sexta-feira, 3 de outubro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 7 {UD-ESTÚDIO}

Não sei o que aconteceu, apenas via tudo escuro, como se mais uma vez estivesse no interior de minha mente. 

- O fogo é vida! - ouvi a voz de Kall.

O que aquilo significava? 

Não conseguia vê-lo, apenas ouvi-lo, e logo metáforas, como se fosse o Kalleb que estivesse falando, ou até mesmo a própria árvore atrás dele.

De repente reconheci meu interior e vi Luth andando de um lado para o outro. 

- Fogh! - chamava ela.

Escury não se mexia, estava com os punhos fechados e olhava para o chão.

- Por favor, aparece, estamos preocupadas com você... - foi a última coisa de Luth disse.

- Não devia ter dito aquilo... Não devia ter brigado com ela... - sussurrava Escury.

Isso vez Luth olhar para ela, de um jeito brusco.

- Não diz isso... - mas o que disse não surgiu efeito - Me ouviu? - e andou até Escury - não diz isso! - segurou seus ombros.

Era estranho vê-las como lobas, sem as asas que tanto lhe destacavam...

Luth abraçou Escury, que segurava a vontade de chorar pelo o que aconteceu.

Só não sei o que foi...

- Vai ficar tudo bem... Vamos encontrar ela - concluiu Luth.

Me lembro da discussão entre as três, e agora, as coisas estão fazendo mais sentido... 

As chamas de Fogh estavam altas como as da pequena Many, apenas não haviam chegado a ficar brnacas, mas ofuscava a visão.

Não tinha como aquilo ser possível. Não fazia sentido!

Minha visão se escureceu novamente, como se me envolvesse em um abraço desconhecido.

- Nem tudo precisa ter uma explicação - ouvi a voz de Kall novamente.

Aquelas frases, não eram originais dele, e nem de seu humano... Eram de Arvilis...

Ela sempre fez de tudo para que eu aceitasse quem eu era, dizendo que aquilo tudo era o meu interior, que eu escondia a muito tempo...

De repente, uma flor de cerejeira passou por mim, ciando no chão da escuridão da minha mente.

Fui até a flor, disposta a pega-la e assim me desculpar com a árvore, mas quando cheguei perto, a flor começou a pegar fogo...

- Kall? - olhei ao redor.

Aquilo era o que Kall sempre fazia para que eu me sentisse melhor com alguma coisa. 

A flor voltou a voar, quando sumindo na escuridão.

- Volta aqui! - tentei pegar a flor.

Comecei a correr, tentando alcança-la o mais rápido possível, não poderia perder seu brilho de vista.

Enquanto corria sem rumo atrás da flor, cheguei a pensar que estava indo para sua dona, mas infelizmente, isso não aconteceu.

Quando finalmente parou em algum lugar aleatório, ficando acima da minha cabeça, para que eu ainda não a alcançasse, ela explodiu em chamas de mágia, me forçando a tampar meus olhos para aquele fogo cor de rosa, tão místico e poderoso.

As vezes me esquecia que Arvilis tinha mais poder do que qualquer místico, e que os poderes que tinha... Vieram grande parte dela... E não só os meus.

Quando abri meus olhos, me deparei com o inimaginável: memórias em forma de fantasmas cor de rosa...

Estavam espalhadas por todo o lugar, como estátuas de mim mesma, apenas esperando que apertasse alguns botão e funcionasse como um brinquedo.

Me vi quando criança, estava brava com alguma coisa e não me lembrava mais do que era.

Fui até ela e na decidi encostar, mas minha mão atravessou seu corpo como um vel de fumaça.

- Você é um príncipe incompetente! - gritei e logo depois vi a silhueta de um Kall mais jovem - arrastar uma pessoa qualquer para a floresta proibida!

Me levantei do dia com aquela frase... Foi quando conheci o Kall... E quando tudo começou... Quando ganhei os elementos e as asas...

- Kall... - Sussurrei.

- Você o ama não é? - alguma voz que desconhecia me perguntou.

- Quem está aí? - tentei prestar atenção nos sons ao meu redor, me colocando em posição de ataque.

- E se esse dia nunca tivesse acontecido? - a voz perguntou de novo - Se nunca tivessem se trombado? Se ele nunca tivesse lhe puxando para aquela floresta? - e continuou perguntando.

- Apareça! - gritei, tentando invocar alguma arma, mas sem sucesso algum.

- O seu destino já estava traçado, iria acontecer querendo ou não! - dessa vez foi uma afirmação.

- O que você quer? - perguntei, furiosa.

- Não quero nada de você, mas você provavelmente quer algo de mim.

Não respondi, sabia que não poderia ver quem estava falando, apenas me restava identidade a voz, o que existia muita concentração da minha parte.

- Você me transformou em um monstro! Isso é culpa sua! - uma outra lembrança começou a se mover.

Naquela, já estava como híbrida. 

Me recordo daquele dia, estava culpando Kall pelo o que aconteceu.

Vendo que a voz se calou, passei a visualizar minhas duas versões. Não me lembrava mais de como era antes de ser uma híbrida...

Comecei a analisar aquela pequena loba, que era comum, suas chamas não eram nada em comparação do jovem príncipe, que tinha medo em seus olhos, mas um sorriso em seus lábios.

Minha versão mais jovem tinha os olhos vermelhos, com fracas chamas. Não perdia o controle pela raiva, não se destacava. Era uma simples camponesa de uma reino poderoso.

A única coisa que se manteve foi a personalidade... De repente tudo mudou.

- Está olhando o que? - me assustei com a voz próxima.

Olhei para trás rapidamente em um pulo, e vi Fogh... Pelo menos era o que pensava.

Olhando direito, era a minha versão mais jovem, só que, com a mesma idade que eu...

- Você... - consegui pronunciar.

- Sou o que você se tornaria - respondeu ela, me rodeando - e não o que se tornou.

Ela... Era um vislumbre de uma versão minha de outro universo? Um paralelo em que nada aconteceu?

Mas como? O que aquilo queria dizer?

- O que você é? - já estava disposta a fazer qualquer coisa por respostas.

- Já lhe disse, eu sou você!

- Isso eu já sei, idiota! - minha voz saiu seria - sempre existe paralelos em outros Universos - expliquei, sem saber ao certo aonde queria chegar - quero saber o que lhe deixou assim!

Ela me olhou seria, talvez mais do que eu mesma poderia ser alguma vez.

- Irei lhe mostrar - e ergueu sua mão.

Fogo saiu dela com tanta naturalidade, que me esqueci que era seu único elemento.

De repente, uma visão se materializou na escuridão da minha própria mente, e pude me ver quando pequena, andando de patins pelas ruas do reino.

- Esse é o dia que conheci o Kall! - reconheci no momento que minha versão mais jovem passou pelo castelo.

Não demorou muito para que Kall saísse correndo do próprio castelo e trambasemos um no outro...

Me lembro de ter ficado irritada com ele, mas mesmo assim fui arrastada para a floresta.

E do mesmo jeito que me lembrava, nós dois trombamos um no outro...

- Seu idiota! Olha por onde anda! - não me lembro de ter dito isso... 

Kall ficou tão surpreso, quanto me encontro no momento.

Vi minha versão mais jovem partir deixando aquele príncipe de boca aberta.

Sei que nunca me importei com os status de Kall e que não o tratava "com respeito", mas aquilo era de mais.

- Mesmo com aquilo acontecendo, vocês não se conheceram de verdade - ouvi a voz daquela Mandy ao meu lado.

- Cala a boca... - murmurei.

- Nada aconteceu, você viveu uma vida normal! - isso me irritou profundamente...

Quando me dei conta, já havia dado um forte soco na loba de fogo, que gospio sangue.

- E aquele papo de destino? - perguntei, tentando fingir que não lhe dei um soco.

Ela me olhou irritada e me coloquei em possessão de ataque, disposta a defender o que acredito, através de um combate.

- Você poderia ter evitado esse destino! Se não tivesse conhecido aquele maldito! - lhe dei outro soco.

- Nunca falei assim do meu namorado! - sentia minha raiva ferver.

- Você é uma idiota! Nesse universo e nos outros que conhecem ele! De todas as maneiras - ela se ergueu.

Ela me encarava e de repente, eu gospi sangue, como se os socos que lhe dei, voltassem para mim. 

- Mas do que lhe importa agora não é? Você se tornou um monstro! Até para o monstro que virou! - ela disse com uma voz que ecoou em meu ouvido.

A vi erguendo a mão e de repente, estava sendo erguida no ar; ao vê-la fechar um pouco a mão, passei a me sentir sufocada.

- Vadia... - xinguei, mesmo sabendo que ela era eu.

Tentei me livrar do aperto invisível com minhas mãos, mas não deu certo.

Fechei meus olhos, tentando invocar qualquer poder, afinal, tudo é possível dentro da mente... Mas nada aconteceu...

- Eu... Eu... - tentei falar - Eu não preciso das minhas asas para acabar com você! - consegui.

Não sei que energia sentir, mas isso lhe fez me soltar.

Não me permitiria cair, então me preparei e consegui me manter de pé.

- É mesmo, você sempre odiou aquelas asas...

Com essa simples frase, senti algo escorrer pelas minhas costas e logo veio uma dor agonizante.

- Sua... - acabei caindo de joelhos no chão.

- Não deve fazer muita diferença não ter mais elas, não é mesmo? Deve estar é aliviada! - ela começou a se aproximar.

Nunca havia me sentindo tão inferior quanto naquele momento.

- Você nunca mais renascerá Mandy Sall Lin... - foi a última coisa que disse antes de tudo escurecer.

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