- Eu posso falar de tudo - disse uma voz feminina - Eu não consigo mais falar... - ela se contradisse.
Com o tempo entre as falar e a mudança de imagem, dava para ver que se tratava de tempos diferentes.
Mandy continuou e todos assistiam, mesmo que nem tudo dê para compreender, todos prestavam atenção:
- Promete sempre ter um dia diferente? - a voz feminina voltou - e a promessa de um dia diferente? - e mudou.
Conforme ouvia, fui reconhecendo a voz.
Olhei para a minha outra versão e percebi que estava quase chorando.
Era ela... Era dela... São as memórias dela... As visões que eu tive, só que no ponto de vista de Mandy...
E foram continuando e continuando:
- Eu vou te engordar - dessa vez foi uma voz masculina.
- Prometeu, mas nunca fez nada pra cumprir - era a voz que identifiquei como a de Amanda, mas tinha um tom diferente, como se fosse um pensamento.
Algumas vezes, as frases de Amanda surgiam como eco, repetindo várias vezes, em um tom baixo, como se fossem usadas para torturar propositalmente.
- Você não confia em mim desde aquele dia! Você nunca mais confiou! - era Amanda, mas tinha um jeito diferente, a voz parecia baixa por fora, mas era como se por dentro, fosse um grito.
De repente, eu me senti sufocada quando a voz masculina voltou a falar; suas frases eram como facas perfurando o meu coração.
- Eu falava... Falava... Mas parecia que não importava... - dessa vez, o tom de voz de Amanda era claramente de choro - não importava mais se eu estava bem ou não...
Foi aí que vi uma lágrima escorrer dos meus olhos. Não tinha mais certeza se era eu ou a minha versão que estava um pouco longe que chorava.
De repente, senti a mão que segurava a minha se afastar. Olhei para Kalleb, que assistia tudo aquilo sério, tive certeza naquele momento, que ele não iria mais fugir.
Olhei para a Amanda, e hesitei.
Continuei ouvindo as frases sair das visões de Mandy, enquanto encarava minha outra versão.
- Você agiu sim como uma namorada... Várias vezes - a voz masculina voltou.
- Então por que eu sempre era a errada? - ouvi e percebi que era um pensamento.
Essa frase, fez a outra Amanda derramar algumas lágrimas que não conseguia conter dentro de si.
- Eu deixei de ser quem eu sou... - esse não era um pensamento, mas já era outro momento - tudo para agrado-lo!
Olhei para Mandy, vi que seus olhos estava com suas três cores girando, como um yin yang que envolve o vermelho.
Suas emoções... Suas personalidades... Estavam brigando entre si, provavelmente uma estava com raiva, a outra triste...
- Eu quero ficar mais tempo com você - era voz masculina.
- Então por que está se afastando? - reconheci a voz da Amanda.
Essa era uma parte da conversa, mas ainda faltava muito...
- Não foi você quem disse para aproveitar o tempo que temos? - a voz masculina.
- Mas não atrasando! - ela gritou.
Mais um trecho de uma conversa. Só tinha incompletas pelo visto...
Mas, foi aí que notei que havia uma pessoa nova na roda que se formou. Não sabia quem era, mas se estava lá, provavelmente era alguém importante.
Olhei de volta para a minha versão, e vi que estava no limite do que poderia aguentar.
Depois de tanto hesitar, corri até ela e a abracei...
- Você realmente me conhece? - a voz da Amanda na visão era chorosa.
- Claro que conheço - respondeu a voz masculina.
- Conhece, mas não sabe como eu sou!
- Eu sei sim! Se a gente fosse você iria querer sair de lá!
- Então por quê eu quero ir?! - foi um grito vindo dela.
Senti que a pessoa que eu abraçava, já não aguentava mais nada daquilo e começou a chorar silenciosamente em meus braços.
- Mandy, já chega - falei baixo, olhando para a loba de fogo.
Mas Mandy não me ouviu e continuou passando aquela visão.
- Eu me perdi... - a voz de Amanda ecoou pelo ambiente...
- Mandy, chegar! - gritei, interrompendo a visão.
Não me dei conta quando uma das minhas mãos se retirou do abraço e mirou Mandy. A visão se desfez com aquela ação, era como se eu tivesse usado seu poder, mas não o senti.
Mandy, que ainda se encontrava voando, pousou e diminuiu suas asas. De repente, ela me encarou, um de seus olhos derramava lágrimas.
Seus olhos estavam vermelhos, mas vez ou outra piscavam com o brilho das outras cores, um em branco e outro em preto, mas sua expressão era de alguém seria.
Enquanto eu? Eu não estava irritada com ela, talvez estivesse triste com o que vi... Talvez... Eu não tinha mais certeza de minha emoções naquele momento.
Não conseguia reagir diante do que vi; não conseguia imaginar que uma garota como ela havia sofrido a esse nível... Nas mãos de uma pessoa abusiva...
Tenho certeza que, se eu não tivesse mandado Mandy parar, ainda veríamos mais coisas. Mas aquilo tudo já era de mais...
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