domingo, 7 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 2 {UD-Estúdio}

Me encontrava no meu estúdio (que é um escritório, mas chamamos assim para homenagear o prédio), sentada sobre o computador enquanto escrevia a continuação da minha grande ideia.

Estava com fones de ouvido e por isso deixei a porta aberta dessa vez, mesmo sabendo que o pessoal estava ocupado de mais para vir me interromper.

Até que de repente, vi algo que chamou a minha atenção.

Aparentemente eu não precisava dos meus amigos para que minha escrita seja interrompida...

- Mas que? - confusa, olhei para tela do computador de novo, com intenção de ver aquilo de novo.

Mas nada aconteceu...

Tentei voltar a escrever, mas não consegui. Um tipo de tristeza repentina me atingiu.

Mas eu não estava triste, na verdade estava totalmente normal. Pelo menos era nisso que acreditava.

Me dei conta que estava chorando, e nem mesmo sabia o motivo.

Com a manga da camisa, limpei as lágrimas que escorriam dos meus olhos sem parar; e foi ao abaixar o braço, que vi aquela garota de novo pelo reflexo da tela do computador.

Aquela garota parecia estar gritando, com as mãos na cabeça, como se sua mente doesse com alguma coisa e ela pedisse pra parar.

Fiquei chocada com aquela visão. Não tinha lágrimas no rosto dela, na verdade, eu mal conseguia vê-lo.

Eu em si, aquela sentada diante daquele computador... Estava começando a ficar irritada com tudo aquilo.

Era como se eu estivesse sentindo duas emoções diferentes, mas, com plena consciência de que uma delas não era minha.

Sabendo que aquelas lágrimas que me irritavam tanto por não terem motivo para persistência, não iriam parar tão cedo, me levantei e sai do estúdio, rumo ao banheiro do andar de baixo.

- Tudo bem Amanda? - era voz de Pedro.

Não me dei conta de que havia passado por ele. 

Sou uma burra, isso sim. Poderia muito bem pedir ajuda para ele, que tem conhecimentos médicos, mas não! Eu passei direto!

Tudo bem. Respirei fundo e continuei. Naquele momento, não precisava me arrepender de algo que não fiz, ainda havia concerto.

 Quando cheguei no banheiro, não fechei a porta nem nada, apenas peguei uma quantidade de papel considerável e limpei o rosto.

Ao jogar o papel no lixo, olhei para o espelho, e para o que parecia ser meu reflexo. Eu me via lá, com certeza, estava com raiva, como sentia que me rosto estava, mas, tinha alguma amais naquilo.

- Mas o que é você? - percebi que tinha algo atrás da minha pessoa no reflexo.

Já assisti vários filmes de terror pra saber que as coisas nunca estão atrás da pessoa em si, e sim no espelho.

Me aproximei tentando analisar aquilo com mais cuidado. Seria loucura pensar que estava em um filme de terror.

E divertido, tenho que admitir.

Quando me dei conta, meu corpo já estava se mechendo sozinho e minha mão se encontrava estendida para tocar no espelho.

Antes que a ponta dos meus dedos tocassem, meu reflexo sumiu e só restou o da garota chorona que eu vi na tela do computador.

De repente ela olhou pra mim, o que me fez engolir em seco. Ao ter certeza que havia me visto, ela começou a chorar e um grito ecoou em minha mente.

Como se aquilo fosse mais alto do que qualquer coisa possível, eu acabei caindo para trás em tentativa de abafar o som com as mãos sobre meus ouvidos. Mas não adiantou de nada, pois estava na minha mente.

Aquele som... Mesmo sendo apenas um grito, eu tinha a sensação de que tinham falas no meio, mas não conseguia distingui-las, era como se fossem várias de uma só vez.

- Para! - dessa vez foi eu quem gritou e tudo se acalmou.

- Amanda! - Kalleb entrou desesperado no banheiro e veio até mim - O que foi? O que aconteceu? - suas perguntas vieram como um tissuname.

Eu não tinha resposta alguma para elas, e ele percebeu, pois não fez mais nem uma, apenas ficou me encarando, com um olhar indecifrável.

- Você tá bem? - perguntou por fim.

- Eu tô... - me levantei do chão, seguida pelo seu olhar - eu acho que tô.

Coloquei minhas mãos sobre meu rosto, como se isso fosse apagar tudo o que aconteceu da minha mente. Mas quando tirei, me deparei com sangue, sangue que escorreu dos meus olhos.

- É melhor a gente falar com o Pedro... - Kalleb se levantou também.

Ele sabia o que estava acontecendo, ou pelo menos suspeitava de algo; mas também sabia que não poderia me contar nada naquele momento, já que, eu sempre surto com coisas repentinas, ainda mais depois de alguma coisa acontecer.

- É... Acho que sim.

Eu não tinha muito certeza de onde estaria o Pedro, e não me adiantaria em nada perguntar pro Kalleb.

Kalleb e Pedro não se davam muito bem. Na verdade, Kalleb não é muito chegado no Pedro desde que o cara começou a namorar a irmã dele. Mas o orgulho do Kalleb não poderia negar, que precisava mais do Pedro do que qualquer outra pessoa...

Mas isso é história para outro momento.

- Karen, sabe a onde está o Pedro? - perguntei ao ver a irmã do Kalleb entrando na cozinha.

- Oi? - ela perguntou, olhando pra mim logo depois - Amanda?! O que aconteceu com você? - ela ficou surpresa ao ver o estado do meu rosto.

- Ainda não sei e é por isso que preciso do Pedro, pra ter pelo menos uma parte da explicação - respondi de maneira séria.

- Ele está lá em cima, no quarto dele - ela apontou e eu segui seu dedo.

Pude ver ela olhando um pouco seria para Kalleb que se encontra atrás de mim.

Se me lembro bem, eles tem aquele negócio de telepatia de gêmeos por causa dos místicos, então, Karen provavelmente insinuou para que ele me dissesse o que tinha pra dizer.

Não dei muita bola para eles naquele momento e continuei subindo as escadas.

Eu não costumava olhar muitas vezes para o fim quando subia, mas dessa vez olhei, e vi os quartos girando como um carrossel, logo parando com o quarto de Pedro logo em frente ao fim da escada.

Sei que parece muita loucura para um dia só. Mas deixa eu te falar uma coisa, isso é normal por aqui, afinal, esse prédio e tudo que o envolve, são mágicos. Não espero que você entenda logo de primeira, então só use a imaginação mesmo.

De toda forma, a porta do quarto do Pedro estava aberta, enquanto ele juntava brinquedos sobre a cama, eram de seu irmão mais novo que as vezes vinha brincar e esquecia.

- Pedro? - bati na parte fechada da porta de arrastar - posso usar um pouco do seu tempo?

Sei que essa frase é desnecessária, mas me senti uma intrusa ao ver ele se abaixando pra pegar alguma coisa de baixo da cama enquanto fazia careta, mostrando a língua.

- Achei! - disse ele, se levantando vitorioso.

Ele me mostrou um controle remoto, provavelmente fazia par com algum carrinho que estava na cama.

Depois de deixar o objeto junto com os outros, ele finalmente prestou atenção em mim.

- Você tá igualzinha ao Kalleb depois de uma visão - foi a única coisa que disse.

Aquilo saiu de sua boca sem intenção alguma de ter efeito. Mas, o interessante, é que fazia sentido!

- É eu sei - respondi com um pequeno sorriso no rosto.

- Vem, senta aqui, vamos ver exatamente o que é pra você - ele apontou um espaço vazio na cama.

Visões, pois é, não são como sonhos, são mais fortes, até mais do que pesadelos.

No caso do Kalleb, são de tempos: passado, presente e futuro. Sim, isso mesmo. Claro que cada visão remetia a um tempo diferente, mas ainda assim, quando eram fortes, seus olhos sangravam pelo esforço.

Isso, é um poder de Kall (sim, o apelido que dei ao Kalleb é o nome do místico dele), uma cortesia, os humanos as vezes podem usar os poderes de seus místicos.

Bem, quando me sentei, diferente de uma pessoa normal (coisa que não sou nem de longe), que empurraria os brinquedos para longe, eu comecei a mexer em alguns,  curiosa, as vezes até brincava, sem me importar nem um pouco de já ter 17 anos.

- Olha aqui - disse Pedro chegando de repente.

Quando olhei, fui atingida por um feixe de luz. E mais uma vez, fui estranha o suficiente para encarar aquele negócio com empolgação, conseguia sentir um sorriso maluco se formando em meu lábios.

- Eles estão pretos - Pedro desligou a lanterninha, me fazendo voltar a realidade.

Desgraçado... Xinguei mentalmente, querendo aquela luz de volta.

Mas, decidi focar no que deveria. O cor dos meus olhos, estavam na cor dos olhos de Mandy, o que indicava que aquela visão tinha haver com algum poder dela.

- Qual é o principal poder da Mandy mesmo? - perguntou Pedro como se lesse meus pensamentos.

- Não me lembro o nome exato, mas tem haver com universos.

Mandy era a que tinha mais poderes, isso porque podia copiar o de outras pessoas! Mas mesmo assim, era muita coisa estranha, não dá pra negar.

- Verdade, ela também viaja pra outros universos não é? - perguntou Pedro de repente.

- Não me pergunte! Ela faz tanta coisa! - não, eu não fui grossa, eu acho...

Isso deixou Pedro totalmente perdido em seu argumento. 

- E também vê... - de repente uma voz famíliar recostou na parte da porta.

Olhamos para Kalleb, um pouco confusos pela fala, já que as aparições misteriosas eram normais.

- Como assim "e também vê"? - perguntei sendo um pouco arrogante de mais.

- Cortesia do Kall - ele dá de ombros.

Kalleb tinha um tom sério algumas vezes, principalmente perto do Pedro, como se quisesse mostrar que pode algo, mas todo mundo o conhecia bem o suficiente.

- Então, a Mandy copiou o poder da visão do Kall? - Pedro questionou pensativo.

- É o que? - praticamente gritei frustada.

Era comum Kall e Kalleb terem esse tipo de visão, mas quando se fala de ver outros universos?! Isso é outra coisa!

Sei que Kalleb sabia que eu iria surtar com a notícia, então esperou para contar quando eu estava mais calma, quando se trata do que havia acontecido momentos atrás, mas mesmo assim, acabei me exaustando.

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