sábado, 20 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 10 - fim {UD-Estúdio}

De repente tive uma ideia e olhei para Mandy. Mesmo sabendo que ela não pode ler minha mente, balancei a cabeça, imaginando que ela iria entender.

Como o imaginado, ela se levantou no ar e ergueu a mão. Não demorou para que imagens de mim aparecessem diante de nós.

Eu estava sozinha, comendo algo.

Depois, a imagem mudou para uma sala de aula. E novamente, estava sozinha.

- Nunca vamos deixar de ser amigas! - uma voz feminina, que não era a minha, foi ouvida.

Eu estava do lado de uma menina e de um instante para outro, fiquei sozinha de novo.

Quando a imagem mudou para sala de aula, começou a surgir murmúrios indecifráveis ao nosso redor. Eu, pelo menos a da imagem, coloquei fones de ouvido.

Em outra, eu estava animada, pulando.

- Vou andar de bicicleta com uma amiga!

De repente, ao confirmar, essa mesma amiga cancelou com uma desculpa em cima da hora.

De um instante para outro, eu estava rodeada de amigos e de repente, sozinha de novo e dava para ouvir murmuriosos ao redor, algumas vezes tinha certeza que era sobre mim que falavam.

- É por isso que não tem amigos - ouvi a voz da minha mãe, misturada com outras vezes.

Quando me dei conta, a imagem mudou para uma que traumatizou minha vida...

Era minha mente, eu reconhecia a escuridão que a imagem representava.

- Você não é boa o suficiente - ouvi o eco das palavras.

Atrás dessa, veio outras, eram meu próprios pensamentos me torturando:

- Você nunca vai ser aceita. Nunca vão me entender - dizia continuamente.

- Seja mais feminina - ouvi a voz da minha avó.

- Não quero mais viver... - e de repente tudo se apagou.

Eu estava sentindo raiva de mim mesma, mas também sentia minha garganta fechada, como se pudesse cair no choro se me permitisse.

- Não posso ser seria... Que estou errada... Não posso ser divertida que estou errada... - os ecos continuaram, sem imagem alguma - não posso ser eu mesma...

Já não aguentava ver aquelas lembranças. Não aguento ver o erro na minha frente, não aguento ficar calada, tenho que falar, nem que seja para alguém que não ouve:

- Foda-se o que os outros acham! - gritei e todos me olharam.

Não liguei para os olhares, estava olhando fixamente para a imagem na minha frente, que se despedaçou como vidro.

De repente, aqueles pedaços se reconstruíram e mostraram uma imagem, que me recordo bem de ser uma foto no estúdio: estava eu, Kalleb e meus amigos. Depois mostrou outra, os místicos estavam também.

E assim foi; mostrava imagens de mim e Kalleb. De Benny e eu. Sempre alguma diferente, e a melhor parte, era que eu estava feliz em todas.

Minha felicidade várias: entre caretas, risadas, sorrisos largos e pequenos, alguns só eram demonstrandos por olhares; mas ainda assim, era meu jeito de demonstrar felicidades.

- Eu sou diferente - ouvi minha voz - e quer saber? Que se foda! Eu sou assim! Todos nós somos! E não vou deixar de ser! - uma imagem minha apareceu.

Estava sentada na cama, seria, até que de repente, se levantou e ficou de pé sobre a cama.

- É isso o que me define! E te define! - ela apontou pra gente, como se soubesse - então não ligue para o que dizem e apenas seja você! - ela pulou para o chão - caia e se levante! Você é mais forte do que pensa.

Ela se aproximou e encarou todos nós, com uma sorriso de alguém que realmente queria ajudar.

- Você sabe que é capaz - e piscou um olho.

Aquilo fez com quem a imagem sumisse.

Mandy voltou a pousar e olhou para mim, que também não entendia o que havia acabado de acontecer.

Mas quer saber? Eu não ligo! 

Estava feliz e era isso o que importava.

Olhei para minha versão, que se desvencilhou de meus braços para assistir.

- Seja feliz, verdadeiramente feliz... - foram minhas únicas para até sentir algo diferente.

Minha visão ficou branca, não sabia ao certo o que aquilo poderia significar, mas aquilo não me importava, mas sim o fato que consegue passar aquilo que precisava.

Torci com todas as minhas forças para ter conseguido ajudá-la, mesmo que de uma maneira totalmente estranha.

De repente, acordei em um pulo, estava sozinha em uma cama. Olhei ao meu redor e percebi ser a cama de Kalleb.

Fiquei feliz e voltei a deitar, olhando para o teto sem nem um motivo.

Aquilo pareceu com um sonho, mas eu sabia que havia sido real, afinal, não era a primeira vez que acontecia.

Já conformada com o fato de ter ido para outro universo, me levantei e me dirigi para a saída do quarto. Parei na porta, sentido algo diferente.

Tinha duas sensações: de que tudo havia sido resolvido e a de que estava sendo observada por alguém.

- Eu sei que é você... k... - deixei a letra solta no ar.

A pessoa que me observava, sabia muito bem que era ela com quem eu falava, não precisaria de mais nada.

Com tudo aquilo, eu não tinha muita certeza de onde vinha, mas sabia que era de longe,  só não o quão longe era.

Com sorriso malandro no rosto, um que logo se tornou um sorriso simples e sincero, desci para o andar de baixo do estúdio e fui direto para a cozinha.

Todos estavam lá, conversando e comendo alguma coisa. Talvez eu tivesse dormido de mais, não tinha certeza, mas aquilo não importava.

Fui até Kalleb e me sentei ao seu lado, colocando a cabeça em seu ombro. Havia chegado mais uma vez a minha hora de observar o desenrolar de algo, mas dessa vez, era escolha minha assistir tudo aquilo.


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