Talvez eu devesse começar a colocar títulos no que escrevo, assim como a minha avó me recomendou.
Infelizmente, não pude pegar muito tempo pra conversar com ela... Ela iria escrever, e odiava ser interrompida. Não estou muito afim de morrer tão jovem.
A mística da minha avó foi a primeira híbrida de todos, e o meu místico, é o primeiro tribido, o que se torna normal a interação entre ele, principalmente que são avó e neto.
Mas esse não é o foco, infelizmente. Mas sim o que se tornou o tal título.
Den estava mais quieto que o normal, até que uma noite, me dei conta que ele estava tendo um pensadelo.
Do mesmo jeito que os misticos vivem em nosso subconsciente, podemos viver também...
Foi aí que me deparei com um lobo de fogo. Pensei que era o místico do meu avô, talvez vendo a nossa linha do tempo ou coisa assim.
No fim, não pude ter certeza, minha mente estava muito escura pelo sono.
No dia seguinte, meu pai me perguntou por que eu não dormi. O estranho, é que me lembro de ter pegado no sono.
— Você ficou a noite inteira escrevendo! Eu até te chamei e você não respondeu! — acho que foi a primeira vez que ele me deu uma bronca...
Disse pra ele que não me lembrava de nada daquilo, foi então que ele apontou para um papel da minha escrivaninha.
— Então por quê o papel ainda está aí? Eu não estou louco Kaiden! — e saiu do meu quarto.
Estava com medo, de verdade. Mesmo que a voz que ele usou não mostrasse raiva, me deixou com medo pelo simples fato de ser diferente do pai que conheço.
Peguei então aquele papel, admito, estava com medo do seu conteúdo e ainda mais caso meu pai tenha lido.
"A maldade atinge até aquele que só quer proteger aqueles que ama.
Ela queima como o fogo do inferno e o equilíbrio perde o controle.
O sangue pode queimar mais forte que o rei, que morre pela mão de quem ama.
Três é de mais quando se coloca na mesa e só um sobrevive, sem nada para perder.
O vazio nunca é preenchido."
Não gostei daquelas palavras, o pior é não compreende-las completamente.
Pensei em perguntar pro meu pai, mas no almoço, vi seus olhos brilharem em branco por um instante, o que me fez recuar na mesma hora.
Pensei em ir para meu avô, já que ele é bom com metáforas e talvez aquilo tivesse haver com meu futuro. O ruim, é meu pai.
Se ele estava daquele jeito é por que suspeita de algo e as primeiras pessoas que iria perguntar qualquer coisa, seria aos pais. Não tenho culpa que admiro meus avós!
A única pessoa que me restava era meu tio. Que infelizmente ou não, estava ocupado e mesmo assim disposto.
— Sabe que não sou bom com metáforas né? — perguntou ele, enquanto concertava uma câmera.
As vezes via suas caretas ao tentar concertar, ele provavelmente sente falta do seu bjeti...
— Eu sei, mas sua visão pode ser mais ampla do que o senhor pensa — ele ergueu uma sobrancelha.
Não era totalmente mentira. E mesmo que não entenda de metáforas, meu tio não é burro.
— Verei o que eu posso fazer — esticou a mão e pegou o papel.
No mesmo instante que ativou seu poder, virou para outro lugar.
— Nella! Para de paquerar a menina! — chamou ele.
Minha prima era bem mais nova do que eu, mas já sabia muito bem suas preferências: e não era homem!
Depois, ele focou nas frases, como se buscasse a linha temporal que cada uma pertence.
— Sabe que não posso te revelar o futuro, não é? — concordei com a cabeça.
Logo ele começou a me explicar um pouco do que via sobre cada frase: a primeira, ele disse que envolve a família e alguém que vai para o caminho errado. A segunda falou que o Yin Yang ficaria fora de equilíbrio. A terceira, disse que alguém da nossa família, mataria um outro membro. A quarta, ele disse, que duas coisas importantes deixariam tudo para um. E a última e a mais simples, não podemos concertar o que fizemos.
Não sei se as respostas era as quais eu preciso... Poderiam significar muitas coisas tudo aquilo...
Ele me devolveu a folha e me olhou com um sorriso forçado. Ele sabe de alguma coisa e só não pode me contar para não prejudicar o futuro.
— Não conta pro meu pai... — pedi e fui embora.
Nem mesmo me despedi de Nella, que adoro tanto.
Segui pra casa e comecei a matutar minha cabeça sobre o que tudo aquilo significava, cheguei a poucas conclusões:
Como isso tudo aconteceu comigo, eu devo ter um papel importante...
Tentei escrever, poderia me ajudar a ligar os pontos, mas só surgiram mais dúvidas.
Foi quando decidi rabiscar algo inusitado:
Se aquele mistico tiver alguma coisa haver, quero que ele se manifeste e me fale o que está acontecendo.
Minha mãe sempre diz que palavras tem poder, ela disse que aprendeu isso com a minha avó e que vive me dizendo "pra eu aprender a não brincar com o destino dos outros".
Curioso é que ela sabe meu nível de responsabilidade... Mas também sabe que ainda não sei controlar esse poder. Então, não tenho maturidade pra dizer nada.
Infelizmente, a frase realmente se aplica para mim.
Naquela mesma noite, o cara me acordou no meu próprio subconsciente!
O lado ruim, é que não era o místico do meu avô...
— Olá jovem — ela era formal de mais.
Tentei me mexer, não consegui. Acho que era paralisia do sono...
— Cadê o Den? — perguntei do meu místico.
— Esse aqui? — de repente algo se iluminou e revelou Den.
— Kaiden! Acorda! — Den gritou.
Realmente acordei assustado... O ruim é que não sabia dizer se aquilo foi real ou não.
Sem sono algum, me sentei na escrivaninha e comecei a desenhar. Desenhei a imagem de Den e cada detalhe que me lembro:
O fogo havia sumido inclusive as partes de lobo. Só existia a luz e a escuridão, os chifres de demônioz uma asa de fênix e uma de demônio...
Alguma coisa me dizia que aquilo era mais sério do que eu imaginava e tive que apelar para meu pai.
Felizmente, o sol já estava nascendo, o que signicava que ele estaria lá no telhado.
Mostrei o desenho pra ele e expliquei como era o tal lobo de fogo. Ele me contou da história do primeiro rei dos lobos de fogo, aquele que diviu a alma. Disse que a parte boa havia ido para o místico do meu avô....
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