Apenas espero que ele não esteja lendo essa parte.
Já sei que ele lê esse caderno. É o único que lê, já que praticamente mora na minha mente.
Mas ele é legal, mesmo tendo seus piques de personalidade vez ou outra.
A sala estava funcionando novamente, depois que consegui limpar.
Acredite, no mesmo dia que tentei, não consegui. O fogo que Den usou era mágico... Que ódio.
Mas daí, a faxineira, que tinha uma mística da água, conseguiu limpar. Nesse dia ela me deu vários conselhos bons...
Nunca mais a vi.
E é nessas horas que tenho certeza de que fui eu que a criei... Ou o contrário...
Eu já havia tentado limpar com o elemento da água antes. Também não deu certo.
Me lembro de entrar na sala e encontrá-la limpando, e conseguindo!
— Como você tá conseguindo fazer isso? — lhe perguntei confuso.
— É só reconhecer o que precisa fazer e o que foi feito — não entendi a metáfora na hora.
Sou bom com metáforas. Meu avô usa comigo o tempo todo e acabei adquirindo esse hábito e uso com minhas primas, que não gostam muito por não entenderem nada.
— Foi fogo ... Eu queimei — levando em consideração que eu e Den somos as mesmas pessoas, posso dizer que fui eu.
— Então você sabe que o fogo não vai limpar — disse passando a esponja na parede — o que deve limpar, é o oposto do que sujou.
— Eu já tentei usar a água!
— E por quê eu consego? — ela usou um pouco do elemento na parede — Vamos! Tente!
Misturei os elementos luz e escuridão e logo surgiu água, joguei na parede sem entender muito o que estava fazendo, mas logo vi as marcas de queimado escorrendo pela parede.
— Como isso é possível? — perguntei.
— Você está calmo como a água — mais uma metáfora.
Essa eu entendi. No dia que tentei limpar estava nervoso para conseguir e me sentindo culpado pelo o que fiz, esfregava com força mais não saia a marca.
— E talvez um pouco confuso — ela sorriu e continuou a limpar.
Aquilo me fez rir. Talvez tenha sido uma das poucas vezes que ri.
— Posso te ajudar? — me ofereci, estendendo a mão para pegar o esfregão.
— Quer me ajudar? — a pergunta não teve nem um sentimento.
Sem responder, peguei o esfregão e comecei a esfregar a parede queimada.
Quando me dei conta, havíamos limpado a sala toda.
Hoje, olhando aquele sala, pude ver os alunos assistindo a aula e me lembrei do menino tímido que era na idade deles.
Sorri e comecei a andar sem rumo, até que me deparei com meu avô. Ele provavelmente estava com pressa, pois olhava discretamente por todos os lados, talvez procurando por algum aluno.
— Vô... — chamei baixo...
Ele sempre teve uma ótima audição para coisas baixas, mesmo sendo sensível a sons fora do normal.
— Kaiden... — ele me olhou, mas sua visão estava bem longe de mim.
— O senhor sabe a onde está a faxineira Luiza? — me lembrei perfeitamente do nome.
— Nunca tivemos uma faxineira com esse nome... — ele murmurou, e continuou a andar.
Não quis segui-lo, serviria mais como uma distração do que ajuda... Ainda mais quando ele havia desviado de uma parede a milímetros de distância.
Me lembro bem da faxineira. Era jovem, talvez jovem de mais para aquela profissão, mas ainda assim, foi quem me ajudou...
Fui então ao encontro de outra pessoa que poderia se lembrar. Meu pai
— Pai — para a minha sorte, ele havia acabado de terminar uma aula — o senhor se lembra da pessoa que me ajudou a limpar minha antiga sala de aula?
— Você limpou sozinho Kaiden.
Alguma coisa me dizia que eu tinha dedo naquilo. Mas, o que aquilo significava?
Tentei pensar nos possível motivos de ninguém se lembrar, mas nada era certo:
Meu avô, mesmo com o poder da visão vendo as três linhas do tempo, ele sempre se recordava de tudo, e diferente de mim, não confundia nada.
Meu pai, é esperto e é por isso que nunca se engana. Sei que posso contar com ele para qualquer coisa. Inclusive aquele dia, foi ele que me acolheu, interrompeu a aula que estava dando para acolher o filho em uma crise.
Então. O que aconteceu com a faxineira Luiza? Agora não consigo ter certeza, mas minha mente diz que ela existiu.
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