domingo, 5 de outubro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 9 {UD-ESTÚDIO}

Quando nós aproximamos, pude ver o garoto da primeira vez (aquele que provavelmente era filho do guarda), sua asa, antes ferida, já se encontrava melhor, disposta a acompanhar as de Many. 

- Não se levanta! Você pode ter se machucado! - dizia o menino, tentando impedir Many de se levantar.

- Eu tô bem! - insistia a garota.

Sorridente, ela fez com quem o garoto desistisse.

- E vou te provar - abriu suas asas e começou a bate-las.

Não estava muito alto quando as asas pararam de bates e Many caiu no chão rapidamente.

O menino se dispôs a salvar a amiga, mas para sorte, o guarda foi mais rápido e conseguiu pegar a menina no colo antes de atingir o chão.

- Many... - disse o guarda suspirando de alívio.

- Mandy! - e o rei que correu até os dois.

O tom de voz do rei era uma mistura de preocupação e bronca pelo que aconteceu. Mas a menina, assustada como estava, provavelmente não soube diferenciar isso.

- Papai... Minhas asas... Elas pararam de funcionar... Não consigo mexer... - disse quando o guarda lhe colocou no chão.

O rei de abaixou, sua expressão mudou completamente, como se quisesse falar alguma coisa que não saiu. 

Ele sabia o que aquilo significava, só não sabia como dizer.

- Elas estão paralisadas minha pequena... - sussurrou ele para a filha.

Infelizmente, pude ouvir o que ele disse e mesmo sem ter conhecimento sobre aquela doença, senti um aperto no peito.

A menina olhou para o pai, talvez ela também soubesse o que aquilo poderia significar, estava triste, quase chorando.

- Podemos ir pra casa? - perguntou ela de repente.

O rei concordou com a cabeça e pegou a mão da menina.

Os dois seguiram o caminho lentamente. Pude ver o menino tentar ir atrás da amiga, mas sendo impedido pelo guarda.

Antes de tomar a minha decisão do que faria, olhei para o rei e sua filha, já estavam longe quando vi a menina dizer algo para o pai, que logo a ergueu no colo.

Depois de tanto hesitar, corri até os dois. A única coisa que poderia fazer era ficar perto da menina.

Quando cheguei no castelo, muito coisa já havia acontecido: o rei estava em seu trono, pensando em algo.

- O que aconteceu? - perguntei.

- Está se alastrando... Começa paralisando as asas, depois vai para o corpo... É o último estágio... E é muito rápido... Não dá para notar...

- A onde ela está? - lhe perguntei.

Talvez tivesse aumento a voz um pouco de mais quando se leva em consideração que estava gritando com o rei. Infelizmente só me dei conta disso aí vê-lo surpreso.

- No quarto...

Ele provavelmente iria dizer mais alguma coisa, mas não deixei. 

Corri apressadamente até o quarto de Many e a vi na cama, lendo algum livro...

- Não sabia que gostava de ler... - tentei disfarçar a minha preocupação.

- Gosto... - e ela a tristeza. 

Ela fechou o livro, ficou olhando um tempo para a capa e depois olhou pra mim, esbossando um enorme sorriso.

- Sabe, Mandy - começou - eu não consigo mais andar - o sorriso aumentou.

Depois que fechou a boca, pude ver as lágrimas começarem a escorrer de seus olhos.

Não me segurei em ir abraça-la.

Sei que não a conheço tanto tempo e que não sei o quanto aquela doença poderia mudar sua vida de uma hora para outra... Mas de uma coisa eu sabia, ela não merecia nada daquilo! Ela tinha um grande coração! Um bom coração.

- Eu quero ficar com você - disse ela de repente - quero ser parte de você...

- Não diga besteira! - tentei brigar, mas meus olhos já estavam com lágrimas.

- Não estou falando! - ela riu e me afastei - quero que fique com minhas asas! Quero que elas sejam suas! Considere que recuperou as suas! - riu.

Não resisti em pensar naquilo, não poderia pensar...

- E assim, talvez eu possa renascer em você! - rossiu, como se fosse uma vencedora.

Tentei rir entre o choro silencioso que me tomou. 

Aquelas palavras, de uma simples criança, com toda a inocência do mundo, eram pesadas de mais para o meu coração suportar.

- Agora, eu quero dormir um pouco... Ler me dá sono - ela riu, colocando o livro no criado mudo - fica aqui comigo? - concordei com a cabeça.

Me sentei na cadeira que ainda estava do lado da cama e segurei sua mão, esperando ela adormecer.

Não sei porque, mas sentia que aquele era o fim.

Disposto a esquecer daquilo, me debrucei na cama e adormeci ao lado da menina.

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