Me sentei no chão e passei a olhar ao redor. Não era a mesma floresta, mesmo que parecesse.
A Arvilis havia desaparecido, do mesmo jeito que minhas asas... Sem nem um sinal de que algum dia esteve lá.
As vezes eu poderia imaginar que era apenas um sonho tudo aquilo, o interior da minha mente criativa, mas sabia muito bem reconhecer a realidade de tudo aquilo.
Me levantei, e passei a andar sem rumo, tentando ver tudo aquilo que tanto me intrigava no momento.
De repente ouvi risadas infantis, e frases:
- Você não me pega! - era uma voz feminina.
- Não é justo! Isso não é justo! - e uma masculina.
Segui para onde as vozes vinham e logo pude ver uma dupla de crianças correndo.
- Ninguém mandou se machucar! - a menina ria... E voava.
Suas asas tinham chamas tão forte que poderiam ofuscar se não fossem controladas completamente...
- Eu só torci uma asa! - respondeu o menino fazendo bico.
- Torceu é machucar também! - e ela riu, voando cada vez mais alto.
Olhei para o menino, ele também tinha chamas nas asas, mas eram mais fracas, dava para olhar para o vermelho vivo sem se ofuscar.
- Fogo? - falei sem perceber que a menina havia sumido.
- Fênix do fogo, e você quem seria? - tomei um susto ao notar a menina atrás de mim.
Dei um pulo e a olhei incrédula. Depois que o choque passou, tive vontade de estrangula-la no mesmo segundo, mas não fiz pelo simples fato de ser apenas uma criança.
- Uma loba... Loba do... - o complemento não saiu.
Não era mais uma loba de fogo, e mesmo quando tinha meu fogo, já não era mais...
- Many! - o menino gritou um nome.
Nós duas olhamos no mesmo instante para a direção dele, que não nos viu.
- Bem, agora tenho que ir - ela se afastou um pouco - é melhor não ficar assim, por que se te verem escondida assim, vão falar com meu pai - e vôo para longe.
Não demorou muito para se unir ao garoto e os dois começarem a conversar sobre alguma coisa.
Os vi se afastarem em direção a algum reino visível de ontem estava.
Será que era o reino das fênix de fogo? Não tinha certeza, mesmo sabendo da existência de vários reinos, mas a maioria se tratava de outro universo...
As fênix de fogo, por exemplo, foi um dos reinos que foram devastados, como o reino dos lobos de fogo, a única diferença, é que não havia sobrevivido ninguém no reino das Félix...
Quando me dei conta as crianças já haviam sumido de vista.
Mas aquilo não importava, e sim como eu iria voltar pra casa.
Voltei a vagar pela floresta em busca de uma cerejeira. Afinal, não importava qual era dimensão, sempre existia A Cerejeira... Pelo menos era o que sabia.
Andei sem nem me dar conta. Não andava muito, mas foi aí que senti falta das minhas asas novamente.
Cuioso odiar algo por tanto tempo e quando some, sentir falta.
Parei e olhei para o céu, adoraria olhar de cima e ter uma visão melhor daquela floresta...
Suspirei, um pouco frustada.
- Poderia tentar teletransportar para o galho mais alto - falei sem perceber.
Quando prestei atenção nas minhas próprias palavras, minha mente se abriu.
- Eu posso! - afirmei, ficando animada com a ideia.
Uma das minhas maiores vantagens de ser uma híbrida de elementos foi adquirir o poder de copiar o poder de outras pessoas.
Kall mesmo, evoluiu seu poder de teletransporte e consegue voar vez ou outra, mesmo com bastante esforço, já é um avanço. Claro que eu tentei, mas não consegui, então copiei seu poder.
Fechei meus olhos para me concentrar e me esforcei para me teletransportar milímetros do chão.
Esse era o truque, se teletransportar várias vezes, cada vez mais rápido e mais alto, por isso era tão difícil aprender...
Mas, infelizmente, não consegui realizar aquele poder.
- Tá, talvez o teletransporte seja mais fácil - decidi mudar de estratégia.
Fiz o mesmo, mas dessa vez visualizei o lugar que queria estar e me esforcei para usar o poder...
Mas também não deu certo.
Aquilo não fazia sentido, o poder do teletransporte era um original meu, assim como o fogo... Se eu também não tenho ele... Não tenho nada que era meu originalmente?
- Isso não é possível!
Me irritei e pensei no meu estado, decidi então usar os poderes que vieram junto dos elementos da luz e da escuridão:
Tentei invocar a espada do equilíbrio. Não deu certo.
Tentei fazer alguma pedra flutuar. Não deu certo.
Tentei usar outros poderes que me recordava. Nada funcionou.
Pensei em tão em ir para os elementos que ainda me restavam, isso não tinha como dar errado...
Era o que eu pensava...
Tentei emanar uma grande quantidade de luz. Tentei invocar os espinhos negro. Escurecer tudo. Moldar a luz. Mudar a escuridão...
Nada funcionou. Eu não tinha mais nada! Asas. Fogo. Poderes. Elementos. Nada! Tudo se foi!
Em choque, cai de joelhos no chão.
Do que adiantava ter as cores dos elementos estampadas em meu corpo, se não posso usar-los?
Aquilo provavelmente deveria ter me feito chorar, assim como foi ao me olhar no espelho. Mas isso não aconteceu.
Fiquei com raiva do que estava acontecendo e me levantei.
- Foda-se! - gritei irritada.
Corri para a árvore mais próxima e comecei a escalar.
Claro que sentia falta de quem eu sou. Mas isso não é desculpa para esquecer de quem eu era antes de obter as asas e os elementos.
E eu não era a pessoa mais santa quando se trava de arriscar a vida!
Cheguei no topo sem nem me dá conta de quando havia acontecido.
Acredite se quiser, poderia ter xingado o universo inteiro naquele momento de raiva, mas não fiz. Aquela vista me acalmou...
Comecei a olhar tudo ao redor e logo avistei a cerejeira destacada ao longe... No reino que as crianças haviam ido.
- Droga! - reclamei - não posso entrar em um reino desconhecido! - comecei a descer da árvore - muito menos se forem tradicionais!
Os reinos não aceitavam pessoas de outras espécies, muito menos híbridos, não importa do que: elemento (meu caso, no momento) ou espécie, poderes era a única coisa que não se encaixava.
- Merda - e quando cheguei no topo, me deparei o inusitado...
Aparentemente era um guarda e logo das fênix de fogo.
- Algum problema senhorita? - perguntou ele.
Não sei se era o melhor momento para corrigi-lo e dizer que não gostava de que me chamassem de "senhorita" e me apresenta-se... Na dúvida, me mantive calada.
- Sabe que está em território proibido não é? - perguntou ele.
Por que isso me soa tão familiar? A, é mesmo! A floresta proibida! O lugar em que tudo começou!
- Terei que levá-la até o rei! Veremos o que ele irá fazer com você!
Admito, dei um sorriso de canto. Não sabia ao certo se era pela adrenalina ou pela simples sorte que tive...
E mesmo que não tivesse sorrido, minha calda balançava animadamente atrás de mim, até mesmo me corroía por dentro, tentando impede-la, o que obviamente não funcionou.
De repente, o guarda que estava na minha frente, invocou uma espécie de algema prateada...
Cuioso como isso também me é familiar, mas isso eu sei que é de um dos livros da humana.
- Isso impedirá você de usar qualquer poder - ele abriu o objeto e meus pulsos foram puxados como um ímã e colocados corretamente no interior das algemas que se fecharam logo em seguida.
Engraçado, é que aquilo não me serviria de nada, afinal, meus poderes não estão funcionando!
- Vamos! - disse ele, quase me puxando.
Não resisti, afinal, era aquilo que queria.
Comecei a andar atrás dele, não falamos durante o caminho inteiro até o que eu torcia ser o reino das fênix de fogo.
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