terça-feira, 16 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 6 {UD-Estúdio}

- Tenho que ter certeza se é ela e perguntar o que tá acontecendo! - disse de repente.

Estava determinada, Kalleb já nem se surpreendia mais com essas minhas mudanças de personalidades repentinas.

- E como pretende fazer isso? - perguntou ele, comendo mais um donuts.

Não era atoa que ele não teve nem uma reação, ele sabia que eu não tinha um plano, me conhecia a esse nível.

- Eu ainda não sei! - disse, ainda com determinação evidente.

Ele me olhou nos olhos e inclinou levemente a casa, aquilo queria dizer: "você sabe que isso não vai funcionar", odiava quando ele tinha razão, e nunca admitia até ter a derrota.

Ainda sem desistir, desviei o olhar do dele e cruzei os braços, recostada na cadeira.

E foi aí, que percebi aquela garota novamente, comecei a analisar ela: era simples, dava pra perceber, mesmo se não usasse uniforme. No tédio, comecei a imaginar ela de estilos misturados, visualizando o que combinava ou não.

Quando me dei conta de que estava ficando com um sorriso de canto (um que claramente significava coisas além de bom gosto), foi quando ela percebeu que eu estava olhando pra ela. Tomei um susto quando ela se virou e me encarou.

Ficamos um pequeno tempo nos encarando, mas foi o suficiente para que eu visse que seu rosto escondia seus verdadeiros sentimentos.

Sabe o que dá quando você namora alguém que se expressa pelo olhar? Bem, vou te dizer: você aprende a decifrar os sentimentos que a alma está sentindo, isso através dos olhos.

- Alguma coisa lhe feriu muito mentalmente - voltei o rosto para Kalleb, mas sem olhar realmente pra ele, colocando a cabeça sobre meus braços que deixei em cima da mesa - ela tá tentando disfarçar... Ou se curar sozinha...

Tentando apagar essa memória da mente... Pensa que sorrir é uma forma de lutar e vencer... Infelizmente, não foi assim que aprendi... E, felizmente, meu método ajudou mais...

Havia pensado em um plano, talvez idiota, mas ainda funcional, então ergue a cabeça determinada.

Mas, foi aí que vi Kalleb me encarando de braços cruzados. Ele estava sério, eu conhecia muito bem aquele olhar. Era ciúmes. 

- É sério? - perguntei incrédula.

- Eu que pergunto. É sério? - sua voz saiu seria.

Não resisti em vê-lo daquele jeito e comecei a rir. 

Mesmo me conhecendo bem, e sabendo que sinto atração por mulheres, Kalleb ainda sente ciúmes, e olha que eu nunca fiz nada, apenas quando é de propósito pra irritar ele, e ele sabe quando é, e no fim ainda fica irritado.

- Nem sei por que ainda tento dar bronca em você - ele suspira negando com a cabeça.

Ainda rindo, me levanto, passo a mão por sua franja, a erguendo um pouco.

Talvez nunca vamos parecer um casal aos olhos dos de fora, mas, o importante é que nós sabemos que somos, e aqueles que precisam saber.

- Tá esperando o que? Vem logo! - gritei pra ele.

Sabia que ele não tinha me acompanhado e que estava longe. 

Não demorou muito para que eu visse sua sombra atrás de mim; Kalleb tem passos leves e eu fico presa nas coisas ao redor rápido de mais, então não noto sua presença e nem a de outras pessoas.

Andamos um pouco pelo mercado, eu queria reencontrar aquela garota de novo e lhe perguntar o que estava lhe deixando daquele jeito.




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