de desculpas, sem rima, pois ainda não gosto, mas cada palavra, aqui se encontra, uma melodia que algum dia poderá se tornar uma música, uma que vem do coração.

É um desabafo, que provavelmente esqueci de algo. Me avisem o que sentem e lhes direi o que sinto. 

Meu medo é perder, quem sempre esteve aqui. 

Não é cola ou chiclete, que devem usar para se colocar a mim.

Não é presente ou objetos, que representam os sentimentos. 

Não é medo, é coragem de dizer: lhes machuquei, e com palavras tão distintas, com tudo o que sei, lhes peço perdão e que possamos sorrir juntos com o grande coração, que são tantas coisas, de significados únicos. Somos diferentes uns dos outros, e isso amo de mais.

Palavras não são nada. Apenas ações. Por isso, essa carta é tão grande, quanto um coração, esperando que essa seja a prova de minha ação.

Não posso mostrar meus sentimentos, ao lado de quem feri, mas quero dizer, que até agora estou a sentir. 

Se a disposição está aí, para um perdão, um reencontro, uma paixão, uma família tão grande, peço que abra o coração e me deixe entrar mais uma vez e lhes direi, que do meu nunca saíram.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

AVV- PRÓLOGO

Essa história começa em uma floresta. O único lugar que sempre pude chamar de lar, o lugar que considero minha casa desde o momento em que acordei.

Posso não me lembrar de quem realmente sou, nem ter ninguém que me ajude com isso, mas tenho tudo de que preciso: uma casa na árvore, roupas, comida... E até mesmo conhecimento sobre algumas coisas.

Não sei explicar como essas coisas são possíveis, apenas sei que acontecem. Eu sei várias coisas, mas não sei de mim. As coisas simplesmente aparecem para mim, como se já soubessem que eu precisava delas.

Vivo em harmonia com os animais. Não os machuco, e eles não me machucam. Essa é a regra.

Mais uma vez, me encontrava vagando pela floresta, em busca de algo para fazer. Retornei para casa com machucados superficiais, que pareciam se curar rapidamente, sem deixar cicatrizes.

— Mas o que é isso? — quando cheguei ao pé da escada, deparei-me com uma caixa bloqueando meu caminho.

Eu tinha minhas dúvidas de que alguém soubesse da minha existência. Afinal, sempre apareciam coisas misteriosamente, mas nunca consegui ver quem as colocava lá...

Mas, dessa vez, ao olhar ao redor, vi uma silhueta entre as árvores, se afastando rapidamente.

Fiquei encarando a silhueta por um tempo, tentando distinguir qualquer detalhe, até que, finalmente, desapareceu completamente da minha vista.

— Tenho a sensação de que ainda está me observando... — suspirei, imaginando que a silhueta ainda poderia estar por perto.

Sentei-me na grama, com muita curiosidade. Queria entender o que era aquilo e o que significava. Foi então que notei um pedaço de papel debaixo da caixa.

Peguei o papel com cuidado e comecei a ler, me surpreendendo com cada palavra:

Feliz aniversário, Traveler.
Espero que esteja bem.
Desculpe por não estar aí em seu 16º aniversário, mas saiba que uma parte de mim sempre estará com você.
Como esses presentes.
Use-os com sabedoria, pois não são brinquedos.

De sua querida Doll.

Um misto de emoções me invadiu. Então essa pessoa que sempre me traz coisas sabe quem eu sou? Se realmente sabe, por que nunca me contou? Por que nunca se revelou para mim?

Queria ter todas essas respostas, mas não sabia como encontrá-las. Então, o que me restava era esperar. Talvez, algum dia, as descubra.

— Traveler... — repeti o nome, pensando que poderia ser o meu.

Se essa pessoa realmente sabe quem eu sou, por que se esconde? E por que não me conta nada?

Com tantos pensamentos em mente, levantei-me, peguei a caixa e subi até a casa na árvore. Sentei-me na minha cama, deixando a caixa ao meu lado.

Meus pensamentos vagaram por um tempo, ainda querendo entender os motivos por trás de tudo isso. Mas, no fim, não encontrei respostas, apenas mais dúvidas.

Decidi deixá-las de lado e olhei para a caixa. Se aquilo realmente era para mim, talvez houvesse algo lá dentro que pudesse me ajudar a descobrir as respostas para essas perguntas.

Retirei a tampa da caixa, com esperanças de que fosse algo realmente útil. Mas não havia nada que me indicasse isso.

Era um par de óculos de aviação e um livro vermelho, de capa dura e sem título.

Mesmo sendo presentes muito peculiares, não pude deixar de achar interessante. Peguei os óculos e os ajeitei na minha cabeça. Talvez tenha sido sorte que realmente serviram.

Depois disso, peguei o livro, esperando que seu interior pudesse ter respostas para minhas dúvidas constantes.

Mas, quando abri, acabei me decepcionando com o conteúdo de suas páginas...

— Como assim? Está em branco! — folheei cada página e, infelizmente, essa era a verdade — como isso é possível?!

Minhas últimas esperanças de descobrir a verdade sobre mim acabaram de desaparecer diante dos meus olhos.

Não sabia o que sentia naquele momento, apenas sei que soltei o livro, que caiu no chão, totalmente fechado.

Meus olhos se tornaram embaçados. Sabia que estava chorando. Não me lembrava se isso alguma vez havia acontecido, mas não importava. Afinal, sabia muito bem o motivo.

Deitei-me e não consegui me segurar. Não conseguia acreditar que aquilo realmente era verdade... Eu realmente nunca iria descobrir nada sobre mim. Essa era a triste realidade que me rondava.

Quando, finalmente, o choro cessou, tive a sensação de que pegaria no sono a qualquer momento. Meus pensamentos se acalmaram, me deixando com a mente tranquila o suficiente para me recordar das coisas ao meu redor.

Segurei os óculos, que antes estavam na minha cabeça, e os coloquei nos olhos. Mesmo sem muitas respostas, pude descobrir um pouco sobre mim: meu nome e que alguém zela por mim. Seja lá o que isso possa significar, já me confortava.

Fechei os olhos, prestes a adormecer. Minha vista logo ficou escura. Me senti como se estivesse caindo, como se o sonho tranquilo que eu deveria ter já se iniciasse como um pesadelo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

No dia seguinte, Kalleb estava deitado em sua cama, olhava para o teto de seu quarto, pensando nos possíveis motivos de Amanda ter o chamado para ir ao Estúdio, não queria admitir que a curiosidade o atormentou durante a noite inteira, fazendo com que o jovem fechasse os olhos apenas naquele momento; mas não para dormir...                        
                        
Quando se deu conta, estava no interior de sua mente, olhando para um lobo de fogo, que não conseguia entender o fato de que o jovem não havia tido nem uma reação, apenas o encarava seriamente, como se estivesse pensando várias coisas sem que nem um som fosse emitido em sua mente.                        
                        
— Oi? —  Kall perguntou, com esperanças.                        
                        
Kalleb apenas piscou, mas aquilo não foi uma resposta, mas uma ação, uma que aumentou as chamas do lobo de fogo, que quase teve a visão ofuscada com o próprio brilho, tampando os olhos para que nada acontecesse; mas ao abri-los, não estava mais na mente de Kalleb, mas sim em seu quarto.                        
                        
—  Pera, isso foi você? —  Kall perguntou ao jovem que o encarava confuso —  você consegue usar os meus poderes? —  mas não teve resposta alguma, como sempre —  mas, eu não posso ficar aqui... muito menos se você for para o prédio... vão me descobrir...                        
                        
Mesmo não estando confuso com o que aconteceu, Kall olhava ao redor, pensativo com o que aconteceria no futuro, não sabia como  seu poder funcionava para conseguir ver o que iria acontecer, o que apenas o deixava mais perplexo com tudo aquilo.                        
                        
—  Já sei como tentar repetir o que acabou de acontecer! Talvez de certo —  mas ele não sabia o que havia acabado de acontecer...                        
                        
Em uma das tentativas, Kall decidiu usar seu teletransporte, sabendo que funcionava com  lugares que já havia visto antes. Para sua sorte, havia dado certo, percebendo que o sucesso arrancou uma careta de Kalleb, que foi vista pelo reflexo de um espelho que o jovem tinha no quarto. Mesmo não gostando daquilo, Kalleb sabia que seria a melhor opção.                        
                        
Levantou da cama e começou a sair de casa, não precisaria avisar sua mãe dessa vez — por motivos que Kamilly teria certeza do retorno do filho que não costumava ficar parado em casa —, então o jovem seguiu para o prédio, aproveitando cada segundo de sua caminhada para olhar ao redor.                        
                        
Assim que chegou, viu Benny e Amanda conversando em frente a porta, como se estivessem esperando por ele — ou pelos outros — mas Kalleb não tinha certeza de que só faltava ele, decidindo apenas se aproximar das amigas e esperar pelo o que viria asseguir.                        
                        
— Você contou pra ele? —  Benny apontou com um pouco de raiva.                        
                        
—  Eu não contei pra ninguém, apenas confie em mim —  Amanda se defendeu no mesmo instate —  venham, eu vou explicar tudo —  e abriu a porta, começando a entrar.                        
                        
Os amigos seguiram Amanda, que logo se sentou em um dos sofás. Sem muita confiança no que estava acontecendo, Kalleb  e Benny se sentaram distantes um do outro, apenas observando o que estava prestes a acontecer.                        
                        
— Pronto Amanda, pode nos explicar agora, por que nos chamou? —  perguntou Benny, ficando um pouco impaciente.                        
                        
 —  Agora, Mandy —  pediu a jovem.                        
                        
Uma dança de chamas começou a surgir ao lado de Amanda, assim que parou, um par de asas brancas se abriu, revelando uma loba de fogo. Ela olhava séria para os demais, vendo no olhar de cada, os olhos das espécies que se encontravam em suas mentes.                        
                        
— Eu me chamo Mandy, sou uma loba de fogo e sei que vocês tem seres únicos dentro de si, assim como eu estava dentro da Amanda até momentos atrás —  ela iniciou, chamando a atenção para si —  talvez ainda não saibam como sair, mas se tem o poder de teletransporte, visualize essa sala e se teletransportem para cá.                        
                        
Não demorou muito tempo para que uma cor roxa surgisse ao lado de Benny, e chamas ao lado de Kalleb; quando se deram conta, os seres que momentos antes estavam dentro deles, apareceram, como se sempre estivessem do lado de fora, mesmo que tudo ainda os surpreendessem.                        
                        
—  Mandy? —  Kall perguntou para confirmar.                        
                        
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios da loba,  fazendo com que Kall tivesse certeza de que estava diante de sua amada. A felicidade o impulsionou a correr até ela e a erguer em um abraço, que a girou no ar sem que ela se importasse.                        
                        
—  Eu pensei que tinha te perdido... —  disse ele assim que a colocou no chão.                        
                        
—  Mas não perdeu... lobinho... —  com isso, Mandy passou a mão no topo da cabeça de Kall.                        
                        
—  Ei, casal, temos um problema ainda, está bem? —  Enny interrompeu o reencontro.                        
                        
— Verdade, desculpa —  Mandy se afastou, como se nada tivesse acontecido — pode nos contar o que aconteceu com você antes de entrar na mente dela? —  e apontou para Benny.                        
                        
—  Eu havia acabo de me tornar uma guardiã da grande árvore... eu atravessei uma porta que deveria me ajudar a achar outros da minha espécie, mas acho que foi isso que me trouxe pra cá...                        
                        
—  Essa tal grande árvore, era uma cerejeira? —  Kall interrompeu de repente.                        
                        
—  Era. Como você sabe?                        
                        
Kall olhou para Mandy, como se já tivesse as respostas para tudo. Logo em seguida, olhou para Kalleb, se lembrando que ao lado do Estúdio havia uma floresta com uma cerejeira semelhante com aquela que tinha em seu reino.                        
                        
Não tinha como ter certeza, mas precisava fazer alguma coisa. Então seu instinto falou mais auto e ele saiu do prédio correndo, precisava provar a si mesmo que aquela cerejeira também tinha algum poder.                        
                        
—  Kall! Espera! —  gritou Mandy, correndo atrás dele.                        
                        
Não adiantaria em nada gritar para que parassem, apenas restou correr atrás deles. Parando diante da floresta, onde puderam ver a grande cerejeira que se encontrava no centro da floresta, tão encantadora quanto em qualquer outro lugar.                         
                        
— Vocês estão vendo não é? —  Kall apontou para o alto, para a parte visível da cerejeira —  aqui também tem uma cerejeira...                         
                        
— Kall, o que você quer dizer com isso? — perguntou Mandy.                        
                        
—  Que essa deve ter as respostas para tudo... ou ser culpada de tudo... — com essa ultima parte, Kall não se conteve em olhar para as asas de Mandy, que recuou alguns passos — e se poder concertar?                        
                        
—  A grande árvore escolhe os verdadeiros reis, você sabe disso não é lobo? —  disse Enny de repente.                        
                        
—  A gente leu sobre isso Kall, é inreversível...                        
                        
Mesmo que o assunto fosse sério, não era todos que estavam prestando atenção. Kalleb mais uma vez estava hipnotizado  pela cerejeira, que o convidava mais uma vez a adentrar a floresta e descobrir o que ela escondia.                        
                        
— Kalleb, espera não entra aí! —  Amanda gritou.                        
                        
—  De novo não! —  disse Kall, deixando todos confusos.                        
                        
—  Isso já aconteceu antes? —  perguntou Benny, que não teve resposta.                        
                        
Kalleb já havia sumido nas profundezas da floresta e Kall já havia corrido atrás do jovem. As meninas não poderiam ficar paradas, não sabiam o que aquilo significava e tinham medo do que seria; correram atrás do Kall, que conseguiu deixar um rastro de fogo propositalmente.                        
                        
Logo pararam diante da cerejeira, que passou a brilhar no rosa que correspondia às suas flores, assim que todos se encontravam reunidos em torno dela. Eles não sabiam como explicar o que estava acontecendo, mesmo que já tivesse visto aquele brilho de outras maneiras, não era como se tivessem a resposta.                        
                        
Já devo ter dito que aquela árvore não é uma cerejeira qualquer, e mesmo que não tenha dito, já devo ter citado do que ela é capaz, mas nada se compara ao que ela queria revelar para eles, nada se compara ao que ela queria que eles vissem. Eu nunca soube o motivo de tanto sofrimento, mesmo que me dissessem que era precisso.                        
                        
As flores da cerejeira começaram a se soltar da árvore, flutuando em linha reta em uma direção tão única, que mexia com a curiosidade dos visitantes, que não entendiam o que ela tanto queria, até que Kalleb apontou para o caminho que era formado pelas flores.                        
                        
—  Você quer dizer que ela quer que a gente siga essas flores? —  em resposta a pergunta de Amanda, Kelleb concordo com a cabeça.                        
                        
Todos se juntaram com medo do lugar para onde iriam, mas decidiram seguir, mesmo que não tivessem certeza se aquilo era a melhor escolha a se fazer. A floresta que de fora já parecia imensa, se tornou ainda maior com forme o grupo seguia, como se a cada passo, fossem parar em um outro lugar.                        
                        
Assim que o grupo chegou ao fim do caminho de flores, se depararam com um grande lobo que tampava uma passagem da floresta, como se tivesse que esconder ou proteger o que estava do outro lado, fazendo com que os jovem parecessem apenas seus filhotes, que dariam meia volta assim que rosnasse; mas algo diferente do esperado aconteceu.                        
                        
— Então são vocês? — o lobo falou de repente.                         
                        
Mesmo com tudo o que viram até então, o grupo não parava de se surpreender com cada coisa que sai dos padrões que conheciam. Mesmo que para eles, tudo isso ainda estava começando a ter explicações.                         
                        
— Não temam meus jovens —  pediu, tentando acalma-los.                        
                        
O lobo começou a diminuir, mas não era como se estivesse ficando menor em tamanho, mas sim como se estivesse mudando fisicamente.                        
                        
E era exatamente isso. Seus pelos estava se tornando pele. O que antes era quadrúpede, havia se tornado bípede. Havia se tornado como os lobos de fogo, mas não tinha o fogo.                        
                        
— Quem é você? —  Kall perguntou.                        
                        
—  E o que está fazendo aqui? —  dessa vez, foi Enny.                        
                        
—  Me chamo Josh e sou um lobo, não como você dois — olhou para os lobos de fogo — eu sou comum, apenas isso. Mas, eu sou o porteiro dessa passagem, que leva a reinos esquecidos.                        
                        
— Como assim reinos esquecidos? —  Mandy perguntou, com um tom que indicava desconfiança.                        
                        
— O que uma vez é destruído, o tempo quer apagar, mas eu não permito.                        
                        
— E por que você está aqui? Digo, agora? — perguntou Amanda, tentando ser clara.                        
                        
— Tenho a missão de liberar a passagem apenas para os verdadeiros reis e rainhas — e olhou para os seres —  e esses são vocês três e aqueles que virão logo em seguida.                        
                        
—  E como você tem tanta certeza de que virão? —  perguntou Benny, se colocando ao lado da amiga.                        
                        
— Por que ela me disse —  e apontou para o topo da cerejeira —  e o destino está escrito assim...                        
                        
Não posso negar que essa frase, me fez pensar se ele sabia que eu estava envolvido naquilo tudo, como se estivesse olhando no fundo dos meus olhos, me vendo além do tempo.                         
                        
Mas eu nunca soube nada sobre ele, nunca mais surgiu depois daquele dia, mas alguma coisa sempre me disse que ainda estava presente, mesmo que vez ou outra eu o visse com sua família, sem se importar com meu olhar ou minhas decições.                        
                        
—  Vamos, entrem —  convidou, guiando os jovem que vinham logo atrás.                        
                        
 O caminho era longo, assim como aquele que percorreram para chegar até ali. Mas a sensação chegou rápido, o cheiro de queimado, de cinzas que persistiam, invadiram as narinas dos jovens, antes que chegassem em uma entrada já conhecida...                        
                        
— O Reino do Lobos de Fogo... —   a voz de Kall quase não saiu.                        
                        
— Kall... —  Mandy tentou impedi-lo de adentrar ao reino, mas não conseguiu.                        
                        
A cada passo que dava —  sem perceber que estava sendo seguido —  lágrimas caiam de seus olhos; ele via o reino que tanto conhecia, queimado, sabendo muito bem que foi ele que quem fez tudo aquilo.                        
                        
Kall finalmente parou de andar, ficando de frente para o castelo, se lembrando muito bem dos corpos que já não estavam mais presentes... se lembrando de sua mãe... de seu povo e daquele homem que causou tudo aquilo...                        
                        
A raiva que lobo de fogo sentiu naquele dia, começou a voltar, mas não culpava o desconhecido pelo o que aconteceu, mas sim a si mesmo, que queimou o próprio reino.                        
                        
Para Kall, ele não era mais um rei escolhido por uma cerejeira, mas sim um príncipe que destruiu todo o seu reino.                        
                        
A raiva, o peso de tudo se acumulava. As lágrimas que queriam cair eram contidas por ele, que queria a todo custo parecer forte, mas não era possível, suas chamas havia ficado mais fortes, fazendo todos temerem com o que poderia acontecer, dando passos para trás sem ao menos perceber... menos Mandy, que se aproximou, pensando que suas próprias chamas a protegeria.                        
                        
— Kall, está tudo bem, se acalme — e colocou as mãos no rosto dele — nada disso foi culpa sua e você sabe disso!                        
                        
Com isso, Kall se permitiu colocar a cabeça no ombro da amada, as lágrimas escorriam sem que o lobo tivesse forças para evitar, apenas respirando levemente, enquanto é abraçado pela pessoa que amava.                        
                        
— Um reino atacado por alguém misterioso, em busca dos verdadeiros reis e rainhas, é queimado por aquele que consideravam príncipe — Josh disse de repente.                        
                        
Não pude evitar de que ele fizesse isso. Não é porque os lobos de fogo sabem o que aconteceu, que todos também sabem... a história é importante, a verdade é importante... Mesmo que eu não tenha te contado tudo, ainda estou contando através desse livro.                        
                        
— Cala a boca... — Kall murmurou erguendo a cabeça.                        
                        
— Hoje em dia, a culpa ergueu o príncipe em um rei sem reino... — e ele continuou, sabendo que estava conseguindo o que queria.                        
                        
— Eu mandei você calar a boca! — em um piscar de olhos, Kall já estava diante de Josh.                        
                        
Mesmo com o teletransporte, Kall não conseguiu avançar o suficiente para atacar o lobo, estava paralisado no lugar, com o punho erguido pronto para agir.                        
                        
Seu coração não queria isso, ele não era aquilo, mas os sentimentos o dominavam, sendo impedido pela mão erguida de Josh, que usava algum poder que o jovem lobo desconhecia.                        
                        
Mesmo paralisado, os olhos completamente amarelhos não escondiam os sentimentos de Kall, que passou a ter uma visão de ante de si: um castelo maior do que o seu antigo, com um brilho avermelhado de fogo, tão pulsante que encantava aqueles que se aproximavam.                        
                        
Ele não sabia o que aquilo significava, era muito simples para entender, mas ao voltar para a realidade, seu coração temia o simbolismo de tal visão.                        
                        
Ao ver que o lobo de fogo voltou a realidade, Josh o liberou, deixando Kall confuso com o que havia acontecido. Mas não era o momento para aquilo, eu não podia permitir que esse fosse o desfecho daquilo tudo.                        
                        
— Vamos, ainda temos muito para ver — disse Josh de repente.                        
                        
O lobo mais velho começou a andar para um lugar além do Reino dos Lobos de Fogo. O grupo ficou por um tempo parado, sem ter a certeza se deveriam seguir ou continuar naquele reino e entender o que havia acontecido.                        
                        
Mesmo com a tentativa de consolo de Mandy, Kall foi o primeiro a seguir Josh sem olhar para trás. Não demorou muito para que os demais fossem até eles.                        
                        
Mesmo a realidade não conseguia apagar o que havia acontecido, atormentando o coração de um jovem rei que se culpou até o fim pelo o que aconteceu com seu reino.                        
                        
A caminhada logo terminou assim que chegaram em um lugar repleto de neblina roxa. Tudo emanava magia, o cheiro e as cores vibrantes que revelavam frases tão longes que pareciam ilusões.                        
                        
— A onde ela está? — a voz gritava em meio a gritos de terror.                        
                        
O instinto de proteção que Enny carregava dentro de si, despertou para ajudar, adentrando aquela névoa roxa que cercava tudo.                        
                        
Assim que a fada sumiu de vista, a névoa se dispersou, revelando um reino que não tinha mais vida. Um reino de fadas que não tinham mais asas.                        
                        
— Isso são asas de fada? — Mandy se aproximou de um par de asas espalhado ao chão.                        
                        
Haviam par de asas espalhadas por todo lugar, com um brilho fraco de mágia, misturado com o sangue que secava ao redor. Eram tudo da mesma espécie, tudo correspondia a espécie que Enny procurava, mas que já não existia mais.                        
                        
Girando em torno de si, Enny pode perceber que tinha as mesmas asas. Não dava para acreditar que o que restava de seu reino — reino esse que ela nem conheceu — eram apenas as asas, sem nem uma fada.                        
                        
Seus joelhos encostaram o chão em fração de segundos. Sua visão se turvou, mas não de lágrimas e nem de raiva, ela não sabia o que estava sentindo naquele momento.                        
                        
— O que aconteceu aqui? — a voz de Enny quase não saiu ao pronunciar a pergunta.                        
                        
— Um homem estava em busca da rainha, que por sua vez, não nasceu em meio a sua espécie, mas surgiu atravez de outra. Para garantir que algum dia a encontraria, manteve as asas das fadas da magia presentes no reino — Josh explicou.                        
                        
Aquilo já estava começando a pertubar o interior daqueles que deveriam governar os reinos que já não existiam mais. Do que adiantaria um rei e uma rainha, de um reino que não existe? Era como se o mundo deles tivesse deixado de existir, menos eles, que permaneciam alí, sem saber o que fazer, mesmo que seu objetivo fosse claro: começar do zero.                        
                        
Em meio a todo o caos que se seguia, sempre existe alguém com um senço que supera o que deveria estar escrito, surpreendendo aquilo que lhe nomeou, mostrando para todos quem realmente era.                        
                        
— Vocês vão ficar chorando mesmo? Por um reino que foi destruido? Por um ser que quer nos matar? — Mandy falou de repente, chamando a atenção de todos —  eu sei como é perder  o seu lar, está bem! Mas nem por isso vou ficar assim! Se aquela bendita árvore nos escolheu para ser rei e rainhas de algum reino, tem um motivo, mesmo que esses reinos já não existam mais!                        
                        
—  Dizem que um reino começa a partir de seu rei... —  Amanda disse de repente —  ele lidera e transforma... vocês são a origem de um novo reino de suas espécies, são a esperança de que nada se perdeu...                         
                        
Mesmo sem saber, sua frase estava certa, erguendo aqueles que pensavam que não eram mais capazes de liderar um reino que não existe. Mas para que tudo tenha um começo, deve existir o fim, e é por isso que de uma tragédia as coisas se tornam mais fortes.                        
                        
— Vocês podem se unir, criar um reino com vocês um reino novo, que misture todas as espécies — sugeriu Benny, ficando ao lado de Amanda.                        
                        
— Mas somos de espécies diferentes, cada reino tem uma espécie única! —  Enny rebateu.                        
                        
—  Mas isso não me impediu de me tornar uma hibrida                         
                        
—  Vocês podem ter um novo nome, que seja além de espécies, um que defina vocês — Amanda sugeriu, começando a pensar — o que vocês são? — perguntou para si mesma.                        
                        
Eles não sabiam, sempre se conheceram pelos nomes que separavam as espécies, nunca pensaram em qual seria se algum dia tudo se unissem em um só, não tinham certeza nem mesmo do porque eram separados.                        
                        
— Vocês realmente são um grande mistério —  Benny falou ao ver Kalleb se aproximando de Kall.                        
                        
Kall pode ver pela primeira vez os olhos azuis de Kalleb o encarando como se aquilo dissesse mais do que qualquer palavra, mas que o lobo de fogo não sabia o significado, muito menos quando seus próprios olhos ficaram azuis.                        
                        
—Benny, que você acabou de dizer? Misteriosos? — Amanda perguntou para a amiga, surpresa.                        
                        
— Foi isso, por quê?                         
                        
— Místicos... são seres místicos! Seres que superam a razão!                         
                        
— Míticos, eu gostei e vocês? — Mandy perguntou aos seus companheiros que apenas concordaram com a cabeça.                        
                        
E assim surgiu mais um nome que marcou a história, a história que não parece verdadeira, mas que aconteceu e deu origem a tudo o que você vai ver, mesmo que até hoje não tenha visto com seus próprios olhos, por um motivo que ainda vou te explicar.                        
                        

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Mil formas de amar

[Verso 1]
A rejeição machuca, mas tem coisa que dói mais
É te olhar de perto e perceber que somos tão diferentes
Histórias quebradas, memórias que ninguém conta
Sensações tão pequenas, mas que arranham por dentro

E esse frio na barriga volta sempre pra dizer
Que tá na hora…
De botar pra quebrar outra vez

[Pré-Refrão]
Por tudo o que vivi sem poder ser quem eu sou
(Pra botar pra quebrar)
Você ainda espera a arma que um dia imaginou

Eu sei dos meus defeitos
Mas quem aqui nunca errou?
Mil formas de amar
Muito além do que você pensou

[Refrão]
Eles não nos merecem
Basta uma mentira e nunca mais esquecem
Ferem sem pensar, não querem nosso bem
Mas nem me conhecem
Eu me moldo pra ficar de pé também

Luto pelos meus sonhos, mesmo sendo só eu
Então que se ferrem — porque nada me prendeu
Enquanto eu busco entender quem sou
Eu encontro a minha paz…
A minha paz

E o azul dos meus olhos é forte demais
Forte demais

[Verso 2]
Eu sei que dói dizer adeus, mas a dor já não me toma
Assusta, eu sei, mas eu só quero que isso passe
Que nunca mais volte, que não tenha retorno
Meus monstros se escondem quando meu poder desperta

Então eu decido ser minha própria luz

[Pré-Refrão]
Por tudo o que vivi sem poder ser quem eu sou
(Pra botar pra quebrar)
Você ainda espera a arma que um dia imaginou

Eu sei dos meus defeitos
Mas quem aqui nunca errou?
Mil formas de amar
Muito além do que você pensou

[Ponte]
Quem é o verdadeiro vilão?
A verdade vai aparecer
Se sou só eu que sou assim…
Por que tem medo de mim?

Construiu muralhas pra se proteger
Mas afinal… do quê?
De mim?
Eu sou uma arma pra você?

Meu coração é quente, firme
Afasta o mal, renova o ar
Purifica o que toca
E nunca deixa de brilhar

[Verso 3]
Quando te vejo calmo
Do jeito que eu sei que você pode ser
Lembro que todos têm um lado que querem esconder
Mas eu escolho o que eu vou ser

Não se esqueça:
Os vilões são só aqueles que vivem pra julgar

[Refrão Final]
A rejeição machuca
Mas tem coisa que dói mais
É tentar entender você
E ver que não somos iguais

História perdida
Sensações que eu deixei pra trás
Esse frio na barriga volta
E me chama pra lutar

Por tudo o que vivi sem poder ser quem eu sou
(Pra botar pra quebrar)
Você ainda espera a arma que imaginou

Eu sei dos meus defeitos
Mas quem nunca errou?
Mil formas de amar
Muito além do que você pensou

domingo, 21 de dezembro de 2025

Querida Neve

Na véspera de Natal, Cão Noel estava fazendo uma ronda junto de alguns duendes, procuravam por madeiras especiais para a fabricação de brinquedos de Natal. 

- Eu achei! - latiu para o duende mais perto. 

- Muito bem! - e jogou um biscoito para o cachorro. 

Após comer o seu biscoito, Cão Noel voltou a procurar pelas madeiras. 

Seus dias eram assim, sempre os mesmos, ele não se importava, tinha os duendes como amigos, mas não tinha ninguém igual a ele. 

Ao voltar para casa, um duende parou no meio do caminho e pensou sobre o Cão Noel, queria que ele tivesse uma amiga. 

Com essa ideia em mente, correu para sua pequena casa, pegou papel e caneta tão rápido, que não percebeu quando sentou-se em sua pequena mesa e começou a escrever. 

_Querido Papai Noel..._
_Esse pedido não é para mim, mas sim para o seu grande amigo Cão Noel. Eu sei que ele não admitiria isso, mas estou aqui para pedir por ele._
_Ele é um bom garoto, mas não tem ninguém igual a ele, só tem a gente e o senhor. Esse é o meu pedido ao senhor, que o Cão Noel tenha um amigo igual a ele._

Ao terminar, colocou em seu envelope especial. 

Como morava no polo norte e trabalhava para o Papai Noel, só precisava ir até a grande casa e entregar nas mãos de seu chefe. 

No meio do caminho, o pequeno Duende viu uma estrela cadente caindo naquela noite. Aquela estrela aumentou sua esperança. 

Feliz, correu para a grande casa e passou sua carta por baixo da porta, voltando saltitante para a sua própria. 

Poucas horas depois, naquele mesmo dia, todos estavam ocupados com a entrega dos presentes, deixando Cão Noel sozinho pelo resto do dia.

Sem muito o que fazer, o animal decidiu caminhar na neve, sem saber que isso mudaria sua vida para sempre.

De repente, ouviu um choro vindo das proximidades. Nas pressas, começou a cavar, procurando a fonte do choro.

Não demorou muito para encontrar. Era uma cachorrinha, de pelos tão brancos que a confundiam com a neve. 

A pequena estava com frio, tanto que mal se mexia.

Sem pensar duas vezes, Cão Noel abocanhou as costas dela e começou a arasta-la para a grande casa.

Assim que entrou, deixou q pequena na porta, correndo até seu dono.

- O que foi amigão? - perguntou Papai Noel.

Mas Cão Noel só latia e o puxava, deixando o bom velhinho sem escolha alguma.

Quando finalmente chegaram na porta, o bom velhinho não se conteve. 

Preocupado, ergueu a cachorrinha e a levou para perto da lareira, esquentando a pobrezinha que tremia com o frio.

- Você fez um bom trabalho Cão Noel, ajudou uma filhote que estava congelando! - o bom velhinho acaricoou a cabeça de seu companheiro - vou preparar alguns biscoitos pra vocês - se retirou.

Cão Noel não resistiu e se deitou ao lado de sua nova companhia, esquentando ela com seu corpo.

Quando ela acordou de longo sono, já havia biscoitos para ela.

- Isso sim é um milagre de Natal!

Cão Noel comerou, lambendo o rosto do Papai Noel, que sorria com intenção de ficar a pequena que foi encontrada na neve.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

não é nada, saia daqui

Não posso negar que esse poema foi uma forma de desabafo. Depois daquele dia, não consegui parar de pensar naquele cristal e no homem que estava lá dentro; afinal, o que significa o cristal ter se quebrado? O que realmente representou tudo aquilo?

Essas dúvidas ficaram na minha cabeça por tanto tempo, que mal sabia o que estava ao meu redor. As aulas voaram completamente, enquanto eu não conseguia prestar atenção em nem uma. Para a minha sorte, eu fazia as lições, como se meu corpo estivesse no automático, mas tirando isso, era como se a qualquer momento professor fosse perceber, pois a cada segundo livre que tinha, pegava o meu caderno de poesias e rabiscava palavras aleatórias.

Não tinha certeza se transformaria essas palavras em outro poema, apenas que estavam me ajudando um pouco a continuar com os pés no chão, literalmente.

Tive sorte quando as aulas finalmente acabaram, foi um alivio para a minha cabeça, poderia finalmente pensar em uma coisa só. Pelo menos era o que eu achava... Quando sai da escola, minha mente começou a pensar de vez.

Minha casa não era na cidade, como já disse antes, o que só acabou piorando. Meus pais me conheciam o suficiente para saber quando tem alguma coisa me incomodando; infelizmente não sabia se poderia contar para eles o que aconteceu... O que eles iriam pensar de mim?

Segui o caminho todo pensando sobre cada detalhe do que poderia acontecer. Não sabia dizer se aquilo era paranoia da minha parte, ou outra coisa; mas sabia muito bem que não poderia ser uma coisa boa. É como um professor uma vez me disse: “pensar no futuro, é estragar seu presente”, na época não entendi e ainda não entendo muito bem, o que explica o fato de continuar pensando cada vez mais...

Quando finalmente cheguei e subi para a sacada, pensei que poderia me distrair com alguma coisa, até que percebi que algo estava diferente.

– Mas aonde foi que eu coloquei minhas chaves? – comecei a procurar por todos os bolsou, tanto das roupas quanto na mochila, mas não encontrei – eu não posso ter perdido! Eu sei que não perdi!

Mais uma coisa para a minha cabeça. Decidida em ter razão, joguei tudo que estava na minha mochila no chão, procurando as chaves em cada material, mas elas não estavam lá. Persistia que nem uma doida.

Até que finalmente desisti e guardei tudo, me encostei na parede da sacada e comecei a repassar meus passos, queria a todo custo provar que não havia perdido. Foi aí que me dei conta de algo. Me levantei e olhei para a janela e lá estavam as minhas chaves em cima da mesa.

– Como assim?! Eu esqueci! E eu aqui, quase surtando! – fiquei com raiva de mim mesma.

Seria muito fácil me dizer para apenas voar janela adentro, mas não! As janelas estavam fechadas! Mas por que não pedi para Lurester abrir? Bem, faz um tempo que não “nos falamos”, se é que me entendem.

Não havia outra opção, ficaria trancada do lado de fora de casa até meus pais chegarem... Me sentei novamente, pensando sobre os meus passos para ter esquecido as chaves em casa.

Meus pais ainda estavam, falavam sobre alguma coisa que já me esqueci. Eu estava querendo desviar da conversa e sair de lá o quando antes. Foi desse jeito que acabei aqui, com mais azar para o meu lado.

– Não tem mais nada que eu possa fazer... – murmurei, já desistindo de tudo.

Sempre fui muito pessimista, pelo menos era o que minha mãe falava, mas ao meu ponto de vista, eu sou é realista, então desisto de coisas que sei que não há vitória... Talvez não devesse fazer isso, mas eu sou assim mesmo...

Já estava no tédio quando deitei minha cabeça para o lado e olhei a floresta. Não sei se já tive boas lembranças com ela; sempre que entro é uma grande aventura, as vezes tenho a sensação de que ela esconde coisas de mim. E dessa vez não foi diferente.

Precisando fazer alguma coisa urgentemente, me levantei, deixando minha mochila lá mesmo. Desci as escadas e segui para a floresta.

Sabia que provavelmente teria mais alguma “aventura”, mesmo que eu e Lurester não estejamos nos comunicando recentemente, ainda havia sua “magia” no ar.

Andei sem rumo por um bom tempo, até chegar em um pequeno lago que parecia brilhar. Era normal, levando em consideração que suas águas era pratiadas, infelizmente havia alguma coisa diferente, só não sabia o que era isso.

Curiosa, me abaixei e coloquei a mão na água, tinha uma textura diferente do normal.

– Aí! – tirei rapidamente, como se sentisse pequenas fagulhas na minha mão – parece...

Cristal... A água estava cristalizada. Olhando por fora, era água normai, mas quando colocava a mão, havia pequenas partículas de cristais. Isso não era normal...

Me levantei, em tentativa de olhar para o lago em um todo, e de uma certa forma, vi meu reflexo, como se as cor prateada do lago fosse um espelho... Mas não era só isso, havia outra pessoa, estava atrás de mim, como se estivesse se escondendo atrás das árvores.

Me virei assustada, com intenção de reconhecer quem poderia ser; foi aí que vi o homem do cristal, estava me encarando sem nem uma emoção.

– Quem é você? – lhe perguntei curiosa.

Aquilo não fazia sentido na minha cabeça. Eu vi ele sumindo e se despedaçando junto com o cristal...

Eu só poderia estar alucinando, não havia outra explicação para aquilo.

Ele então olhou para o lado e as folhas das árvores começaram a se soltar e a vir em minha direção, me rondando.

QD - PRÓLOGO

Em uma galáxia distante, esquecida até pelos mapas estelares mais antigos, existe um planeta com uma história única. Seu nome? Lurester - o ...