quarta-feira, 1 de outubro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 6 {UD-ESTÚDIO}

Não havia percebido que adormeci debruçada na cama da menina, mas acordei com um brilho forte que invadia o quarto. 

Abri os olhos, quase cega com tudo aquilo; olhei de relance pela janela e percebi que estava de noite, talvez no meio da noite.

- Você acordou! - ouvi a voz da menina.

Depois de ter me acostumado com aquele brilho, vi a menina sentada na cama, olhando para mim animada.

Logo reconheci que aquele brilho todo, vinhas de suas asas, que iluminava o quarto com suas fortes chamas.

- Pode fechar essas asas - pedi, quando como uma ordem.

- Desculpa... É que eu não gosto de fechar - ela respondeu cabisbaixa.

Tentei olhar para ela, mas as chamas lhe rodavam.

Me levantei e andei pelo quarto, até achar o interruptor que acendeu as luzes de teto.

- E diminuir essas chamas? Consegue? - perguntei sem olhar para ela - se não controlar, você pode queimar alguém...

- Não dá pra queimar quem é do próprio elemento - ela respondeu, animada novamente - mas meu pai fez alguma coisa para controlar as minhas chamas, ele disse que é pra impedir que as pessoas fiquem cegas! 

- Imagino... - voltei a me sentar ao seu lado.

Ela se balançava na cama, inquieta. Mas ainda assim, consegui analisar um pouco de como ela é:

Sua altura era normal para a idade. Seus cabelos era grandes e vermelho, misturados de laranja, tinham chamas (coisa normal para o elemento) um pouco mais fracas que suas asas, que infelizmente eram tão fortes que eram brancas. As fênix místicas, não tinham caldas, pois eram representas em seus longos cabelos. Que até homens tinham pelo visto.

- Sabe por que elas são assim? - perguntei, curiosa sobre a pequena.

- É uma doença! - ela ficou de pé na cama e as virou de costas para mim.

Pude ver que seu cabelo passava naturalmente pelas asas.

Como não havia notado esses detalhes antes?

- Elas só afetam as asas da realeza - e voltou a se sentar de frente pra mim.

Ergui uma sobrancelha, isso até me lembrava da doença de Kalleb...

- E não afetou seu pai? - perguntei.

- É que meu pai não é da realeza de sangue! Minha mãe que era - seu olhar intrestesseu ao mencionar a mãe.

Estava prestes a abrir a boca para perguntar da mãe, quando ela notou e foi mais rápida:

- Minha mãe morreu por causa da doença... É conhecida como doença da Estrela...

Anã branca...

Me lembrei da estrela no mesmo segundo. A última fase das estrelas antes de morrer...

Aquilo só poderia significar que o estágio da garota já estava bem avançado...

- Ela age diferente em cada hospedeiro - completou ao me ver de boca aberta. - Isso que dizer que logo vou morrer - e sorriu. 

Ela se deitou na cama e olhou para cima,  talvez imaginando as estrelas no seu, as mesmas que nomeam o nome de sua doença. 

- Mas, o bom de ser fênix é isso... Você vai renascer algum dia... - sussurrou ela de repente.

- Mas... - minha mente começou a surgir várias perguntas, e nem uma saiu.

- Mas eu nunca encontrei minha mãe... Talvez ela tenha renascido em outra espécie - sorriu, imaginando algo.

Não sabia como reagir com aquilo. Não tinha ideia de que palavra usar. Nada!

De repente ela se virou pra mim, com um pequeno sorriso sincero em seu rosto.

- Sabe Mandy, quando eu morrer, adoraria renascer como você - o sorriso aumentou.

- Mas você nem me conhece - foi a única coisa que saiu.

- Mas já sei que é incrível! Você é única! - se sentou em um pulo - e também é legal! A primeira pessoa que conheço que não é uma fênix! - riu.

Não conseguia imaginar que uma menina tão jovem quanto ela, morreria logo por causa de uma doença.

- A! Me faz um favor? - ela pediu de repente - não conta pra ninguém! Só meu pai sabe da doença!

Então, por que está me contando? Quis perguntar, mas não consegui.

- Agora vêm! Vou te mostrar meu quarto!

Ela pulou da cama animada.

Como conseguia ser tão animada assim? Estava prestes a morrer... 

Vários pensamentos me invadiram enquanto lhe acompanhava pelo enorme quarto.

E se eu cortasse as asas fora? Me lembrei do guarda ao pensar isso... 

- Many, por que aquele guarda não voava junto com você? 

- Ele tem uma asa quebrada - completou ela, sem se importar muito com minha pergunta.

- As fênix podem viver sem as asas? - perguntei de repente... 

Ela me olhou assustada. Quando me dei conta, já estava me abraçando e lágrimas discretas escorriam pelos meus olhos.

Sentia falta das asas que antes odiava tanto.

- Algumas conseguem... Mas são muito fortes... - suspirou ela - mas, mesmo se cortassem minhas asas, a doença continuaria em mim... - confessou ela.

Depois de seu sorriso diminuir e retornar em um instante, ela pulou animadamente.

- Mas eu não deixaria que tirassem minhas asas! Eu iria sentir muita falta de voar! - e vôo por um tempo curto e logo voltou ao chão - você não sentiria falta? Se tivesse asas também?

Aquilo me serviu como uma faca em meu peito... 

Tentei responder, mas já sentia que estava chorando. 

Dei alguns passos para trás, tentando sair daquele quarto, mas acabei caindo no chão e não reagi mais...

- Mandy?! Mandy! Você tá bem?

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