- É você! - Disse a menina voando até mim.
Ela não para no chão?
- Eu te disse que iriam te trazer até meu pai! - ela fez bico enquanto me rodeava.
Então o pai dela era o rei? Não sei se aquilo realmente seria alguma coisa boa ou não.
- Conhece ela princesa Many? - perguntou o guarda.
- Encontrei com ela na floresta! Respondeu animada.
Decidi me manter quieta, apenas observando o desenrolar da situação, enquanto planejava cuidadosamente meus próximos passos.
Mexia minhas mãos levemente nas algemas, que curiosamente não são fortes o bastante para prender um lobo...
- Many, minha filha, venha cá e se sente - a voz foi autoritária.
Como odiava essas ações, olhei imediatamente para o rei, torcendo para que meu rosto não mostrasse minha raiva.
A pequena se sentou no seu pequeno trono, balançando as pernas como se não conseguisse se manter no lugar.
- Me conte sobre... Essa moça... - ele me olhou como se tentasse adivinhar minha espécie.
Não resisti em dar um sorriso, talvez fosse errado subestimar o rei, mas passei a amar a reação das pessoas ao verem "um monstro"
- Ela é uma loba papai! - ela respondeu animada, fazendo o rei olhar pra mim.
- Loba? De que reino? - ele me olhou curioso, como se perguntasse meu elemento.
Era a minha oportunidade de falar, mesmo que responder aquela pergunta me fizesse voltar ao passado.
- Sou uma loba senhor, dos elementos luz e escuridão, meu reino foi destruído por nosso rei... - falei calma.
Talvez informações demais não fosse a melhor escolha.
- Seu rei destruiu o reino? - perguntou ele, intrigado com a informação.
- Foi um incidente... - minha voz saiu tão baixa que temi não ser ouvida.
Quando me dei conta, ouvi um bater de asas sutis, e logo ele estava voando na minha frente.
- O que você é? - a pergunta me surpreendeu.
Olhei em seus olhos, tinham chamas sutis, mas não tinha maldade alguma.
- A pergunta está errada - o corrigi.
Contrariar um rei, principalmente homem, era como ser condenada a morte. Principalmente se quem contrariou foi uma mulher.
Mas advinha? Eu não ligo. Principalmente pelo fato de que sou superior a ele: A Rainha dos Místicos, é a rainha de todos.
- O que você que? - provavelmente ele decidiu não se irritar.
- Ir para casa e reencontrar a mim mesma - tentei manter a calma.
- Pai, ela pode ficar com a gente um pouquinho? - perguntou a menina.
Ela não estava pensando que sou um animal de estimação, estava?
- Many... - disse o rei.
- Senhor, posso ficar de olho na princesa e nessa... - olhei com odio para o guarda que interrompeu a frase no mesmo instante.
Voltei a olhar para o de rei, que parecia confuso nas opções que tinha em mente. Enquanto eu, já tinha meu plano completo, independente se algo mudasse.
- Posso parecer perigosa, mas nunca faria mal a uma criança - com isso quebrei as algemas, que se estilasaram sem nem uma força - Eu só quero uma coisa.
O rei as assustou. Obviamente não haviam planejado as algemas para outros seres sem ser as fênix.
- Diga o que deseja - completou ele.
- Quero visitar a árvore cerejeira, gosto dela - menti em parte.
- Posso escolta-la senhor - disse o guarda.
- Eu quero ir junto! - a menina se levantou e correu até nosso encontro.
O rei olhou de mim para a sua filha.
- Cuide bem da minha filha - pediu o rei para o guarda.
- Pode deixar senhor, cuidarei igual cuido quando ela brinca com meu filho! - e bateu continência para o rei.
- Vamos! - quando me dei conta, já estava sendo puxada pela pequena.
Saímos do castelo e logo a menina voltou a voar, deixando minha mão suspensa no ar. Enquanto o guarda seguia atrás de nós.
Achei estranho ele não voar, foi quando o analisei por completo: suas asas estavam por de baixo da capa, que talvez dificultasse para voar.
- Nos vamos até o jardim ver a árvore! - disse a menina.
Ela tentava falar comigo o caminho todo, mas me mantive quieta, vez ou outra minha expressão mudava de séria para uma que tinha um pequeno sorriso que não descobri o significado ainda.
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