terça-feira, 30 de setembro de 2025

Vida

Nunca fui de poesia. 
Mas aqui estou eu.
Fazendo uma coisa que pensava odiar.

Por que? Me pergunta.
Não sei. Te respondo.

Talvez isso seja um desabafo.
Um meio único de dizer que cansei da vida.

Várias vezes parei e pensei:
Alguém vai sentir minha falta?
As vezes a resposta é sim.
As vezes a resposta é não.

Sempre fui um fantasma,
Minha voz não sai nem quando falo.
Nunca sou ouvida.

Me consideram muitas coisas 
E eu me vejo de muitas maneiras.
Mas todas individuais.
Alguém algum dia vê o interior?
Eu não sei.

Toda vez que passo por aquele lugar 
Me recordo da felicidade que tinha,
Advinha?
Ela foi destruída.

Como muitas outras que já tive.
Sofri muito para pouco tempo,
E me dizem:
Você ainda tem muito pelo que passar!

Não sei se quero sofrer mais.
A mente já não aguenta mais,
Agora, meu corpo não aguenta.

Sempre odiei aquele reflexo,
Aquele cabelo,
Aquele rosto,
Aquele corpo.

Sempre odiei o que ninguém vê, 
Mas eu me conheço bem.
As manchas.
Marcas misteriosas da vida.

Acho que esqueci como se faz uma poesia.
Como rima,
Como se escreve.
As palavras estão fugindo de mim,
Se multiplicam e não sei qual usar.

As vezes, eu só desisto.
Meu corpo se move sem a mente.
Tenho medo da morte,
E mais ainda dá vida.

Minha voz não chega até lá,
Falo e ninguém me ouve de verdade.

Vou ser um fantasma,
Esquecido por todos, 
Enquanto esqueço a todos.

Se algum dia sumir e ir para o além,
Ninguém se importaria.
Já não estou me importando.

Machucados surgem sem explicação,
E quando há, não me preocupo.

Penso o que aconteceria se eu morresse,
Se meu corpo se movesse,
Se obedecesse a minha mente,
A mesmo que olha os carros passar.

Sou mais forte do que a maioria,
Mais inteligente,
Talvez mais bela,
Mas também sou invisível.

Deve ser melhor assim,
Que ninguém saiba da minha existência.
Afinal, não posso ser quem eu sou.

Então, me responde uma coisa:
Por que preciso está só...
Só, mas, acompanhada?
Ainda não sei explicar essa sensação.
Não sei explicar nada.
Apenas agradecer.

Talvez algum dia,
Por sua causa,
Eu deixei de apenas sobreviver 
E volte a viver.

Quero voltar a escrever,
A pintar,
A limpar, 
A estudar,
A traduzir músicas,
A me aventurar,
A comer,
A criar...

Quero olhar naquele espelho e me ver,
Não um rosto triste.
Se isso acontecer,
Sei que verei seu rosto 
E o de outras pessoas,
Que passaram a ser um borrão, 
Surgido pelas lágrimas da tristeza.

Me aceite coração,
Sei que posso voltar a sorrir,
Mesmo que as vezes desista de mim,
Aínda sei que não depende de ninguém,
Ninguém além de ti.

E você, minha querida mente,
Vamos juntas imaginar!
Vamos para aquele lugar que ia para fugir!
Mas transformar!
É um bom lugar!

Espero que esse caminho chegue até mim,
E que esse sol,
Mesmo que forte,
Não queime minha pele
Que já se encontra tão triste.

Vou sorrir para trazer felicidade aos outros,
Espero que façam comigo também.

Algum dia, 
Mesmo que demore, 
Sairei do fundo desse poço.

Talvez esse poema não esteja bom,
Talvez não tenha passado aquilo que queria,
Talvez fosse muito para me lembrar,
Mas aqui está!

Tive que me adaptar a essa vida,
Não me custa nada adaptar meu poema!






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