Eram frases que se passavam na minha mente antes de abrir completamente os olhos... Que me fez voltar para a triste realidade que deixei...
Infelizmente, havia alguma coisa de errado. Eu ainda sentia algo escorrer pelas minhas costas... E ao me recordar, a dor veio junto.
Não resistir em gritar, não me importava quem estava por perto, apenas queria me livrar daquela maldita dor... Daquela maldita tristeza.
Enquanto gritava, passei a chorar, não aguentava mais aquilo tudo, queria voltar ao normal... Mas qual era meu normal.
Enquanto chorava, fechei meu olhos e me imaginei enrolada por minhas asas, como se estivesse em um casulo...
Adormeci novamente. Tive um sonho diferente: se tratava de um anjo, como se aquelas asas brancas que tinha fosse de anjo, mas não são...
Quando acordei, dessa vez mais calma, me deparei com uma pequena Many deitada na ponta de sua própria cama.
- O que aconteceu? - Sussurrei, mais pra mim mesma do que para ela.
Pensava que a pequena estava dormindo, pois seus olhos estavam fechados, mas quando me sentei ela levantou a cabeça e me olhou com um grande sorriso no rosto.
- Você acordou! - disse ela me dando um abraço apertado.
Tentei entender tudo aquilo durante o abraço, mas ela não demorou para me soltar e me olhar preocupada.
- Você está melhor?
- Acho que sim... - foi o que consegui responder.
- Que bom, por que você estava sangrando... - ela apontou para minha camiseta.
Notei a nova peça de roupa que usava, até que senti a sensação de estar enfaixada.
Me levantei de pressa da cama e andei cambaleante para o espelho mais próximo.
Como ela também era uma mulher, não me importei em tirar a camisa que vestia e analisar as faixas, que tinham marcas de sangue em minhas costas.
- Você não disse que também tinha asas... - observou ela.
Olhei para ele totalmente chocada.
Claro que aquilo não era totalmente um segredo, o meu medo era o que iriam fazer comigo se descobrissem que sou híbrida além de elementos...
- O que aconteceu com elas? Você cortou? Por que? - ela começou a fazer várias perguntas.
De repente, não ouvi mais nada. Já estava de joelhos no chão novamente, em choque com tudo aquilo.
- Ei! Não chora! Desculpa! - ela correu até mim - não foi minha intenção te deixar mal! - e me abraçou novamente - se você sente tanta falta das suas asas... Se eu não tivesse essa doença... Te daria as minhas... - sua voz saiu em choro.
Por um tempo, não consegui responder, apenas lhe abraçar de volta.
- Não precisa pequena. Você precisa mais das suas asas do que eu... - tentei acalma-la.
- Então... Então... - começou, quase não conseguindo completar pelo choro - Quando eu morrer... Quero que minhas asas fique com você!
O choque retornou. Não consigo entender o que ela está tentando me dizer, não conseguia perguntar.
Por que ela está fazendo isso? Nem nos conhecemos!
O abraço durou mais um pouco e depois nos afastamos e nos levantamos.
- Vem, vou contar pro meu pai que você acordou! - e me puxou para fora do quarto.
Logo chegamos na sala do trono, o rei se encontrava pensativo com alguma coisa, talvez sobre a nova descoberta "de minha segunda espécie".
- Papai! A Mandy acordou! - ela pulou até o pai.
- Que bom minha filha - ele deu um pequeno sorriso, que não simbolizava nada - Many, o papai pode conversar com sua amiga a sós um pouquinho?
A pequena se intrestesseu de primeiro momento, mas logo concordou com a cabeça e saiu do cômodo.
- Olha, me desculpa por não cortar nada, não pensei que fosse relevante, já que não as tenho mais - comecei, pensando que o assunto seria sobre minhas asas.
O rei passou a voar, ficando na minha frente, como se o fato de está no alto mostrasse algum tipo de poder.
- Ela te contou não é? - ele perguntou de repente.
Ele está falando da doença da filha?
- Olha, a Many tem um bom coração! Ela reconhece as pessoas que também tem, mesmo que essa pessoas não pareçam ser boas tanto quanto ela... - ele continuou, me deixando perdida naquele assunto - você sentiu a conexão?
- A conexão?
Do que será que ele está falando? Será que é daquela energia que senti antes? Ou, talvez tenha algo haver com o fato de que eu estou em outro universo? Talvez tenha haver com o fato de que somos fênix...
- É o poder dela, ela se conecta com as pessoas que gosta, como se fosse uma com aquela pessoa - respondeu, mantendo minha dúvida - cuide bem dela - e voltou ao trono.
No mesmo instante o guarda chegou apressado. Não consegui entender nada do que estava acontecendo. Nada do que o rei havia me dito. Mas de alguma forma, soube do que o guarda queria falar:
- Senhor! A princesa... Many... Ela... - guarda mal conseguia falar pela falta de ar - Ela caiu senhor!
Normalmente não seria preciso tanta preocupação, eu mesma, não demonstraria se não soubesse do que aquilo se tratava...
Corremos para fora do castelo, o guarda guiava o caminho, enquanto explicava o que havia acontecido.
- Ela estava voando, como sempre faz, até que de repente caiu! - seu jeito me fez pensar se também sabia da existência da doença.
Não perguntei nada o cominho todo, apenas ouvia tudo com bastante atenção.
Estava mais preocupada do que esperava de mim. Mas, de alguma forma, sabia que o pai da menina estava certa, temos uma conexão, consigo sentir a bondade emanar da menina.
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