segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 5 {UD-Estúdio}

Digamos que "pousei" de pé; estava dentro de um mercado grande. A vida continuava, como se minha aparição não tivesse sido vista por ninguém.

Não me mexi por um tempo, esperando que meu corpo e mente se acostumassem com o fato de que não estava mais em movimento.

Olhei ao redor, aparentemente estava bem no meio do mercado; muitas pessoas passavam por mim, como se fosse só mais uma cliente qualquer, observando os corredores.

Todos alí pareciam ter suas vidas corridas, independente de suas idades, não pareciam ter tempo para o inexplicável.

Respirei fundo quando me dei conta de que não iria fazer mal começar a me mexer. Comecei a andar sem rumo algum.

Por um tempo, eu apenas estava explorando tudo, até que tive a sensação de falta e me obriguei a parar e olhar ao redor procurando por alguém.

Não tinha certeza se Kalleb havia vindo comigo ou não, então não quis fazer barulho.

O meu medo mesmo, seria se ele tivesse vindo. O fato de ele ser anti social, não é sem motivo, ele tem medo das pessoas.

Procurei meu celular e lhe mandei uma mensagem, perguntando se estava bem e onde estava, só me restava esperar a resposta.

- Espero que esteja tudo bem com você kallzin... - murmurei pra mim mesma, enquanto guardava o aparelho.

Não sou um monstro insensível. Conheço meu namorado e seus maiores defeitos, e me preocupo com ele.

Voltei a andar. Não tinha certeza se era alí mesmo que deveria estar, então olhava para todos os lugares a procura de pistas que pudessem me ajudar.

Eu não usaria a palavra "tédio" para aquilo, mas estava calmo de mais, de uma maneira quase estranha. Mas, como sou estranha, estava aproveitando aquilo.

Sem me dar conta, eu organizava alguns produtos de prateleiras. Pegava coisas que estavam fora do lugar e procurava seu devido lugar. Em outras palavras, estava trabalhando de graça sem me dar conta.

- Amanda!? - ouvi uma voz diferente chamar meu nome.

Eu não olhei, provavelmente não era comigo, já que existem muitas Amandas no mundo e eu, nem se quer sou desse.

- Cadê seu uniforme? E seu cabelo tá solto? - a voz de aproximou de mim e começou a perguntar.

Era uma garota morena, quase do meu tamanho. Bonita, não posso negar.

- Se bem que você fica bonita de cabelo solto - disse de repente - mas você não deveria estar trabalhando?

- Desculpa, mas você está me confundindo com outra pessoa - foi a única coisa que disse, e séria, comecei a andar para longe.

Ela provavelmente estava se referindo a minha versão desse universo. A questão é: é essa a garota chorona? Eu não sabia...

Logo ouvi o toque do meu celular, o peguei de imediato e logo vi que era a mensagem de Kalleb respondendo as minhas perguntas: era um joinha e uma foto dele em um tipo de parque, estava com um pequeno sorriso confortável.

Que sorte que ele foi para em algum lugar que gosta, fiquei um pouco aliviada com essa notícia.

Com a imagem mesmo, encontrei a localização dele, aparentemente estávamos no mesmo universo. Mandei o print da localização dele e compartilhei a minha. Era o único jeito de saber a onde estávamos.

Agora, só me restava esperar por ele, enquanto eu continuava a minha procura.

Confesso que aquilo estava começando a ficar chato e entediante, isso que posso ser uma pessoa que me intretenho fácil.

Em tentativa de fazer qualquer coisa que seja mais útil da minha vida, foi até uma moça que parecia trabalhar no mercado.

- Com licença, pode me informar algum lugar que eu possa comer alguma coisa? - sim, eu tenho educação e sim, foi uma pergunta idiota.

- Oi - ela se virou pra mim, um pouco confusa para encontrar a resposta da minha pergunta.

Infelizmente, antes que eu pudesse ouvir a resposta, algo que não sei dizer o que era, aconteceu comigo. Minha mente ficou totalmente escura, mas algumas vezes havia luz, silhuetas para ser mais específica e quando elas pareciam, eu tinha a sensação de ouvir vozes, mas parecia distante de mais pra ouvir.

Não sei quanto tempo foi que fiquei assim, ou até mesmo o que aconteceu durante esse tempo, apenas sei que acordei com a cabeça deitada sobre o colo do Kalleb.

Me levantei completamente confusa, olhando ao redor como se anos tivessem se passado e as coisas tivessem evoluindo, enquanto eu continuava a mesma, presa no tempo...

- Eu te avisei que iria ter consequências - estávamos em uma espécie de estacionamento - sempre tem...

Kalleb continuava falando, e mesmo que o som de sua voz e as palavras pudesse ser ouvidas perfeitamente, era como se não me atingissem.

- ham? - olhei pra ele confusa.

Ele se calou quando se deu conta de que aquilo não faria o menor sentido para mim naquele momento.
 
- O que aconteceu? - perguntei quando percebi que ele não faria esforço para continuar.

- Você desmaiou - sua resposta saiu como se não fosse nada de mais - se não me engano, foi depois de você se encontrar com sua versão daqui. Ela chamou alguém pra ajudar, e eu cheguei um pouco depois... E tive que explicar tudo - ou melhor, algumas coisas...

Sei que não parece nada de mais, mas, tem coisa que só parecem assim vistas de fora.

Não imaginava que aquela garota seria eu, e muito menos que aquilo iria acontecer comigo após vê-la.

Mas, daí, eu penso no Kalleb e ele tendo que explicar as coisas; ela só tem longas interações com nossos amigos e comigo, poucas vezes tem com a família, mas quando se trata de outras pessoas, parece que as coisas não saem direito.

 Mas fico feliz por ele ter conseguido, me enche orgulho.

- Isso deve ter acontecido por que você já estava tendo visões com ela antes - ele continuou explicando - talvez você até tenha adquirido mais informações - ele me olhou confuso - se recorda de alguma lembrança que não parece ser sua?

É sério? Mas ele sabe muito bem que algumas das minhas memórias já me geram dúvida, daí me vem com essa.

- Tenta Man, você se conhece o suficiente pra saber o que deveria estar aí e o que não deveria! - ele bateu o dedo na minha cabeça.

Tentei fazer o que ele disse. Quem diria que realmente haveria alguma coisa não é mesmo? 

- Um cara, o rosto tá embasado, mas quando foco, é em partes específicas que consigo ver e não o todo.

Ele fez careta, afinal, sempre me lembra das pessoas por rosto ou características físicas, mas vivo dizendo que não consigo visualizar uma pessoa pelo todo, e sim por parte específicas.

Joguei a cabeça para trás, me dando conta do banco em que estavamos, e comecei a pensar.

Eu não conseguiria visualizar nem mesmo ele, meu próprio namorado que se encontrava do meu lado.

Acredite, eu tentei, fechei os olhos e tentei visualizar, mas era tudo separado: seus olhos em um tom de azul misterioso. Aquele cabelo preto. Aquelas roupas simples que pra mim eram boas. Aqueles coturnos vermelhos.

E era só aquilo. Se eu olhasse pra ele agora, conseguiria visualizar mais detalhes, mas desse jeito não valia.

- Será que ela sabe? - perguntei ainda de olhos fechados.

- Sabe o que? 

- Que esse cara é - a resposta saiu tão óbvia, que timia que ele já soubesse.

- Talvez.

Aquilo não valia a pena, não de verdade.

- Quer comer alguma coisa? - perguntou ele de repente - você sempre pensa melhor quando está comendo - e sorriu sinceramente.

De repente me veio uma frase em minha mente: "prometeu me engordar, mas nunca saiu comigo pra comer alguma coisa", o sorriso que eu não havia notado quando surgiu, sumiu no segundo em que esse pensamento foi embora.

- Quero - respondi arrastado.

Nos levantamos e começamos a andar. Não sei porque, mas aquele pensamento me fez refletir. Estava me arrastando atrás de Kalleb sem nem mesmo perceber.

O que aquilo significava? Sabia que não era uma lembrança, muito menos uma minha. Mas também não era um pensamento meu.

Entramos novamente no mercado e nos sentamos em uma mesa - eu não havia chegado naquela parte do mercado, então não vi aquelas mesas -, Kalleb foi comprar alguma coisa e voltou pouco tempo depois, com um bandeja de donuts e uma outra com sanduíche.

Começamos a comer em silêncio. Eu tentava organizar as ideias na minha cabeça, enquanto ele esperava pacientemente por qualquer fala minha.









Um comentário:

  1. A dinâmica de realidades é excelente. Me pergunto se é possível uma pessoa se misturar com a sua outra versão, talvez fazer do seu desejo algo mais real.

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