quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 3 {UD-Estúdio}

Em tentativa de me acalmar e conseguir explicar tudo sem que eu surte com alguma informação que saia da sua boca. Kalleb me trouxe para o restaurante dos Xandrez, pais dos Alex.

Mesmo o restaurante se tornando um grande restaurante, os tios Xandrez sempre dão descontos realmente bons para os amigos do filho.

Kalleb pediu um milk-shake pra mim e um donuts pra ele, que nem se quer tocou no doce.

- Dá pra falar logo!? - dou um gole do milk-shake enquanto o olhava sério.

Kalleb me retribuía o mesmo olhar. Estava de braços cruzados, encostado completamente no estofado do restaurante. 

Odiava aquele olhar, pois era uma bronca silenciosa. Afinal, ele não conseguiu me acalmar, ele sabe que não consegue me comprar com comida, mas mesmo assim tenta.

- Kalleb! - falei o nome dele lentamente, do jeito que que ele mais odiava - fala logo cacete! - com isso o chutei por de baixo da mesa.

Infelizmente, sou ruim de mira a esse ponto e ao invés de acertar o que ele tem entre as pernas, acertei sua perna, mas já me contento com o fato de lhe ter causado dor o suficiente.

- Maluca! - xingou ele, erguendo a perna.

Ele fez uma careta e mudou completamente a posição, sentando em posição de índio.

Kalleb pegou o donuts e começou a comer, ficando completamente quieto.

Enquanto ele era rápido para aquilo que gostava, eu era uma lesma pra comer. Então, quando ele acabou, eu ainda estava na metade do meu milk-shake.

- Bem... - ele começou, mas logo virou a cabeça para a cozinha.

- Não acredito! - xinguei, pensando que havia sido internamente.

O Tio Sandro havai acabado de sair da cozinha com uma nova fornada de donuts, o que deixou Kalleb completamente de boca aberta.

Olhei seria para o Sandro que apenas sorriu de volta. Ele já nos conhecia muito bem, e não se abalava, tenho que admitir é uma pessoa boa.

Pude ver quando seu marido Alexander se aproximou e o Sandro falou algo pra ele, que logo pegou um pratinho e colocou alguns donuts.

Não! Não podia acreditar que ele iriam mesmo fazer isso! Como pode alguém realmente cair na cara de bocó que o Kalleb vive fazendo?

Que saber, deixa isso pra lá... Eu mesma caio, e sei que aquela cara não é intencional.

- Acho que hoje é seu dia de sober Kalleb, Sandrinho criou uma nova receita de donuts, e quê que você provê - disse Alexander, colocando o prato de frente pra Kalleb.

Não precisava de mais nada. Ele se retirou e Kalleb olhou pro doce como se fosse a única coisa que existisse alí!

Ainda com um pouco de raiva, quando eu ele pegou o doce pra comer, tentei chutar sua perna novamente, mas havia me esquecido que ele havia mudado de posição.

- Aí! Merda! - soltei sem querer fazendo com que ele me olhasse - o que foi? Vai ficar me encarando o dia todo ou falar logo?!

Ele terminou o doce e me analisou de cima a baixo, havia voltado a ficar sério.

- Você ficou com ciúmes de um donuts? - perguntou ele de repente, com aquele jeito inocente.

- Kalleb! - o adverti, fazendo ele voltar ao assunto principal.

Ele deu um risadinha. Eu nunca fui de demonstrar ciúmes algum, mas ainda tinha meus momentos que só ele reconhecia.

- Bem, você teve uma visão de outro universo - eu abri a boca pra responder o óbvio, mas ele me interrompeu, com um dedo erguido - coisa que você já sabe.

- Mas? -  bebi um pouco mais do milk-shake.

- Essa visão, do mesmo jeito que são as minhas, devem ser de algo importante, que pode nos afetar mesmo não sendo com a gente - ele começou a explicar - e não tô falando de ver exatamente, mas sim de... - ele pensou direito nessa última fala - "se repetir" - essa era uma frase minha.

Interrompi os gales lentos que dava no milk-shake e o olhei surpresa. Não estava nem surpresa por ele explicar algo com tanta clareza.

- Você quer dizer que, o que está acontecendo com uma versão minha de outro universo, vai acontecer comigo? - perguntei abismada.

- Ou visse e versa - e deu ombros - mas o que eu quero dizer é: se ela sofre, você sofre. Se você luta, ela luta.

É, e o Kalleb das metáforas voltou. Sempre odiei quando ele faz isso, me deixa puta. Nunca entendo nada.

- Dá pra falar na minha língua, por favor? - perdi, deixando claro que aquilo iria piorar meu humor.

- Imagina um espelho. Se você quebrar ele, vai criar inúmeros universos com derivados acontecimentos. A questão é: qual você vai deixar fazer parte da sua vida?

Obrigada por ser mais específico Kalleb... Ajudou muito... Muito mesmo... Usou o meu jeito contra mim... Desgraçado...

Não respondi nada, apenas fiquei no milk-shake enquanto pensava sobre aquilo.

Kalleb e Kalleb não podem interferir na linha do tempo, a única que podem é a do presente, e ainda com muita cautela.

Quando terminei o milk-shake, percebi que ele estava desenhando com o dedo sobre a mesa.

- Eu posso ajudar? - isso o fez me olhar confuso.

- Ajudar? - ele repetiu a palavra, o que me lembrou dos nossos primeiros anos como amigos.

- Digo, ir até lá e ajudar ela?

Ele me olhou como se eu fosse uma maluca. Mas tudo bem, eu sou mesmo e ele sabe disso.

- Quer mesmo correr o risco de se encontrar com uma outra versão sua? Em um universo completamente desconhecido? - é, nessa ele me pegou.

Tá, vamos ver os fatos aqui: Mandy veio de outro universo. Mas esse é meu de origem. Eu e Mandy temos personalidades completamente diferentes. Mandy faz parte de mim...

- Sim! - interrompi meus pensamentos sem me dar conta.

De um segundo para outro, o olhar de surpreso de Kalleb, virou um sorriso de canto.

- É, você realmente é louca - seu sorriso aumentou.

Ver aquele sorriso em seu rosto, me encheu de alegria. Ele deixava eu arriscar, lutar minhas lutas e me tornar forte. Uma das coisas que mais amo nele.

De repente, me vi com aquele sorriso de alguém que ia aprontar e não resistir em pedir pra ele comprar cookies pra compartilhar.

Saímos do restaurante comendo os biscoito como duas crianças, rumo ao estúdio, mas sabendo muito bem que teria alguma coisa no caminho que nos faria desviar do caminho.


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