terça-feira, 28 de abril de 2026

Olhos Cansados

Junto te tenta tempestade 
De dias mal dormidos
De pensamentos sem fim

Nada dura para sempre 
Mas tudo sempre retorna
As pequenas coisas incomodam.

As perguntas de: por quê? Continuam a incomodar 

O corpo tá começando a sentir mais do que a mente 

Preocupações 


Por que não falam?
Por que mudam? 

O quanto posso lutar sozinho sem ajuda?

Estou cansado 

Não do trabalho 
Não dos estudos 

Mas das pessoas 

Por que me olham assim? Me deixam de lado sem me dizer o porquê...

Quero dormir 
Fugir 
Não sei para onde 
Mas me leve daqui 

O sono bem, a cada segundo 

Não é o sol em meus olhos 
É o que não consigo fazer 
E aquilo que me escolhem

A hora é controlada 
Mas o corpo tá sentindo 
Não são mais minhas ações 
São minhas preocupações 


Vou fazer o possível para arrumar o que está perdido 

Concertar o que não é meu 

Sobrevivo a onde gosto 

Mas tudo se repete e me faz dormir 

Talvez, algum dia já não acordei mais.

Mas irei dizer, o que o mundo não vê.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Tão Perto

As vezes temos pessoas ao nosso redor. 
Tão perto.
Mas não conseguimos alcançar.

É apenas um suspiro de amizades passadas.
Ninguém se lembra do que aconteceu mas olhares já não se encontram mais.
Palavras não são ditas por medo do sofrimento.

Mas do que adianta está presente em todos os lugares, sendo que ainda é apenas um fantasma.


Estou andando a cada dia, sozinho em um mundo cheio de pessoas.

Estou lutando, mas aqueles ao meu lado não vêem o quanto quero cair.
Já perdi o chão 
Mas não sei se tenho asas para voar.

São tantas coisas, tantas pessoas.
A mente se ocupa para não sofrer 
Mas sempre terá olhares que falam mais alto.

Não consigo ficar com as pessoas, pois a solidão me percegue 
Me deixe chorar, 
Mas não consigo 

A mente pensa 
Grita por ajuda 
Mas ao falar 
É confiável?

Eu tentei, mas já estou desistindo de mim novamente.

Estou sempre um passo atrás 
Mas é minha mente 
Quando me digam, percebo que estou a frente 
Mas de quem?

O medo de se atrasar, estando no caminho 

Pulos de alegria 
Viram silêncio de uma mente atormentada.

O destino nem sempre existe 
Os erros são meus
E tento concertar.
Mas não posso fazer tudo sozinha.

Mas estão tão perto.
Então, me diz 
Por que somem quando tento alcançar?

O silêncio me machuca 
Mas é a única coisa que consigo fazer 

Mudanças machucam 
Falas torturam 
Peço para ser livre 

Mas me prendo em uma caixa da qual não sei como sair.

Estão tão perto 
Eu poderia pedir ajuda 
Mas me calaram 
Me julgaram
Agora, só resta você 
Que nem sei onde está 

As vezes é melhor o distante,
Pois assim sei que ninguém sabe 
Ninguém perto 
Ninguém para me julgar 

Estou tão perto 
Perto de casa
De um lar que não me sinto bem
Mas o lugar que chamei de casa, passou a me julgar 
Não faço parte, mas permaneço 
Será que faço a diferença?
Ou as pessoas sentem inveja?

Vejo o que ninguém vê.
Tenho medo do que ninguém vê 
Mas lá está 
Pequenas ações, facas do mundo 

Medo cair ao parar 
Mas nem sempre consigo respirar 
Quando estão perto, sou tão forte 
Mas só, sinto que vou desmaiar.

Até que de repente acordo
Como se meu corpo tivesse sua alma de volta 
É tudo novo novamente 
Tudo apagado 

Mas é real?
Ou é só uma ilusão de um dia que ainda não chegou.

Não me deixe parar 
Tenho que me mexer 

Não me deixe pensar 
Se não só vou sofrer.

Não luto mais 
Não tento mais 

Podem estar perto, mas eu estarei longe 
Pois palavras nunca alcançaram 
E hoje não vão mais 

Me pedem para trocar minhas lentes 
Com medo de palavras que sempre ouvi 
Então troquem comigo 
Vem ao meu lugar e cure esse coração que já deixou de bater.

Você está tão perto
Mas para mim está distante 

Você está tão longe,
Mas talvez esteja tão perto.

Um apoio
Um conforto 

São apenas muletas para não cair 

Eu vou sobreviver, 
Só mais um dia 
Mas não lutarei 
Não com as mesmas forças que roubaram e esconderam de mim 

Talvez esteja perto 
Mas as palavras não alcançam 

Sozinho eu sigo até em companhia 
Aprendi a lutar assim 
E pouco de mim posso mudar 
Pois já fizeram isso por mim 
Quando acreditei 

Então agora, o sorriso falso está lá 
Me forçando a parecer forte para depois chorar 

Suas palavras são vagas, 
Sua presença se tornou fantasma 

Assim como eu
Que termino depois de um tempo que desejei.

A vida brinca com todos os corações feridos por aqueles que fizeram promessas vagas e deixaram em pedaços.





terça-feira, 14 de abril de 2026

O Gelo que Nunca Derrete

A mente é como um frizer que esqueceram de desligar. 

Era apenas para limpar, tirar a sujeira de um caos sem fim.

Mas não importa o quanto tente tirar, cada pedra de gelo permanece no lugar.

As pequenas partes saíem, atingindo quem tenta limpar.

Dói quartos o fragmento afeta, sem uma mão para se apoiar.

Dói quando está sozinha, esperando o gelo derreter.

 Mas ele sempre retorna. 

Não desista... Era a palavra que eu queria ouvir...

Mas só ouvi o quanto incomodo.

As vezes dói tanto, que tudo se acalma de repente.

O mesmo gelo que estava fora, lutando contra um coração aquecido, congelou quem tanto insistiu.

Talvez fosse só a realidade batendo novamente.

E o gelo continua a surgir.

Não está nevando lá fora... Mas por dentro, tudo congelou.

É tanto gelo... Tantos pensamentos...

Tanta solidão...

Talvez você não consiga nada...

Mas quer saber? Eu não vou mais pedir ajuda.

Quem me odeia, continue odiando.

Quem me ama... Por favor, continue me amando.

Porque, quando o gelo derreter... O pó surgirá e junto dele, o dia do esquecimento.

Como uma casa abandonada, esquecida.

Tudo passa e o rios secam...

Mas as vezes, conseguimos nos erguer, pois deixamos marcas de garras das lutas que travamos, em uma mente que volta a brilhar em chamas.

Perdão a falta de sentimentos.

Mas as palavras, são minhas únicas armas.

Se me consolam com mentiras,  farei o mesmo.

Conheço meus erros, mas sei que também acerto. Então agradeço por dizer cada ato que realizo.

Um dia, isso voltará com lágrimas de gelo derretido, junto a tintas de uma casa em reforma.

A solidão nem sempre é eterna, que até para o mais gelado um sol pode existir.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sonhos de Chocolate

Mudar nunca foi fácil pra ninguém. Mas Bia não teve medo e decidiu sair de seu país de origem para seguir seus sonhos.

Sonhos esses que ela já não se lembrava mais.

Bia não sabia as dificuldades que enfrentaria, não sabia que o novo pais seria tão diferente.

— Você quer alugar um apartamento? — essa foi sua primeira dificuldade.

— Eu quero sim...

— Mas com quem dinheiro? Não aceitamos de outros países!

Ela havia se esquecido desse detalhe.

— Mas senhor, eu preciso de um lugar para morar!

— E eu preciso de dinheiro! — o homem começou a alterar a voz — Para tudo se precisa de dinheiro, minha jovem.

Em um suspiro, Bia deu meia volta. O homem tinha ração, ela precisaria de dinheiro e não só para alugar um apartamento, como para tudo em sua nova vida.

Mas o que ela poderia fazer? Não conhecia ninguém para lhe ajudar...

Sua mente começou a pensar em tudo, mas não conseguia sair do lugar. 

De tanto andar à procura de um lugar para ficar, ela entrou em uma pequena lojinha, disposta apenas a observar, afinal, não tinha dinheiro para comprar nada.

— Com licença! — ouviu uma voz desconhecida.

Ela olhou ao redor, procurando a quem aquela voz pertencia.

Ao ver um homem correndo em sua direção, não pensou duas vezes em desviar. Sua vida já estava boa o suficiente para ser derrubada por um desconhecido.

Mas isso não impediu do jovem de bater o rosto na porta de vidro da lojinha.

Em meio aos murmúrios de frustração do jovem, Bia tentava conter o riso, decidida a ir ajudar o jovem.

— Você está bem? 

— Estou sim, obrigado. Esse vidro está tão limpo dessa vez, que nem o vi...

— Igor, ande logo! Se não vão derreter com esse calor! — Uma voz feminina gritou do balcão.

— Desculpe! — o jovem respondeu — Bem, agradeço a ajuda, mas agora tenho que ir. Trabalho de entregador não é fácil — deu de ombros e voltou a correr.

A palavra ecoou na mente de Bia. Era aquilo que ela precisava! Um trabalho!

Foi até a senhora que se encontrava no balcão e ofereceu seus cervos, mas não foi aceita. Mas ela não poderia desistir, não depois de tudo o que aconteceu...

Saiu da lojinha e foi entrando em outras. Contava um pouco de si, mas não teve sucesso.

Depois de tanto procurar, ela se sentou em uma calçada e ficou por lá, pensando o quanto sua mudança lhe prejudicou.

— Olha só. É você de novo! — ouviu uma voz famíliar.

Ao erguer a cabeça, se deparou com um jovem motoqueiro, que ao retirar o capacete, revelou ser o jovem chamado Igor da primeira lojinha da qual passou.

— Oi.

— Hei! Por que está tão triste? — ele perguntou, se sentando ao lado da jovem.

— Eu vim de outro país, mas não tenho dinheiro brasileiro para viver...

Igor não respondeu, sabia o quanto aquilo poderia ser frustrante. 

Foi aí que o jovem teve uma ideia:

— Você sabe cozinhar? 

— Sei sim, por quê? 

— Uma conhecida minha precisa de ajuda na confeitaria, se você se interessar — ele sorriu.

— Por favor!

O jovem se levantou e ergueu a mão para a jovem.

— Prometo ser cuidadoso.

Ela não tinha ideia do que ele estava falando, mas ao ser ajudada a subir na moto, o medo a atingiu.

Não poderia dizer nada, ele estava fazendo um favor a ela.

Ao chegarem na confeitaria, a amiga de Igor não pensou duas vezes e já entregou um avental para Bia.

A confeitaria estava cheia, tão movimentada que Bia teve que aprender sozinha o que tinha que fazer.

As palavras de sua líder, eram confusas para a jovem que mesmo entendendo e conseguindo se comunicar em português, não conhecia tudo o que lhe era ordenado.

Quando o dia finalmente acabou, as duas se sentaram para descansar, aliviadas por terem conseguido mais um dia.

— Me chamo Estéfane. E você? — a moça finalmente se apresentou.

— Pode me chamar de Bia. 

— Você é boa Bia. Você mora aqui perto? Adoraria que me ajudasse mais vezes até que a funcionária melhorasse.

— Eu... Na verdade não tenho um lugar — Bia sentiu vergonha ao falar.

— Bem, se você estiver disposta a me ajudar, eu deixo você ficar no sobrado aqui de cima até que a Ester melhore do pé — ela apontou para a parte de cima da confeitaria.

— Eu agradeço muito. Mas não tenho como te pagar.

— Por enquanto não precisa.

Mas tudo tinha um custo, um do qual Bia ainda desconhecia.

Todos os dias ela trabalhava duro e junto o dinheiro que Estéfane lhe pagava. 

A moça lhe tratava tão bem, que sempre ajudava Bia. Mas também, garantia que tudo aquilo era temporário.

E quando o dia chegou. Bia teve que sair do pequeno lugar que passou a chamar de casa.

— Eu sinto muito Bia, mas eu não consigo pagar duas funcionárias — Disse Estéfane, abraçando Bia, que se tornou uma grande amiga.

Mesmo não podendo mais ter o conforto que tanto desejava, Bia ainda precisava sobreviver. 

Então, começou a procurar emprego novamente, mas ninguém a queria pela falta de um currículo. Mesmo que Estéfane tivesse lhe pagado, ela não trabalhou de carteira assinada.

Quando o dia estava chegando ao fim, Bia teve que procurar um lugar para ficar.

A caminhada parecia infinita, mas ao se dar conta, percebeu que estava diante daquele apartamento que não poderia quitar.

Mas agora a jovem tinha dinheiro para tal e decidiu arriscar. Alugou o apartamento sem nem uma complicação dessa vez.

Mas ainda precisaria de emprego. 

No dia seguinte, voltou a procurar oportunidades de emprego, mas ninguém a contratava.

Foi ao sentir um cheiro diferente, que sua mente ficou em branco. Olhou ao redor, mas não encontrou a delícia que lhe invadia as narinas.

Quando se deu conta, já estava seguindo aquele cheiro, chegando até uma vitrine repleta de ovos de chocolate.

Ela havia se esquecido que essa época do ano já se encontrava tão próxima.

Mesmo aqueles chocolates parecendo deliciosos, seu dinheiro não era o suficiente.

Suspirou e deu meia volta. Se quisesse algum chocolate, teria que ser aquele de mercado.

E foi o que fez. Entrou em um mercado com intenção de comprar uma simples barra de chocolate para passar à vontade. Mas ao olhar para o doce, sua mente se inundou de ideias.

— E se eu fizesse? Eu sei cozinhar...

Decidida, comprou algumas barras de chocolate próprias para produção de delícias desse tipo. Levou para casa animada, sem se dar conta do quanto aquilo lhe ajudaria.

Ao chegar, não pensou duas vezes e começou a preparar, sua cozinha ficava bagunçada a cada momento que olhava. Havia chocolate espalhado por todos os lados. Utensílios que já não sabia mais quais lugares pertenciam.

Mas Bia estava confiante no resultado, que ao atingir, se sentiu aliviada.

Começou a organizar tudo.

Ao final, não conseguia comer o tão desejado chocolate, decidindo tirar algumas fotos para se recordar daquilo que lhe deu tanto trabalho.

Postou em suas redes sociais apenas por postar, mas enquanto comia o chocolate que preparou, a foto ganhava visualizações e comentários rapidamente:

"Parece uma delícia" 

"Quanto custa?" 

"Você está vendendo?" 

Bia não tinha ideia de como reagir a tudo aquilo, mas decidiu responder, dizendo que não vendia...

"Que pena, eu adoraria comprar um..." 

E foi assim que ela teve a ideia de continuar a produção de chocolates. Afinal, ela precisaria de dinheiro de alguma forma.

A produção de chocolates foi um grande desafio, mas ela conseguiu superar, vendo para pessoas que tinham disponibilidades de buscar e quando se deu conta, os chocolates passaram a ser vendidos via entrega.

— Desculpa te incomodar depois de você ter me ajudado tanto. Mas, você poderia me ajudar uma última vez? — Bia falava com Igor por ligação.

Após descobrir sobre os chocolates de Bia, passava a comprar sempre, mas a preferência acabou fazendo com que o jovem perdesse o emprego do qual estava.

— Claro que posso, o que gostaria? — mas seu coração continuava disposto.

— Eu preciso de alguém para entrar chocolates... Então pensei que você poderia fazer isso. Eu te pago! — a última frase veio mais alta do que gostaria.

— Claro que te ajudo! Vai ser um prazer!

E assim, Igor passou a ser o entregador de Bia.

Essa companhia foi crescendo junto à fabricação de chocolates, que deixou de ser no apartamento de Bia, passando a ser em uma confeitaria de chocolates, um lugar que os dois lutaram para erguer.

Os doces não só conquistaram a Páscoa, como o coração daqueles que sempre compravam, pois sabiam que havia uma paixão na fabricação de cada chocolate e seus detalhes.

Mãe. Ainda estou aqui.

As mudanças vem, São tão de repentes De contos viram poemas Nunca sabemos quando vai acontecer Até o dia chegar.  Quem diria que palavras po...