O garoto a observava de longe, mas não se conteve e foi ajuda-la.
- Se continuar assim, vai perder mais coisas - disse ele por fim, colocando o último produto na prateleira.
- Que? - perguntou ela, que não prestou nem uma atenção no que lhe foi dito.
Para explicar, ou tentar, ele retirou os fones que havia guardado no bolso e lhe ofereceu. Amanda ficou feliz ao ver seus fones e logo os pegou, não havia se dado conta de que os perdeu.
- E seu crachá está no balcão - disse ele apontando.
- Meu... Crachá? - soltou um grito de surpresa e foi direto ver o objeto.
Não conseguia acreditar que seu dia havia sido estragado assim.
Se ela havia esquecido de suas próprias coisas, não conseguiria imaginar se esquecesse de outras coisas...
Mesmo agradecida, sua cara mudou completamente, ficando séria.
Andou até seu carrinho, voltando a puxa-lo, mas logo parou e olhou para aquele garoto na sua frente, não se lembrava dele, mas sabia que o viu antes, passou então a analisar, se recordando e tentando ligar aqueles pontos em sua cabeça.
Logo voltou a andar, não queria ficar encarando muito tempo, mas o pouco que ficou, obteve baste informações:
Os cabelos negros, tão pretos que só luz conseguiria iluminar, não era bagunçado, mas também, não poderia chamar aquilo de bem arrumado.
Mas aqueles olhos, eram azuis, mas um tipo de azul diferente, não eram totalmente escuros, mas também, não eram claros; eles pareciam falar com forme as expressões do jovem.
Mas o resto, não fez Amanda ter certeza de que era uma boa pessoa, parecia rebelde de mais para seu gosto.
Aqueles brincos... Eram pequenas argolas. E uma de suas sobrancelhas, era levemente raspada.
Aquele tipo de pessoa, poderia com toda a certeza, ser alguém que ela não iria querer mesmo conversar.
Já viu esse tipo antes. Já sofreu por causa desse tipo de pessoa. Não deixaria sua mente lhe enganar de novo, não quando já está sofrendo tanto.
Mas daí, veio a voz dele em sua mente. Não era de alguém perigoso, era soave, mesmo para um homem. Era acolhedor e protetor...
Não tinha tons de mentiras, desculpas, ou ironia...
Mas ela não poderia se enganar, não de novo.
Ergueu a cabeça, a balançou levemente, com intenção de tirar esses pensamentos de sua cabeça e voltar a trabalhar, afinal, não o veria de novo, não é mesmo?
Ela retornou seu trabalho em pouco tempo, sua mente já havia lhe distraido o suficiente pra esquecer tudo o que rolou em todo aquele começo de dia, que lhe foi muito estranho.
Mas mal sabia ela, que aquele jovem, ainda estava no mercado, decido a levar alguma coisa.
Ele andava pelos corredores, curioso com o local. Mesmo morando perto, não tinha o costume de frequentar, normalmente era sua mãe e sua irmã que iam.
Quando menos esperou, sentiu um cheiro chamativo, sabia muito bem o que era, e surgiu um sorriso em seu rosto.
Ele seguiu o cheiro até a padaria, a onde encontrou seu doce favorito. Poderia estar babando, se sua educação lhe permitece.
- Posso ajudar? - disse uma moça.
- Me dá... - ele pensou por uns instantes, um não lhe sustentaria - três, por favor.
A moça concordou e pegou um saquinho para colocar os três donuts de morango que ele pediu.
Enquanto esperava, ele olhava ao redor, foi quando viu aquela miniatura de gente, passando correndo novamente, mas dessa vez, o carrinho já estava a salvo de causar qualquer problema, encostado em um cantinho.
Mas ele não poderia dizer o mesmo da garota. Que se encontrava na feirinha do mercado, carregando frutas de um lado para o outro, e as colocando dentro do carrinho.
Aquela pequena visão, lhe deu um vislumbre da personalidade da garota, que mesmo em meio a pessoas, desviava com facilidade, como se algum dia tivesse dançado balé.
Quando parava para falar com alguém, forçava um sorriso, que poderia muito bem ser confundido com um verdadeiro. Mas ele sabia muito bem reconhecer um sorriso falso, já usou um várias vezes na sua vida.
- Aqui está - a padeira retornou com seus donuts.
- Obrigado... - pegou e seguiu para o caixa que se encontrava após a feira.
Não teve vergonha na cara nem uma em passar pela feira e ver aquela dança de desvios da garota.
Por dentro, ele estava rindo daquilo, mas não um riso de deboche, mais um sincero, como se aquele intreterimento fosse algo feito para fazer seu coração palpitar.
Com a mente distraída, acabou esbarrando em uma das bancas, derrubando algumas frutas. Não resistiu em rir de si mesmo enquanto as recolhia.
Aquela risada ficou com sigo por um tempo, até chegar no caixa rápido.
Não demorou muito para ser atendido por uma garota ruiva de franja. Essa garota o lembrou muito da irmã, tinha coragem no estilo.
Ao pagar, saiu do mercado com um pequeno sorriso no rosto. Um lugar verdadeiramente peculiar, não conseguia acreditar que aquilo lhe intreteu tanto a ponto de sair sorrindo, o que era totalmente raro de acontecer.
Decidiu que voltaria, iria comprar mais donuts, só para sentir aquilo de novo.
Ao se lembra dos doces, retirou um do saco e começou a comer enquanto retornava para casa.
Infelizmente, ao chegar, já não tinha mais nem um para lhe sustentar.
Suspirou profundamente e entrou na residência. Não conseguia acreditar que os doces acabaram tão rápido... Sua casa era tão perto...
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