terça-feira, 30 de setembro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 4 {UD-ESTÚDIO}

Entramos na sala do trono e me deparei com o rei, que não tinha as chamas tão forte quanto a da pequena no seu lado.

- É você! - Disse a menina voando até mim.

Ela não para no chão?

- Eu te disse que iriam te trazer até meu pai! - ela fez bico enquanto me rodeava.

Então o pai dela era o rei? Não sei se aquilo realmente seria alguma coisa boa ou não.

- Conhece ela princesa Many? - perguntou o guarda.

- Encontrei com ela na floresta! Respondeu animada.

Decidi me manter quieta, apenas observando o desenrolar da situação, enquanto planejava cuidadosamente meus próximos passos.

Mexia minhas mãos levemente nas algemas, que curiosamente não são fortes o bastante para prender um lobo... 

- Many, minha filha, venha cá e se sente - a voz foi autoritária.

Como odiava essas ações, olhei imediatamente para o rei, torcendo para que meu rosto não mostrasse minha raiva.

A pequena se sentou no seu pequeno trono, balançando as pernas como se não conseguisse se manter no lugar.

- Me conte sobre... Essa moça... - ele me olhou como se tentasse adivinhar minha espécie.

Não resisti em dar um sorriso, talvez fosse errado subestimar o rei, mas passei a amar a reação das pessoas ao verem "um monstro" 

- Ela é uma loba papai! - ela respondeu animada, fazendo o rei olhar pra mim.

- Loba? De que reino? - ele me olhou curioso, como se perguntasse meu elemento.

Era a minha oportunidade de falar, mesmo que responder aquela pergunta me fizesse voltar ao passado.

- Sou uma loba senhor, dos elementos luz e escuridão, meu reino foi destruído por nosso rei... - falei calma.

Talvez informações demais não fosse a melhor escolha.

- Seu rei destruiu o reino? - perguntou ele, intrigado com a informação.

- Foi um incidente... - minha voz saiu tão baixa que temi não ser ouvida.

Quando me dei conta, ouvi um bater de asas sutis, e logo ele estava voando na minha frente.

- O que você é? - a pergunta me surpreendeu.

Olhei em seus olhos, tinham chamas sutis, mas não tinha maldade alguma.

- A pergunta está errada - o corrigi.

Contrariar um rei, principalmente homem, era como ser condenada a morte. Principalmente se quem contrariou foi uma mulher.

Mas advinha? Eu não ligo. Principalmente pelo fato de que sou superior a ele: A Rainha dos Místicos, é a rainha de todos.

- O que você que? - provavelmente ele decidiu não se irritar.

- Ir para casa e reencontrar a mim mesma - tentei manter a calma.

- Pai, ela pode ficar com a gente um pouquinho? - perguntou a menina.

Ela não estava pensando que sou um animal de estimação, estava?

- Many... - disse o rei.

- Senhor, posso ficar de olho na princesa e nessa... - olhei com odio para o guarda que interrompeu a frase no mesmo instante.

Voltei a olhar para o de rei, que parecia confuso nas opções que tinha em mente. Enquanto eu, já tinha meu plano completo, independente se algo mudasse.

- Posso parecer perigosa, mas nunca faria mal a uma criança - com isso quebrei as algemas, que se estilasaram sem nem uma força - Eu só quero uma coisa.

O rei as assustou. Obviamente não haviam planejado as algemas para outros seres sem ser as fênix.

- Diga o que deseja - completou ele.

- Quero visitar a árvore cerejeira, gosto dela - menti em parte.

- Posso escolta-la senhor - disse o guarda.

- Eu quero ir junto! - a menina se levantou e correu até nosso encontro.

O rei olhou de mim para a sua filha.

- Cuide bem da minha filha - pediu o rei para o guarda.

- Pode deixar senhor, cuidarei igual cuido quando ela brinca com meu filho! - e bateu continência para o rei.

- Vamos! - quando me dei conta, já estava sendo puxada pela pequena.

Saímos do castelo e logo a menina voltou a voar, deixando minha mão suspensa no ar. Enquanto o guarda seguia atrás de nós.

Achei estranho ele não voar, foi quando o analisei por completo: suas asas estavam por de baixo da capa, que talvez dificultasse para voar.

- Nos vamos até o jardim ver a árvore! - disse a menina.

Ela tentava falar comigo o caminho todo, mas me mantive quieta, vez ou outra minha expressão mudava de séria para uma que tinha um pequeno sorriso que não descobri o significado ainda.

Vida

Nunca fui de poesia. 
Mas aqui estou eu.
Fazendo uma coisa que pensava odiar.

Por que? Me pergunta.
Não sei. Te respondo.

Talvez isso seja um desabafo.
Um meio único de dizer que cansei da vida.

Várias vezes parei e pensei:
Alguém vai sentir minha falta?
As vezes a resposta é sim.
As vezes a resposta é não.

Sempre fui um fantasma,
Minha voz não sai nem quando falo.
Nunca sou ouvida.

Me consideram muitas coisas 
E eu me vejo de muitas maneiras.
Mas todas individuais.
Alguém algum dia vê o interior?
Eu não sei.

Toda vez que passo por aquele lugar 
Me recordo da felicidade que tinha,
Advinha?
Ela foi destruída.

Como muitas outras que já tive.
Sofri muito para pouco tempo,
E me dizem:
Você ainda tem muito pelo que passar!

Não sei se quero sofrer mais.
A mente já não aguenta mais,
Agora, meu corpo não aguenta.

Sempre odiei aquele reflexo,
Aquele cabelo,
Aquele rosto,
Aquele corpo.

Sempre odiei o que ninguém vê, 
Mas eu me conheço bem.
As manchas.
Marcas misteriosas da vida.

Acho que esqueci como se faz uma poesia.
Como rima,
Como se escreve.
As palavras estão fugindo de mim,
Se multiplicam e não sei qual usar.

As vezes, eu só desisto.
Meu corpo se move sem a mente.
Tenho medo da morte,
E mais ainda dá vida.

Minha voz não chega até lá,
Falo e ninguém me ouve de verdade.

Vou ser um fantasma,
Esquecido por todos, 
Enquanto esqueço a todos.

Se algum dia sumir e ir para o além,
Ninguém se importaria.
Já não estou me importando.

Machucados surgem sem explicação,
E quando há, não me preocupo.

Penso o que aconteceria se eu morresse,
Se meu corpo se movesse,
Se obedecesse a minha mente,
A mesmo que olha os carros passar.

Sou mais forte do que a maioria,
Mais inteligente,
Talvez mais bela,
Mas também sou invisível.

Deve ser melhor assim,
Que ninguém saiba da minha existência.
Afinal, não posso ser quem eu sou.

Então, me responde uma coisa:
Por que preciso está só...
Só, mas, acompanhada?
Ainda não sei explicar essa sensação.
Não sei explicar nada.
Apenas agradecer.

Talvez algum dia,
Por sua causa,
Eu deixei de apenas sobreviver 
E volte a viver.

Quero voltar a escrever,
A pintar,
A limpar, 
A estudar,
A traduzir músicas,
A me aventurar,
A comer,
A criar...

Quero olhar naquele espelho e me ver,
Não um rosto triste.
Se isso acontecer,
Sei que verei seu rosto 
E o de outras pessoas,
Que passaram a ser um borrão, 
Surgido pelas lágrimas da tristeza.

Me aceite coração,
Sei que posso voltar a sorrir,
Mesmo que as vezes desista de mim,
Aínda sei que não depende de ninguém,
Ninguém além de ti.

E você, minha querida mente,
Vamos juntas imaginar!
Vamos para aquele lugar que ia para fugir!
Mas transformar!
É um bom lugar!

Espero que esse caminho chegue até mim,
E que esse sol,
Mesmo que forte,
Não queime minha pele
Que já se encontra tão triste.

Vou sorrir para trazer felicidade aos outros,
Espero que façam comigo também.

Algum dia, 
Mesmo que demore, 
Sairei do fundo desse poço.

Talvez esse poema não esteja bom,
Talvez não tenha passado aquilo que queria,
Talvez fosse muito para me lembrar,
Mas aqui está!

Tive que me adaptar a essa vida,
Não me custa nada adaptar meu poema!






segunda-feira, 29 de setembro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 3 {UD-ESTÚDIO}

Abri meus olhos, estava deitada no chão da floresta. Havia alguma coisa de errado. 

Me sentei no chão e passei a olhar ao redor. Não era a mesma floresta, mesmo que parecesse.

A Arvilis havia desaparecido, do mesmo jeito que minhas asas... Sem nem um sinal de que algum dia esteve lá.

As vezes eu poderia imaginar que era apenas um sonho tudo aquilo, o interior da minha mente criativa, mas sabia muito bem reconhecer a realidade de tudo aquilo.

Me levantei, e passei a andar sem rumo, tentando ver tudo aquilo que tanto me intrigava no momento.

De repente ouvi risadas infantis, e frases:

- Você não me pega! - era uma voz feminina.

- Não é justo! Isso não é justo! - e uma masculina.

Segui para onde as vozes vinham e logo pude ver uma dupla de crianças correndo.

- Ninguém mandou se machucar! - a menina ria... E voava.

Suas asas tinham chamas tão forte que poderiam ofuscar se não fossem controladas completamente...

- Eu só torci uma asa! - respondeu o menino fazendo bico.

- Torceu é machucar também! - e ela riu, voando cada vez mais alto.

Olhei para o menino, ele também tinha chamas nas asas, mas eram mais fracas, dava para olhar para o vermelho vivo sem se ofuscar.

- Fogo? - falei sem perceber que a menina havia sumido.

- Fênix do fogo, e você quem seria? - tomei um susto ao notar a menina atrás de mim.

Dei um pulo e a olhei incrédula. Depois que o choque passou, tive vontade de estrangula-la no mesmo segundo, mas não fiz pelo simples fato de ser apenas uma criança.

- Uma loba... Loba do... - o complemento não saiu.

Não era mais uma loba de fogo, e mesmo quando tinha meu fogo, já não era mais...

- Many! - o menino gritou um nome.

Nós duas olhamos no mesmo instante para a direção dele, que não nos viu.

- Bem, agora tenho que ir - ela se afastou um pouco - é melhor não ficar assim, por que se te verem escondida assim, vão falar com meu pai - e vôo para longe.

Não demorou muito para se unir ao garoto e os dois começarem a conversar sobre alguma coisa.

Os vi se afastarem em direção a algum reino visível de ontem estava.

Será que era o reino das fênix de fogo? Não tinha certeza, mesmo sabendo da existência de vários reinos, mas a maioria se tratava de outro universo...

As fênix de fogo, por exemplo, foi um dos reinos que foram devastados, como o reino dos lobos de fogo, a única diferença, é que não havia sobrevivido ninguém no reino das Félix... 

Quando me dei conta as crianças já haviam sumido de vista. 

Mas aquilo não importava, e sim como eu iria voltar pra casa.

Voltei a vagar pela floresta em busca de uma cerejeira. Afinal, não importava qual era dimensão, sempre existia A Cerejeira... Pelo menos era o que sabia.

Andei sem nem me dar conta. Não andava muito, mas foi aí que senti falta das minhas asas novamente.

Cuioso odiar algo por tanto tempo e quando some, sentir falta.

Parei e olhei para o céu, adoraria olhar de cima e ter uma visão melhor daquela floresta...

Suspirei, um pouco frustada.

- Poderia tentar teletransportar para o galho mais alto - falei sem perceber.

Quando prestei atenção nas minhas próprias palavras, minha mente se abriu.

- Eu posso! - afirmei, ficando animada com a ideia.

Uma das minhas maiores vantagens de ser uma híbrida de elementos foi adquirir o poder de copiar o poder de outras pessoas.

Kall mesmo, evoluiu seu poder de teletransporte e consegue voar vez ou outra, mesmo com bastante esforço, já é um avanço. Claro que eu tentei, mas não consegui, então copiei seu poder.

Fechei meus olhos para me concentrar e me esforcei para me teletransportar milímetros do chão.

Esse era o truque, se teletransportar várias vezes, cada vez mais rápido e mais alto, por isso era tão difícil aprender...

Mas, infelizmente, não consegui realizar aquele poder.

- Tá, talvez o teletransporte seja mais fácil - decidi mudar de estratégia.

Fiz o mesmo, mas dessa vez visualizei o lugar que queria estar e me esforcei para usar o poder...

Mas também não deu certo. 

Aquilo não fazia sentido, o poder do teletransporte era um original meu, assim como o fogo... Se eu também não tenho ele... Não tenho nada que era meu originalmente?

- Isso não é possível!

Me irritei e pensei no meu estado, decidi então usar os poderes que vieram junto dos elementos da luz e da escuridão:

Tentei invocar a espada do equilíbrio. Não deu certo.

Tentei fazer alguma pedra flutuar. Não deu certo.

Tentei usar outros poderes que me recordava. Nada funcionou.

Pensei em tão em ir para os elementos que ainda me restavam, isso não tinha como dar errado...

Era o que eu pensava...

Tentei emanar uma grande quantidade de luz. Tentei invocar os espinhos negro. Escurecer tudo. Moldar a luz. Mudar a escuridão...

Nada funcionou. Eu não tinha mais nada! Asas. Fogo. Poderes. Elementos. Nada! Tudo se foi!

Em choque, cai de joelhos no chão. 

Do que adiantava ter as cores dos elementos estampadas em meu corpo, se não posso usar-los?

Aquilo provavelmente deveria ter me feito chorar, assim como foi ao me olhar no espelho. Mas isso não aconteceu.

Fiquei com raiva do que estava acontecendo e me levantei.

- Foda-se! - gritei irritada.

Corri para a árvore mais próxima e comecei a escalar.

Claro que sentia falta de quem eu sou. Mas isso não é desculpa para esquecer de quem eu era antes de obter as asas e os elementos.

E eu não era a pessoa mais santa quando se trava de arriscar a vida!

Cheguei no topo sem nem me dá conta de quando havia acontecido.

Acredite se quiser, poderia ter xingado o universo inteiro naquele momento de raiva, mas não fiz. Aquela vista me acalmou...

Comecei a olhar tudo ao redor e logo avistei a cerejeira destacada ao longe... No reino que as crianças haviam ido.

- Droga! - reclamei - não posso entrar em um reino desconhecido! - comecei a descer da árvore - muito menos se forem tradicionais!

Os reinos não aceitavam pessoas de outras espécies, muito menos híbridos, não importa do que: elemento (meu caso, no momento) ou espécie, poderes era a única coisa que não se encaixava.

- Merda - e quando cheguei no topo, me deparei o inusitado...

Aparentemente era um guarda e logo das fênix de fogo.

- Algum problema senhorita? - perguntou ele.

Não sei se era o melhor momento para corrigi-lo e dizer que não gostava de que me chamassem de "senhorita" e me apresenta-se... Na dúvida, me mantive calada.

- Sabe que está em território proibido não é? - perguntou ele.

Por que isso me soa tão familiar? A, é mesmo! A floresta proibida! O lugar em que tudo começou!

- Terei que levá-la até o rei! Veremos o que ele irá fazer com você!

Admito, dei um sorriso de canto. Não sabia ao certo se era pela adrenalina ou pela simples sorte que tive...

E mesmo que não tivesse sorrido, minha calda balançava animadamente atrás de mim, até mesmo me corroía por dentro, tentando impede-la, o que obviamente não funcionou.

De repente, o guarda que estava na minha frente, invocou uma espécie de algema prateada...

Cuioso como isso também me é familiar, mas isso eu sei que é de um dos livros da humana.

- Isso impedirá você de usar qualquer poder - ele abriu o objeto e meus pulsos foram puxados como um ímã e colocados corretamente no interior das algemas que se fecharam logo em seguida.

Engraçado, é que aquilo não me serviria de nada, afinal, meus poderes não estão funcionando!

- Vamos! - disse ele, quase me puxando.

Não resisti, afinal, era aquilo que queria.

Comecei a andar atrás dele, não falamos durante o caminho inteiro até o que eu torcia ser o reino das fênix de fogo. 



sábado, 27 de setembro de 2025

🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 2 {UD-ESTÚDIO}

Acordei no colo de kall. Tinha certeza que ele teve uma visão do exato momento em que abriria os olhos, pois passou a me acariciar. 

Me sentei na cama e o olhei confusa.

- O que aconteceu? - Perguntamos juntos.

Kall até pensou em abrir a boca novamente e dizer algo, mas desistiu ao se dar conta de que nem eu mesma estava entendendo tudo aquilo.

- Bem... Eu te encontrei caída na floresta, desmaiada... - seu tom diminuiu.

Aquilo me era estranho, nunca havia acontecido nada parecido comigo.

Olhei para Kall, esperando a continuação depois daquilo, mas ele se manteve quieto, parecia está olhando para além de mim.

- Kall - chamei, torcendo para ser apenas uma visão e nada além disso.

- Você... Está diferente... - disse, como se tivesse sido forçado.

Não sou q pessoa mais santa, então iria fazê-lo falar uma hora ou outra, e me conhecendo bem, algumas vezes ele simplesmente desiste.

- Diferente? Como assim diferente?! - meu tom se elevou sem querer.

Kall desviou o olhar (talvez não tenha sido intencional) e acabou olhando para o espelho logo a frente.

Olhei para o espelho também, mas de onde eu estava, não dava para ver direito, então me levantei e fui até o espelho.

Ao me ver, tudo mudou dentro de mim: estava surpresa, mas chorando.

Eu deveria ter estranhado aquela leveza quando levantei!

Minha mente estava uma confusão de pensamentos. Queria entender aquela imagem no espelho... Queria entender aquela pessoa....

Não era eu, não podia ser, era muito diferente... Só poderia ser outra pessoa....

As asas brancas, que se destacavam em meio as minhas chamas, haviam sumido...

As chamas, que deveriam ser minha marca registrada, não existiam mais...

Estava uma mistura entre luz e escuridão, uma mistura igualitária, como já era antes, mas não havia o fogo... Não havia o meu elemento de origem! E nem minhas asas!

Cai de joelhos no chão, abraçando meu corpo, como se quisesse tocar as asas que não se encontravam mais alí.

O choque só aumentou quanto as lágrimas começaram a escorrer e uma dor surgiu de dentro do meu peito se espalhando por todo o meu corpo, até chegar no local que deveria ser minhas asas, e gritei.

Nunca havia chorando tanto quanto naquele momento...

Kall provavelmente sabia o motivo (ou era o que eu pensava), pois veio até mim e me abraçou... Me abraçou como nunca havia me abraçando antes...

- Vai ficar tudo bem - ele acariciou minhas orelhas que estavam baixas.

Como? Como vai ficar tudo bem? Era o que tanto queria perguntar, mas não consegui, o choro foi mais forte que eu.

Não sei dizer quanto tempo fiquei chorando abraçada a Kall, apenas que quando me acalmei, meu corpo ainda se mantinha cabisbaixo.

- Que tal um banho? - era a sugestão dele para tentar me acalmar ainda mais.

Não pude recusar.

Água nunca "apagou" nossas chamas, apenas diminuía um pouco, mas voltava ao normal quando saiamos do que nos molhava.

Quando tirei a roupa e me olhei no espelho, vi que não havia sinal de que alguma vez tive asas.

Entrei no chuveiro e as novas lágrimas se misturam com a água.

Fechei os olhos tentando entender tudo aquilo, mas nada me veio a mente.

Olhei então, para dentro de mim, e vi Luth e Escury, mesmo sendo as mesmas, elas pareciam confusas com alguma coisa, mas não falavam nada.

Abri meus olhos e olhei para cima. Finalmente havia parado de chorar, mas ainda sabia que aquilo poderia voltar a qualquer momento.

Decidi me sentar no chão. Era gelado, uma sensação que nunca havia sentindo antes.

- Mandy? Tá bem? - ouvi Kall chamar do lado de fora.

Olhei para a porta e comecei a pensar; eu e ele sempre fomos diferentes, ele sempre foi calmo e sorridente... E eu o oposto, sempre séria e explosiva, nunca entendi como tudo aquilo aconteceu.

- Acho que sim - murmurei para mim mesma.

Me encolhi e coloquei a cabeça no interior de meus braços. Fiquei assim por um tempo.

Quando finalmente decidi sair do banho, coloquei uma camiseta do Kall, uma das quais me deixa mais confortável.

Dei uma última olhada em meu reflexo e vi novamente aquele pessoa estranha.

Saí do banheiro e me deparei com um Kall balançando a cauda animadamente ao me ver.

- Parece um cachorro - disse tentando parecer animada...

Não deu certo. O que deveria parecer um sorriso forçado, logo se desfez.

Tive a sensação de que voltaria a chorar, mas isso não aconteceu. 

Me sentei ao seu lado e coloquei a cabeça no seu ombro, olhando para o nada do quarto.

- Certeza que você está bem? - ele perguntou, mesmo sabendo a clara resposta que estava em meu rosto.

Neguei com a cabeça.

- E... Sabe o que aconteceu com você? - neguei com a cabeça novamente em resposta.

O que ele esperava? Nunca tive resposta para as coisas que simplesmente acontece comigo...

Senti ele se deitar na cama e o acompanhei, deitando ao seu lado.

- Vamos achar a resposta... Vamos resolver isso... 

Mas kall... Como? 

Infelizmente, não tive coragem de dizer nada do que estava na minha mente.

Ficamos assim por um tempo. Kall acabou adormecendo, mas eu não consegui nem por um segundo.

Quando aquele silêncio começou a me torturar por dentro, decidi me levantar e ir procurar respostas por mim mesma.

Sai do quarto um pouco receosa. Afinal, se eu não estava me reconhecendo, o que meus amigos pensariam?

O Kall provavelmente deve ter me reconhecido através do poder da visão.

Consegui sair do prédio sem ser vista e voltei para a floresta.

Se tudo aquilo aconteceu lá, era lá que eu encontraria as respostas que precisava.

Refiz meu caminho até chegar no mesmo lugar que aquilo havia acontecido e olhei ao redor.

Não demorou muito para que eu me depare com a cerejeira, que anos atrás havia causado tudo aquilo na minha vida...

- Foi você? De novo? - perguntei, sem emoção alguma na minha voz.

Olhei para aquele tronco, esperando qualquer resposta que viesse, e mesmo demorada, ela chegou:

- Mandy Sall Lin, minhas ações são apenas o que seu coração pede.

De repente, flores começaram a sair da árvore e voar ao meu redor.

- A Fênix dentro de você, morreu e com ela as chamas de seu coração - era uma metáfora - mas todas as fênix renascem de suas próprias chamas, você apenas tem que saber como fazer isso.

As pétalas se soltaram das flores, e quando me dei conta, elas já haviam dobrado de quantidade e envolvido por completo.

- Arvilis... - disse tentando entender, mas logo não conseguia mais me mecher - Arvilis! - gritei em vão.

Minha visão ficou escura. Havia sido completamente envolvida por aquelas flores de cerejeira.

Não sei que lição ela queria me mostrar, mas não tinha certeza se aquele seria o melhor caminho.











quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Teatro:

 Considerações:


    * *: açôes que os personagens irão realizar (essas ações não necessitam ser  narradas ou faladas pelo narrador)


    ( ): observações/ideias sugeridas para deixar a cena melhor.


    Os personagens em si, serão representados pelo nome e um travessão indicando sua fala. Caso realize uma ação, será representada como foi dito acima: *e correndo, caiu* um exemplo não localizado no texto.


    Caso haja ato ou cena no roteiro, NÃO PRECISA FALAR QUE A CENA OU O ATO mudou!    apenas: os personagens da cena ou ato anterior saem do palco e entram os da próxima cena ou ato; mas isso não deve ser falado, apenas agido.


    ps: muito obrigado pela atenção, qualquer duvida ou acréscimo, por favor, me comunicar imediatamente.


    O Auto da Compadecida.

    (Roteiro teatral)


Cena 1


    (Seria bom que o cenário se parecessem com uma praça)


    *Chicó e João Grilo entram em cena segurando um balo*


    *Chicó olha ao redor desconfiado*


    Chicó - João, isso não vai dar certo! É cachorro! Nem gente é!


    João Grilo - Mas é justamente isso! Gente todo mundo enterra! Quero ver enterrar um cachorro!


    *Os dois continuam andando segurando o pano enrolado*


    Chicó - E se o padre brigar?


    João Grilo - Aí digo que foi o Major que mandou! Quero só ver ele ter coragem de negar!


    Chicó - E se o Major ficar sabendo?


    *Chicó solta uma mão que segurava o pano, desequilibrando os dois com o peso do animal enrolado no pano e coça a cabeça*


    João Grilo - Segura esse pano direito! 


    *brigou João Grilo, fazendo Chicó voltar a segurar o pano*


    Chicó - Mas e se o Major descobrir? 


    *Chicó pergunta de novo, como um sonso*


    João Grilo - A gente diz que foi o Bispo.


    *Chicó se espanta*


    Chicó - O Bispo?!


    João Grilo - Chicó, você ainda não entendeu? No sertão, a mentira só é feia quando não serve pra nada!


    Chicó - Eu já disse e repito: eu sou o homem mais besta desse mundo...


    *Os dois saem de cena ainda com o pano*


    (Após a saída deles, as cortinas se fecham e o cenário muda para se parecer o interior de uma igreja)


    *As cortinas se abrem, o padre e o Bispo entram*


    *O padre tira seu chapéu e coloca em cima de uma mesa*


    (O chapéu pode ser feito de papel, um emprestado de alguém, ou até mesmo o de palha da escola)


    *João Grilo entra em cena correndo até eles*


    João Grilo - Ô excelência, ô revência! Grande honra! Vim trazer um pedido muito... muito cristão!


    *João Grilo fala sem ar pela correria*


    Padre - E o que foi agora, João Grilo?


    *Perguntou o padre desconfiado*


    João Grilo - Um enterro!


    Bispo - De quem?


    *João Grilo sai de cena correndo e volta com o pano*


    *João Grilo abre o pano e revela o animal*


    (Pode ser um feito de papel, cartolina, ou até mesmo um bicho de pelúcia que alguém esteja disposto a emprestar)


    João Grilo - Do cachorro do Major!


    Padre - Um enterro de cachorro dentro da igreja? De jeito nenhum!


    *O padre faz um escandolo*


    João Grilo - Pois é... eu disse ao Major que o senhor não teria coragem... Ele ficou tão sentido... e disse que ia doar... uns bons contos de réis para a reforma do telhado.


    *João Grilo faz drama com pausas dramáticas, encenando uma tristeza grande.*


    *O Bispo aperta o braço do padre* 


    Bispo - O telhado está mesmo caindo, meu filho...


    *O bispo aponta para o telhado*

    

    *O padre olha para o telhado e se corrige*


    Padre - Bom, se o animal era do Major... Deus também ama as criaturas...

    

    *Chicó entra no exato momento que essa frase é dita e olha incrédulo para a plateia*


    Chicó - Eu digo e repito: O mundo só presta pela metade!


    *E as cortinas se fecham*


    Cena 2


    *As cortinas se abrem, dessa vez o cenário deve ser o enterro do animal*


    (Podem fazer uma cruz de papel e o um montinho de pano para sinalizar a cova)


    *Som de tiros assusta todo mundo e Severino entra, apontando a arma para todos*


    (A arma pode ser feita de papel para não influenciar, ou uma daquelas que são de brinquedo de dardos, sem os dardos, caso alguém tenha e esteja disposto a emprestar)


    Severino - Quietos aí! Quem manda agora sou eu!


    Podre - Misericórdia!


    Bispo - Ave Maria!


    *Os dois dizem, erguendo as mãos*


    Severino - Quero todo o dinheiro do Major! E rápido! Antes que eu mande vocês para o além!


    *Após a frase, João Grilo cochicha algo para Chicó*


    (Para ficar mais realista, a pessoa que irá fazer o papel do João Grilo pode pensar além da mentira, pode contar até mesmo alguma coisa aleatória que realmente deixe o outro com reações simples e compreensivas)


    Chicó - João, não inventa moda não! Esse aí mata sem pensar duas vezes.


    *João Grilo sorri de lado e se aproxima de Severino de maneira exagerada*

    

    João Grilo - E é por isso que pensei três vezes!


    *João Grilo olha para Severino*


    João Grilo - Capitão Severino, o senhor é homem sabido. O Major deixou dinheiro escondido na sacristia. Se o senhor deixar eu buscar, metade é sua.


    *Pela ideia que claramente foi idiota, Severino aponta a arma para João Grilo*


    Severino - E se você tentar me enrolar?


    *João Grilo abre e ergue os braço*


    João Grilo - Olhe para mim. Magrelo desse jeito... Se eu correr, o vento me leva!


    *Severino dá um sorriso curto, mas logo se recompôe*


    Severino - Vai, mas se demorar... Mando o Chicó pro inferno primeiro!


    *Chicó treme de medo*

    

    Chicó - Eu digo e repito: É melhor ser covarde vivo do que valente morto!


    *Chicó diz olhando para a plateia*


    *As cortinas fecham novamente*


Cena 3


    *Antes da cortina se abrir, sons de tiros são ouvidos*


    *Quando as cortinas se abrem, Severino e João Grilo cai no chão se fingindo de morto; João Grilo estava retornando da sacristia.*

    

    *O padre e o Bispo se benzem*


    *As luzes começam a piscar e o Diabo entra*


    (Para as luzes, pode ser comunicado com a diretoria, que, caso não queiram fazer com que pisquem, apenas apaguem e deixar uma fraca iluminação através das lanternas dos celulares dos alunos ou professores.)

    

       Diabo - Que maravilha! Dois fregueses fresquinho: Severino e João Grilo. Um ladrãozinho esperto e um cangaceiro sanguinário! Hoje o inferno vai ter festa!


    *Severino abre os olhos e murmura ainda caído:*


    Severino - Mas eu só fazia o que a fome mandava!


    *O Diabo da uma risada alta*


    Diabo - A fome manda, mas a bala obedece!


    *João Grilo se levanta devagar e olha para o Diabo*


    João Grilo - Olha, posso enganar: Padre, bispo, até cachorro... mas nunca derramei sangue de ninguém!


    *Compadecida entra em cena com manto claro*


    (O manto pode ser um vestido branco)


    Compadecida - Basta! Quem são vocês? Para serem condenados rápido.


    *O Diabo passa a ser desdenhoso*


    Diabo - Eu sou dono da metade do sertão!


    Compadecida - E a outra metade é feita de fé, esperança e riso!


    *Compadecida interrompe o Diabo e depois olha para Severino*


    Compadecida - Você pecou, mas foi fruto da miséria e injustiça.


    *Ela olha para João Grilo*

    

    Compadecida - Você enganava, mas com astúcia contra os poderosos, nunca por maldade.


    *O Diabo se revolta e levanta o tom de voz indignado*


    Diabo - Esse povo pobre sempre escapa!


    Compadecida - Por que Deus olha com mais carinho para aqueles que sofrem. Os dois terão outra chance.


    *E as cortinas se fecham*


Cena 4


    *As luzes voltam ao normal antes das cortinas reabrirem*


    *Chicó e João Grilo acordam no chão da igreja assustados, não tinha mais ninguém, só eles*


    Chicó - João, a gente morreu?


    João Grilo - Morreu, mas já tá vivo de novo...


    Chicó - E como é isso?


    João Grilo - Isso só prova que no sertão até a morte é desarrumada...

    

    *Eles se levantam*


    *João Grilo olha para Chicó, tentando entender, já que, quem havia morrido com ele havia sido Severino*


    *O padre e o Bispo entram em cena, discutindo sobre o telhado*


    Padre - Precisamos decidir logo essa reforma!


    Bispo - Reforma? Primeiro a do bolso! Isso sim!


    *Severino entra em cena, olhando para o público*


    *Severino dá um suspiro e cruza os braços*


    Severino - Não sei se tô vivo, morto ou sonhando. Mas sei de uma coisa: mais difícil que a vida de cangaceiro, só a vida de pobre...


    *Compadecida aparece no canto do cenário, olhando para os homens com ternura*


    *Compadecia olha para o público e faz sinal de silêncio*


    *João Grilo puxa Chicó para perto*


    João Grilo - Bora correr, Chicó! Antes que inventem outro milagre e a gente se enrola de novo!


    Chicó - Eu digo e repito: Se eu correr o bicho pega, se eu ficar o bicho come... 


    *Chicó diz isso olhando para a prateia*


    *Depois, Chicó olha para João Grilo que o puxava*


    Chicó - Mas se eu for com você, João, eu vou correndo!


    *Os dois saem de cena correndo, tropeçando nos próprios pés*


    *Após isso, as cortinas se fecham, quando se abre, Compadecida está no palco*


    Compadecida - "No sertão. a esperteza é defesa, a coragem é rara, mas a compaixão... essa é eterna."


    *As cortinas se fecham novamente e se abrem com todos os personagens em cena, já dispostos para despedida*


    



🐦‍🔥 Querida Fênix 🐦‍🔥 - parte 1 {UD-ESTÚDIO}

Acordei chorando. 

Ou era isso o que eu pensava...

Tudo ainda estava escuro. Eu estava no interior da minha mente, sendo apenas uma espectadora dos meus três elementos:

- E vocês querem que eu faça o que? Eu não controlo isso! não tem nada haver comigo! - Disse a Mandy de fogo.

Eu tenho três elementos importantes que me tornam quem sou... E uma dia, no meio do odeio que sentia por ser uma híbrida, os separei, e agora, esses três elementos são como personalidades que se fundem para se tornar uma só (sendo essa, eu) com mais de um elemento e personalidade.

Eu sei, é estranho de pensar, até mesmo eu não entendi por um tempo, até que assisti uma animação com a humana, em que acontecia algumas coisas parecidas.

Mas nada disso vem ao caso no momento... A Mandy de fogo (que vou apelidar carinhosamente de Fogh para que não se confundam) estava com suas chamas maiores que o normal. 

- Você é uma loba de fogo! Pode muito bem controlar isso! - dessa vez foi a Mandy da escuridão.

Para facilitar seu entendimento, irei explicar o papel de cada uma delas: Fogo (Fogh), Escuridão (Escury) Luz (Luth).

As três, pra começo de conversa, são um trisal, mas isso não vem ao caso.

Fogh é considerada a lider, pois é meu elemento de origem, antes de virar uma híbrida e adquirir os demais. Ela sempre mantém o controle, as vezes é calculista e expressiva, mas normalmente é animada.

Escury, por sua vez, mesmo sendo o elemento escuridão, ela é a extrovertida das três, e muito habilidosa em lutas corpo a corpo, disposta a ganhar em qualquer coisa. Surpreendente, também é a mais calma, considerada "paz e amor".

A Luth mesmo sendo introvertida e mais na dela, também é pavio curto. Ela consegue manipular algumas coisas com apenas palavras e olhares, não precisa de muito para ter medo da menininha do grupo, mesmo que Escury seja mais "masculina" entre as três e Gogh fique entre elas. 

Explicado o suficiente por agora? Então vamos voltar a discussão das três:

- Se você não notou, não sou completamente uma loba de fogo! E já faz muito tempo! - Fogh gritou, explodindo em chamas.

Luth entrou na frente de Escury e projetou um escudo de luz que impediu as chamas de alcançarem as duas.

- Você tem que se acalmar Fogh! - disse Luth em um tom de bronca, após abaixar o escudo.

- Já que não entendem, vão se ferrar! - e saiu andando para longe.

Luth e Escury sempre foram mais próximas do que as três em si. Afinal, elas são os Yin Yang, a junção de elementos mais fortes de todos.

O Yin Yang representa os opostos, mas também representa água, o que só facilita a teoria de "os opostos se atraem", mas Fogh sempre teve aquela de "único elemento original", não na maldade, disse é certo, mas era a única coisa que conseguia se afetar quando envolvia o "fator híbrido".

Vamos levar em consideração que por muito tempo não soube qual era minha segunda espécie, mas quando descobri, as coisas se tornaram... Digamos, diferentes...

Foi ao terminar aquela briga, que meus olhos se abriram, era uma só, mais uma vez. 

Antes de levantar da cama, olhei ao redor, estava com as asas abertas sobre a cama, ocupando um espaço que deveria pertencer a Kall...

Falando nisso, a onde ele estava?

Me sentei na cama e dei um suspiro frustada. 

No mesmo instante, minhas asas se encolheram, em um tamanho que dava para conviver, já que não gostava de deixa-las fechadas.

Me levantei, mesmo querendo saber a onde Kall havia se enfiado dessa vez, estava com um péssimo humor (coisa que é comum, tenho que admitir) para fazer qualquer coisa.

Desci para o térreo do prédio que consistia em dois universos: um para os místicos e outro para os humanos, as vezes esses universos se misturavam para que possamos interagir com nossos humanos, mesmo que na maioria das vezes possamos fazer isso entrando em suas mentes.

Não gosto muito de ficar trancada dentro de um prédio, então sai para a floresta. Talvez com um pouco de esperança de encontrar Kall, mas não havia ninguém no prédio no momento. Talvez tenham ido para o universo humano...

Adorava aquela paz, mesmo que meu rosto não demonstrasse isso.

Estendi minhas asas e passei a me erguer no ar, até que me encontrava voando.

Voei por toda a floresta, as vezes mergulhava e desviava das árvores, outras vezes pairava sobre elas...

Mas de repente, minha visão mudou, soube que meus olhos estavam completamente vermelhos (e são pretos) e que estava vendo pelo ponto de vista de Fogh.

Me assustei com uma coisa que vi... Era fogo por toda parte e acabei caindo no chão...

Normalmente não me assustava com uma simples visão de outro universo, mas aquela não era normal! 

Tentei me levantar e voltar a bater minhas asas, mas não deu certo, meu corpo estava muito pesado...
 
Confusa, olhei para o par de asas brancas que deveria ter; mas não eram mais as mesmas... As penas estavam em chamas, que subiam cada vez mais, deixando o rastro de cinzas por onde passava...

Cai de joelhos no chão e comecei a gritar... Não soube o exato motivo para aquilo, não era dor, mas sim a confusão que sentia me fez reagir daquele jeito...

Não sentia dor física e nem angústia... Talvez fosse mental, mas nunca senti nada por aquelas asas que sempre me trouxeram ódio por me transformar em "um monstro".

Eu continuava a gritar e lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. 

Então era tristeza? Mas por que? Eu não entendia direito...

Até que de repente, tudo se escureceu... Talvez aquilo tudo não importasse mais... Não importava se envolvia meus elementos ou não... Apenas que me acalmei de algum jeito que desconhecia.


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Sentimentos

Promessas vazias... Lutas sem vitórias...

Quem diria que um dia iria me cansar de tudo? E transformar tudo em um dia monótono.

Várias vezes lutei. Depositei tudo de mim...

Fiz isso para quem amava e que no fim apenas me sugou para dentro do abismo. 

Percebi que mesmo rodeada de pessoas, sempre me encontrava só.

Já tive amigos, sim... Pelo menos é o que eu acho. E se nunca me consideraram uma amiga?

Eles vão e vem, como as folhas de uma árvore. Acho que nunca tive amigos raízes.

Eu insistia para manter uma amizade que já havia morrido. 

Levava coisas e as pessoas tinham interesses. Talvez fosse aí que errei.

Sempre fui certinha de mais para todos alí e no fim, não dava certo.

Sabe que até os que são considerados certos no mundo, tem suas falhas? Sendo elas as que ninguém perdoa.

Tenho medo... De que tudo volte a acontecer.

Já amei, sim... A última vez, acabou criando uma ferida tão grande, que me esforço para cicatrizar. Mas nem isso resolve não é? Ainda haverá as marcas do passado.

Mas hoje em dia. Decidi uma coisa que pode me prejudicar no futuro... Taquei o foda-se para tudo.

Não estou lutando para recuperar as amizades que se afastaram sem explicações. 

Lutar para que? Se sempre vai acontecer a mesma coisa comigo de qualquer jeito, sendo agora ou depois...

Não sinto mais essa necessidade.

As pessoas podem falar comigo, mas não sinto o afeto que sentia em uma dia normal.

O curioso é: quando eu começo a falar, sou deixada de lado.

Passei a falar de mais para não ser esquecida... Mas daí sou a errada por tal...

Passei a me manter em silêncio, mas daí, não me deixam manter tal silêncio... E quando abro finalmente a boca, sou a errada.

As vezes, quero falar, mas sei que não vou ser ouvida...  Passei a fazer as coisas por ações... Mesmo sabendo que ninguém irá vê...

Gosto do silêncio, e fujo do barulho, mas ele vem até mim...

Quero ficar sozinha... Sozinha mas acompanhada...

Não me importo mais...

Não me importo mais com nada pra falar a verdade...

Já me torturei muito... Hoje em dia, não sinto mais nada, por mim nem por ninguém... Pelo menos, não agora... Quem sabe algum dia eu volte a sentir?

Talvez eu saiba fingir bem o que sinto... As pessoas me vêem pulando, dançando, cantando, falando, sonhando... Mostrando tudo o que sou... Mas não estou sendo verdadeira...

Não sinto o mesmo prazer que sentia antes... Mas mesmo assim faço, pois essa deveria ser eu...

Quando paro e me permito ficar parada, começo a pensar, e meu corpo sente vontade de chorar, sente raiva pelo passado... Mas minha mente não... Não sinto nada, nada me afeta... Nem palavras e nem ações...

Se entrou na minha vida e promete ficar... Desculpa se não me animar... É que sei que não vai durar, como nunca durou...

Minha mente desistiu de continuar tentando... Acho que se acalmou após tanto chorar...

Junto dessas lágrimas, foram meus sentimentos...

As vezes, vejo os carros passando... E meu corpo não se move quando penso em ir para frente... Acho que isso é bom... Talvez seja 
... Não sei... Deveria ser?

Apenas quero existir por um tempo... Acho que não faz mal... Vou tentar aproveitar o momento... Mesmo que não tendo mais a felicidade que me roubaram...

Talvez algum dia eu posso sorrir de novo, com brilho nos olhos que nem era antes de tudo acontecer.

Mas nesse caus, vou ver o que posso fazer, talvez com a mente ocupada eu esqueça o passado que roubou meu ser. Vou tentar coisas novas e ver se fico feliz, triste ou com raiva novamente...

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Nuvens

Um amigo, um companheiro, um colega. Ainda não sei como chama-lo. Mas de uma coisa é certa, essa ideia surgiu dele. 

Ele me pediu para desenhar uma nuvem, uma um tanto peculiar. Não entendi, mas minha imaginação conseguiu capitar e ver como seria.

Logo descobri o motivo por trás daquilo, pelo menos, acho que é isso. Um texto, um reflexivo.

As nuvens fazem refletir mesmo.

As vezes, quando chove, fico pensando que são seres vivos.

Sei que tem o lado científico para isso, como tem para várias outras coisas. Mas eu quero usar outros óculos.

As vezes pessoas acham errado usar os óculos da imaginação na minha idade. Mas eles me deixam feliz e não preciso de droga nem uma para isso... Não preciso enganar algo que roubaria minha felicidade no dia seguinte.

De toda forma. As nuvens, ao chover, as levo como pessoas chorando. Quando há uma tempestade, é porquê não aguentavam mais. 

Sendo feitas de água, eu penso: até elas tem problemas...

E como em nós, também acomula todo o sofrimento que está sentindo, até não consegui suportar mais nada e desabar em lágrimas. 

Esse é o jeito dela de desabafar um pouco. Ninguém suporta tudo o que está passando para sempre.

Raios e trovões, podem ser levados como brigas, para depois vir aquele choro incontrolável.

Até mesmo quando começa e para a chuva várias vezes, penso que são como eu, que pensam várias vezes no que as incomodam e quando pensam que acabou, pensamentos similares retornam.

As vezes prefiro que elas existam, mesmo que sejam branquinhas sem nem uma gota de remorso, apenas pintando o céu azul com seu branco significativo.

O Fazio, aquile céu sem nem uma nuvem, me deixa triste, me faz pensar que estou sozinha nesse mundo. Um mundo que me aprisiona vários segundos por minutos, várias minutos por hora, várias horas por dia, vários dias por semana, várias semanas por mês, vários meses por anos, e assim se segue pela minha vida. 

Já estive sozinha várias vezes, não conseguiria pensar que aquelas nuvens iriam mais pintar. 

O seu branco simboliza uma esperança de que tudo vai passar. É uma calmaria após a tempestade.

Acredite, já chorei tanto quanto essas nuvens que hoje choram em meu viver. As vezes minhas lágrimas se misturaram às suas gotas.

Hoje em dia, de tantos sentimentos que poderia sentir, a tristeza ainda está por perto, apenas esperando para se tornar uma nuvem de tempestade dentro de mim.

Queria voltar a sorrir de verdade, amar de verdade. Mas me tiraram isso quando menos percebi.

Mas não irei tirar minha vida, não farei esse favor para ninguém, mesmo sabendo que não sentiriam minha falta, do mesmo jeito que não sentem de uma tempestade.

Irei dançar na chuva, sujar minha roupa de água barrenta sem me importar com nada! 

Vou fingir que tenho tudo o que sempre quis, enquanto dentro de mim, a tempestade não some.

As lágrimas escorrem do meu rosto, junto as gotas de chuva.

Serei a nuvem de tempestade que todos esperem de mim, mal sabendo que aquela nuvem pode está do lado do sol. Mal sabendo que aquela nuvem, que aquela chuva, pode se tornar um belo arco íris se permitir.

domingo, 21 de setembro de 2025

Girassol

Esses dias, peguei um girassol no escola.

Um girassol de verdade. Assim, de repente!

Por que? Bem, não tive um motivo ao certo, mas algo me disse "leve".

A questão é: eu não sou boa com plantas!

Minha mãe e minha avó são, disso eu não nego.

Mas mesmo assim, o peguei.

O coitado já estava morrendo... também, deixaram ele em uma sala fechada sabe-se lá por quanto tempo!

Ele fazia parte do setembro amarelo. Curiosamente, hoje é dia 21 de setembro, deve fazer uma semana que resgatei.

Meu objetivo era dar para a minha avó, e ver se ela conseguiria "ressuscitar" o coitado.

Mas sabe, no fim, eu estou lutando por isso também.

Havia dado um nome e sobrenome para ele, mas nesse momento não me recordo, apenas sei que o apelido é Solzinho, o que também me lembrou do Alessandro de "Os Segredos do Estúdio".

Mas sabe, existe uma coisa chamada "sentido" e outra chamada "significado"; o que eu quero dizer com isso? Bem, deixa eu te explicar melhor: para mim, essas duas palavras se misturam.

Ao ver aquele girassol querendo morrer por falta de liberdade, acabei pensando em algumas coisas profundas sobre a vida:

Se aquele girassol consegue se reerguer, voltar a vida, por que uma pessoa que pensava está no abismo não conseguiria também?

Não é atoa que ele se chama girassol não é mesmo? Ele gira com forme o sol, ele precisa de seus brilho. Como nós precisamos do brilho de Deus e assim nos tornamos pessoas tão belas quanto um girassol.

Ele pode não ter flores, mas ele é uma flor única, grande e bela, não precisa de mais ninguém para ser perfeito.

Tem pessoas que não sabem cuidar de um girassol, como também tem pessoas que não sabem cuidar de um coração...

Mas sabe de uma coisa? Quem quer cuidar, vai atrás de aprender!

Girassol precisa de água e Sol, não adianta lhe deixar na sombra.

Um coração, precisa ser amado, mas é delicado e tem que ter os cuidados certos.

Agora entendo porque as pessoas tatuam um girassol em sua pele, é uma das flores que simboliza esperança, por isso está no setembro amarelo não é mesmo?

As pessoas ainda podem viver e ser tão brilhantes quanto o Sol, ou melhor, ser guiadas por ele, assim como é o girassol.

Sei que a vida derruba várias vezes, assim como o vento faz com um girassol e outras plantas. Mas, me diga, vai deixar mesmo que isso continue?

Poxa vida...

Eu caí tanto, que as vezes me pergunto se ainda tenho um coração que possa ser quebrado novamente.

Mas depois, vejo pessoas que sofreram mais do que eu, algumas nem estão mais entre nós.

Sei que cada um lida com alguma coisa do seu próprio jeito e eu não sou ninguém para mudar isso, mas você pode mudar sua própria vida.

Quando peguei aquele girassol quase morto, sem saber nada de plantas, com apenas um objetivo: vou fazê-lo florescer. Eu me vi fazendo isso com minha própria vida.

"Se eu consegui fazer ele flores, quer dizer que eu consigo superar o que estou passando" foi o que pensei.

Acredite, isso não mudou. Não muito.

Na verdade, descobri que não precisa ser exatamente o girassol que vai me erguer, mas sim eu mesma, com pequenos passos que me satisfazem, ao invés de me aprisionar em um mundo de pensamentos.

No fim. Se eu estou conseguindo me reerguer de uma queda que considero grande, as pessoas também vou conseguir, basta lutar!

Rege seu próprio girassol, sendo esse seu coração! E a água? Ela é o que você gosta! Não importa o que é! Apenas faça!

Eu saberei que você está conseguindo e que eu também estou, quando aquele meu girassol voltar a ter cor! E eu, vou me esforçar para que isso aconteça! Faça o mesmo.


sábado, 20 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 10 - fim {UD-Estúdio}

De repente tive uma ideia e olhei para Mandy. Mesmo sabendo que ela não pode ler minha mente, balancei a cabeça, imaginando que ela iria entender.

Como o imaginado, ela se levantou no ar e ergueu a mão. Não demorou para que imagens de mim aparecessem diante de nós.

Eu estava sozinha, comendo algo.

Depois, a imagem mudou para uma sala de aula. E novamente, estava sozinha.

- Nunca vamos deixar de ser amigas! - uma voz feminina, que não era a minha, foi ouvida.

Eu estava do lado de uma menina e de um instante para outro, fiquei sozinha de novo.

Quando a imagem mudou para sala de aula, começou a surgir murmúrios indecifráveis ao nosso redor. Eu, pelo menos a da imagem, coloquei fones de ouvido.

Em outra, eu estava animada, pulando.

- Vou andar de bicicleta com uma amiga!

De repente, ao confirmar, essa mesma amiga cancelou com uma desculpa em cima da hora.

De um instante para outro, eu estava rodeada de amigos e de repente, sozinha de novo e dava para ouvir murmuriosos ao redor, algumas vezes tinha certeza que era sobre mim que falavam.

- É por isso que não tem amigos - ouvi a voz da minha mãe, misturada com outras vezes.

Quando me dei conta, a imagem mudou para uma que traumatizou minha vida...

Era minha mente, eu reconhecia a escuridão que a imagem representava.

- Você não é boa o suficiente - ouvi o eco das palavras.

Atrás dessa, veio outras, eram meu próprios pensamentos me torturando:

- Você nunca vai ser aceita. Nunca vão me entender - dizia continuamente.

- Seja mais feminina - ouvi a voz da minha avó.

- Não quero mais viver... - e de repente tudo se apagou.

Eu estava sentindo raiva de mim mesma, mas também sentia minha garganta fechada, como se pudesse cair no choro se me permitisse.

- Não posso ser seria... Que estou errada... Não posso ser divertida que estou errada... - os ecos continuaram, sem imagem alguma - não posso ser eu mesma...

Já não aguentava ver aquelas lembranças. Não aguento ver o erro na minha frente, não aguento ficar calada, tenho que falar, nem que seja para alguém que não ouve:

- Foda-se o que os outros acham! - gritei e todos me olharam.

Não liguei para os olhares, estava olhando fixamente para a imagem na minha frente, que se despedaçou como vidro.

De repente, aqueles pedaços se reconstruíram e mostraram uma imagem, que me recordo bem de ser uma foto no estúdio: estava eu, Kalleb e meus amigos. Depois mostrou outra, os místicos estavam também.

E assim foi; mostrava imagens de mim e Kalleb. De Benny e eu. Sempre alguma diferente, e a melhor parte, era que eu estava feliz em todas.

Minha felicidade várias: entre caretas, risadas, sorrisos largos e pequenos, alguns só eram demonstrandos por olhares; mas ainda assim, era meu jeito de demonstrar felicidades.

- Eu sou diferente - ouvi minha voz - e quer saber? Que se foda! Eu sou assim! Todos nós somos! E não vou deixar de ser! - uma imagem minha apareceu.

Estava sentada na cama, seria, até que de repente, se levantou e ficou de pé sobre a cama.

- É isso o que me define! E te define! - ela apontou pra gente, como se soubesse - então não ligue para o que dizem e apenas seja você! - ela pulou para o chão - caia e se levante! Você é mais forte do que pensa.

Ela se aproximou e encarou todos nós, com uma sorriso de alguém que realmente queria ajudar.

- Você sabe que é capaz - e piscou um olho.

Aquilo fez com quem a imagem sumisse.

Mandy voltou a pousar e olhou para mim, que também não entendia o que havia acabado de acontecer.

Mas quer saber? Eu não ligo! 

Estava feliz e era isso o que importava.

Olhei para minha versão, que se desvencilhou de meus braços para assistir.

- Seja feliz, verdadeiramente feliz... - foram minhas únicas para até sentir algo diferente.

Minha visão ficou branca, não sabia ao certo o que aquilo poderia significar, mas aquilo não me importava, mas sim o fato que consegue passar aquilo que precisava.

Torci com todas as minhas forças para ter conseguido ajudá-la, mesmo que de uma maneira totalmente estranha.

De repente, acordei em um pulo, estava sozinha em uma cama. Olhei ao meu redor e percebi ser a cama de Kalleb.

Fiquei feliz e voltei a deitar, olhando para o teto sem nem um motivo.

Aquilo pareceu com um sonho, mas eu sabia que havia sido real, afinal, não era a primeira vez que acontecia.

Já conformada com o fato de ter ido para outro universo, me levantei e me dirigi para a saída do quarto. Parei na porta, sentido algo diferente.

Tinha duas sensações: de que tudo havia sido resolvido e a de que estava sendo observada por alguém.

- Eu sei que é você... k... - deixei a letra solta no ar.

A pessoa que me observava, sabia muito bem que era ela com quem eu falava, não precisaria de mais nada.

Com tudo aquilo, eu não tinha muita certeza de onde vinha, mas sabia que era de longe,  só não o quão longe era.

Com sorriso malandro no rosto, um que logo se tornou um sorriso simples e sincero, desci para o andar de baixo do estúdio e fui direto para a cozinha.

Todos estavam lá, conversando e comendo alguma coisa. Talvez eu tivesse dormido de mais, não tinha certeza, mas aquilo não importava.

Fui até Kalleb e me sentei ao seu lado, colocando a cabeça em seu ombro. Havia chegado mais uma vez a minha hora de observar o desenrolar de algo, mas dessa vez, era escolha minha assistir tudo aquilo.


Diferenças

Sempre me olhei em um espelho quebrado. Era assim que eu era, cheia de defeitos. 

Mas quem não é? Não é mesmo? 

No fim até hoje os tenho. Sou diferente das pessoas ao meu redor e por tal, fico só.

Cansei de ter que escolher por causa das pessoas, que me dão escolhas manipuladas para minha mente.

Não sou adolescente igual aos demais. Sou uma criança. Sou um adulto.

Não sou homem e nem sou mulher. Mas ao mesmo tempo, sou os dois.

Não gosto de homem e nem gosto de mulher. Mas ao mesmo tempo, me apaixo pelos dois.

Vez ou outra me pego olhando para onde não devia e pensando o que não devia de alguém.

Os olhos falam mais que a boca. Isso é curioso. Pois nem sempre se entende o que eles nos dizem e ficamos para trás.

O que pensamo de alguém, deixou de ser julgavel e se tornou algo compreensível. Passei a conhecer as pessoas afundo, sem me importar, mas sim respeitando suas diferenças. 

Diferenças essas, que me deixam com orgulho, pois não consigo libertar as minhas.

Enquanto algumas pessoas tem coragem de usar o arco-íris dentro de si, tenho medo se vão entender.

As vezes, até a personalidade se é colorida. As pessoas tem lados que outras não conhecem; as vezes, pode ser mais velho do que a idade que demonstra... As vezes mais novo...

Quem diria que ler tanto levaria a escrita?

Quem gosta tanto de trabalhar? De ajudar as pessoas e não ganhar nada em troca?

Ser ruim e boa em algo? Fazer só por fazer. 

Aquela pessoa que apenas existe?

É tão errado ser um nada na vida? E se destacar sem querer?


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 9 {UD-Estúdio}

- Você não é a única que sofre com o passado- disse Mandy de repente.

Mandy reabriu suas asas, que em um piscar de olhos foram de brancas para pretas. Levantou vôo com um bater de asas fraco, que levantava a poeira do chão.

Havia alguma coisa diferente, apenas não sabia dizer o que era.

Ergueu sua mão e reativou seu poder, mas dessa vez, estava nítido do que se tratava: era suas lembranças...

- Uma rainha não deveria ser uma híbrida - o som ecoou como era os pensamentos.

De repente apareceu Mandy na visão, andando por um pequeno campo, que ao redor havia uma floresta.

- E se foi ela quem causou o desastre? Híbridos não deveriam existir - ecoou uma outra voz.

Junto dessa voz que eu não conhecia, veio um flash de Místicos conversando.

- Nesse ritmo o yin yang vai misturar e ela vai despertar o elemento cinzas - mais outra voz.

De repente tudo ficou escuro, ela havia fechado os olhos.

- Essa garota é mal caminho - ela passou por um casal.

Não era a Mandy de hoje em dia, aquela não tinha as asas e nem os elementos luz e escuridão... Mas a personalidade era a mesma.

De um instante para outro, a memória mudou. Ela já era a Mandy que conheço. Estava na frente de um castelo.

- Fique longe do príncipe! - disse um guarda - ele nunca tocaria em um monstro como você!

- É culpa dele eu está assim! - era pensamentos novamente, mas deu pra ouvir até mesmo sua fúria.

A expressão de Mandy havia se fechado ainda mais do que já estava. Sua chamas aumentaram a um ponto que poderia queimar o guarda, que era um lobo de fogo, assim como ela.

Mandy olhou para o guarda, que se pôs em posição de ataque.

- Se meche que eu te mato! - disse o guarda.

Mandy apenas virou a cabeça na direção dele...

Deu para vê ela o matando de várias formas diferentes, até que de repente ela se distraiu com um som:

- Não olhe para esse monstro filho! - era uma mãe tentando tampar os olhos do filho.

Foi aí que ela se deu conta que seu corpo, cabelos, caldas e asas, estavam completamente pretos.

Sem mais nem menos, a imagem mudou. Pra uma em que Mandy estava toda manchada de sangue, não dava para saber se era seu ou não.

- Por que você tem tanto sede por sangue? - uma voz ecoou.

Aquela Mandy parecia ter ouvido e virou a cabeça tentando ver quem foi que falou.

- Mas, não fui eu - ela disse.

De repente um som soou tão alto que todos tamparam seus ouvidos... Inclusive a da imagem, que gritava de dor e junto, suas cores alternavam.

- Algum dia você vai matar alguém! - ouvimos alguém gritar.

- Você não é digna! - nessa a imagem mudou.

Mandy estava ajoelhada no chão, dessa vez dava pra saber que o sangue lhe pertencia... Havia penas brancas em suas mãos...

- Levante seu monstro! - e a cena mudou de novo.

Lá estava ela mais uma vez no reino, de frente para o castelo.

Dava para ver que ela não tinha raiva em seu olhos, apenas sangue e ematomas, mas mesmo assim se levantou, cambaleando mas se levantou.

- Que garota estranha - a imagem voltou para a loba sem asas andando, antes de se apagar na escuridão.

Mandy, aquela que voava no centro, olhou pra mim e para a Amanda me meus braços.

- Mas sabe o que eu fiz? - sua cabeça se ergueu convencida.

A imagem voltou a aparecer, dessa vez com Mandy de repente para um espelho que ela quebrou com um soco.

- Se é o monstro que vocês querem, é o monstro que vocês vão ter! - afirmou ela, que socou o espelho outras vezes.

Suas mãos já estavam sangrando quando o espelho se despedaçou em sua frente.

A cena logo se voltou para uma floresta, em que Mandy se esforçava para aprender a controlar seus poderes de híbrida.

- E nunca estive sozinha - falou a Mandy que se encontrava no ar.

De repente, apareceu Kall ao lado da Mandy da imagem, com um sorriso de orelha a orelha.

Apareceu também eles treinando juntos; Kall ganhava de todas as vezes, mas seu risso ela de felicidade e não de vitória.

Quando se deu conta, um tempo havia se passado e logo Mandy ganhou de kall, mas havia outra pessoa por perto.

Não demorou muito para que eu reconhecesse o lutador vendado que estava ao lado deles; era Kalleb se desafiando mais uma vez...

A imagem mudou de novo, dessa vez, havia 3 místicos em posições de corrida.

- certeza que não quer desistir Mandy? - perguntou um que se parece com um demônio.

- Por que você não desiste? Enquanto dá tempo - com isso, ela abriu suas asas.

Os três levantaram vôo e voaram por cima da floresta em uma corrida. Mandy ganhou e se sentiu a melhor.

Outra imagem, era dela com filhotes de místicos, alguns eram híbridos, assim como ela; eram poucos, mas amavam ouvir o que ela tinha pra dizer. 

Mandy se desafiava com aquilo, não ligava para mais nada.

Em uma outra, ela estava de frente para o OE (Orfanato Escola) de Kalleb, em posição de ataque.

- Não encoste na minha família! - gritou ela.

Todos sempre gostaram do OE e consideram as pessoas como parte da própria família.

E assim as imagens se desfizeram diante de nossos olhos. 

Mandy me olhou, e eu soube naquele instante que ela estava aliviada com o que fez, e eu orgulhosa por ela ter nos mostrado um pouco de sua dor.




Nossas realidades - pt 8 {UD-Estúdio}

De repente imagens começaram a surgir, borradas, como se estivessem sendo apagadas aos poucos. Juntos dessas imagens, tinha vozes, frases soltas, sem a conversa completa:

- Eu posso falar de tudo - disse uma voz feminina - Eu não consigo mais falar... - ela se contradisse.

 Com o tempo entre as falar e a mudança de imagem, dava para ver que se tratava de tempos diferentes.

Mandy continuou e todos assistiam, mesmo que nem tudo dê para compreender, todos prestavam atenção:

- Promete sempre ter um dia diferente? - a voz feminina voltou - e a promessa de um dia diferente? - e mudou.

Conforme ouvia, fui reconhecendo a voz.

Olhei para a minha outra versão e percebi que estava quase chorando.

Era ela... Era dela... São as memórias dela... As visões que eu tive, só que no ponto de vista de Mandy...

E foram continuando e continuando:

- Eu vou te engordar - dessa vez foi uma voz masculina.

- Prometeu, mas nunca fez nada pra cumprir - era a voz que identifiquei como a de Amanda, mas tinha um tom diferente, como se fosse um pensamento.

Algumas vezes, as frases de Amanda surgiam como eco, repetindo várias vezes, em um tom baixo, como se fossem usadas para torturar propositalmente.

- Você não confia em mim desde aquele dia! Você nunca mais confiou! - era Amanda, mas tinha um jeito diferente, a voz parecia baixa por fora, mas era como se por dentro, fosse um grito.

De repente, eu me senti sufocada quando a voz masculina voltou a falar; suas frases eram como facas perfurando o meu coração.

- Eu falava... Falava... Mas parecia que não importava... - dessa vez, o tom de voz de Amanda era claramente de choro - não importava mais se eu estava bem ou não...

Foi aí que vi uma lágrima escorrer dos meus olhos. Não tinha mais certeza se era eu ou a minha versão que estava um pouco longe que chorava.

De repente, senti a mão que segurava a minha se afastar. Olhei para Kalleb, que assistia tudo aquilo sério, tive certeza naquele momento, que ele não iria mais fugir.

Olhei para a Amanda, e hesitei.

Continuei ouvindo as frases sair das visões de Mandy, enquanto encarava minha outra versão.

- Você agiu sim como uma namorada... Várias vezes - a voz masculina voltou.

- Então por que eu sempre era a errada? - ouvi e percebi que era um pensamento.

Essa frase, fez a outra Amanda derramar algumas lágrimas que não conseguia conter dentro de si.

- Eu deixei de ser quem eu sou... - esse não era um pensamento, mas já era outro momento - tudo para agrado-lo!

Olhei para Mandy, vi que seus olhos estava com suas três cores girando, como um yin yang que envolve o vermelho.

Suas emoções... Suas personalidades... Estavam brigando entre si, provavelmente uma estava com raiva, a outra triste... 

- Eu quero ficar mais tempo com você - era voz masculina.

- Então por que está se afastando? - reconheci a voz da Amanda.

Essa era uma parte da conversa, mas ainda faltava muito...

- Não foi você quem disse para aproveitar o tempo que temos? - a voz masculina.

- Mas não atrasando! - ela gritou.

Mais um trecho de uma conversa. Só tinha incompletas pelo visto...

Mas, foi aí que notei que havia uma pessoa nova na roda que se formou. Não sabia quem era, mas se estava lá, provavelmente era alguém importante.

Olhei de volta para a minha versão, e vi que estava no limite do que poderia aguentar.

Depois de tanto hesitar, corri até ela e a abracei...

- Você realmente me conhece? - a voz da Amanda na visão era chorosa.

- Claro que conheço - respondeu a voz masculina.

- Conhece, mas não sabe como eu sou!

- Eu sei sim! Se a gente fosse você iria querer sair de lá!

- Então por quê eu quero ir?! - foi um grito vindo dela.

Senti que a pessoa que eu abraçava, já não aguentava mais nada daquilo e começou a chorar silenciosamente em meus braços.

- Mandy, já chega - falei baixo, olhando para a loba de fogo.

Mas Mandy não me ouviu e continuou passando aquela visão.

- Eu me perdi... - a voz de Amanda ecoou pelo ambiente...

- Mandy, chegar! - gritei, interrompendo a visão.

Não me dei conta quando uma das minhas mãos se retirou do abraço e mirou Mandy. A visão se desfez com aquela ação, era como se eu tivesse usado seu poder, mas não o senti.

Mandy, que ainda se encontrava voando, pousou e diminuiu suas asas. De repente, ela me encarou, um de seus olhos derramava lágrimas.

Seus olhos estavam vermelhos, mas vez ou outra piscavam com o brilho das outras cores, um em branco e outro em preto, mas sua expressão era de alguém seria.

Enquanto eu? Eu não estava irritada com ela, talvez estivesse triste com o que vi... Talvez... Eu não tinha mais certeza de minha emoções naquele momento.

Não conseguia reagir diante do que vi; não conseguia imaginar que uma garota como ela havia sofrido a esse nível... Nas mãos de uma pessoa abusiva...

Tenho certeza que, se eu não tivesse mandado Mandy parar, ainda veríamos mais coisas. Mas aquilo tudo já era de mais...




quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Nossas realidades - pt 7 {UD-Estúdio}

Não demorou muito tempo para que eu a visse sair de uma porta dupla, mas antes que eu pudesse agir, tudo congelou ao meu redor e ouvi uma voz conhecida ecoar em minha mente:

- Você é maluca! - era Mandy, com toda certeza.

Decidi fechar os olhos, sabendo aonde a veria.

Pouco a pouco, a voz foi ganhando forma, vi um par de asas brancas fechadas diante de mim.

As asas se abriram em uma velocidade surpreendente e se encolheram (parecendo ser de filhotes) ao lado de sua dona, que odiava fecha-las por completo, por "falta de mobilidade em relação a usa-las".

- Obrigada - agradeci de bom grado.

- O que você pretende Amanda? - perguntou ela - Perguntar? Ela é nós, não vai dar uma resposta - estava séria, e certa, tenho que admitir.

- Então vou mostrar que ela não está sozinha - me defendi, e ela abriu a boca pra dizer algo, que eu interrompi - mesmo que as dores sejam diferentes, ainda são sentidas! - ela logo fechou a boca.

Verdade, eu e ela sofremos bastante, não do mesmo jeito, mas de alguma forma, era a mesma coisa, mesmo que diferente. E, parecia que o quanto mais lutavamos, mais sofriamos, até decidir dar um fim em tudo aquilo.

- E como pretende fazer isso? Usando meus poderes? - eu não havia pensado nisso.

- É, usando seus poderes mesmo! - dei um sorriso de alguém que acabou de conseguir tudo o que mais queria.

Sei que meu sorriso poderia fazer as pessoas pensarem que vou matar alguém, mas acredite, ainda não cheguei a fazer isso.

Então eu sorria, Mandy me encarava séria, poderia imaginar que estava furiosa se não a conhecesse bem: seu fogo estava baixo, e seus olhos pretos, poderiam facilmente serem vistos como um buraco negro.

Ela suspirou e uma luz se manifestou nos meus olhos, me forçando a abrir-los.

De repente, não havia só a garota ali, como também outras pessoas, estavam confusas sobre o que aconteceu com elas.

Enquanto eu? Bem, mesmo não entendendo nada, apenas olhei ao redor, procurando por Kalleb, que se encontrava atrás de mim, totalmente parado.

- Kall... - me aproximei dele.

Conseguia sentir sua respiração diferente, ele tentava se controlar para não sumir dali o quanto antes.

- Amanda? - alguém perguntou.

Olhei pra trás e vi aquela garota de mais cedo.

O curioso, era que não era só eu olhando para ela, minha versão desse mundo também olhava.

- Ué, duas? Uma gêmea? - perguntou uma garota auta.

Havia muita gente alí, e eu só pensava em tentar explicar tudo aquilo, mas as palavras não saíram da minha boca. Eu só conseguia me preocupar com Kalleb, pegando a mão dele, sentido os momentos que era ele tentava retirar sem ser notado.

- É uma história longa - foi a única coisa que consegui dizer.

Olhei ao redor, com esperanças de encontrar forças para completar; foi aí que vi, o mundo continuava em movimento, como se não exitissemos alí.

Estávamos em outro universo, ou melhor, um local entre os únicos.

- Recomendo não se assustarem - a voz de Mandy surgiu do nada.

Logo aquela imagem das asas brancas lhe embrulhando apareceu novamente, mas dessa vez, ao abri-las, Mandy as batia, o que lhe permitia voar, mesmo em um espaço pequeno como aquele.

- É curioso como histórias se intrelassam não mesmo Amanda? - ela olhou para mim e depois para a minha outra versão.

Não estava gostando daquele tom de metáfora que ela estava usando.

Ela estava usando o papel de Rainha. Sabe? Aquele tipo que não tem piadade com as palavras que diz, sem medir nem mesmo o lugar que utiliza a vírgula.

- Você - ela se aproximou da minha versão, ou melhor, nossa versão - você usa muitas máscaras - Por um vislumbre, ela olhou para mim - não deveria - e voltou para ela.

Todos alí estão tão confusos que não falaram nada a respeito daquilo que estavam vendo.

Mandy ficou daquele jeito por um tempo, suas asas batiam sem fazer nem um vento, sua calda se movia com cautela. Nem sempre dá para acreditar que ela tem esse lado observador.

- Do que você está falando? - de repente uma garota ruiva perguntou.

- Quem é você para dizer essas coisas? - a menina grande perguntou.

E novas perguntas foram surgindo, e com cada uma delas, um sorriso ia de formando no rosto de Mandy.

Acredite se quiser, ela ideia explicar as coisas, mas gostava quando elas iam a seu favor.

- Digamos que eu, e aqueles dois ali - ela apontou pra mim e Kalleb - somos de outro universo.

- E como vieram pra cá? - perguntou mais alguém.

De repente, senti uma espécie de lágrima escorrer de meus olhos. Coloquei os dedos para ver do que se tratava e me surpreendi ao ver que não eram lágrimas, mas sim sangue.

Mandy claramente viu isso, e me encarou por um tempo, depois se voltou para a outra Amanda.

- Não é como, é por que - a encarou - o motivo é simples, essa aqui, nós trouxe pra cá - disse como se jogasse uma bomba em todos.

- Eu não fiz nada! Eu nem sei como fazer isso! Nem tenho poder pra isso! - tentou se defender, com medo de Mandy.

- Verdade - com isso, Mandy pousou no chão, fazendo uma expressão calma - mas de toda forma você tem papel nisso.

- Como assim? - perguntou um garoto.

- Bem, quando se contém sentimentos de mais, cria brechas entre os universos, e assim, além de compartilhar isso com outras pessoas que tiveram dores parecidas, há riscos de criaram outros universos - ela explicou, pacientemente.

Mas, obviamente, eles não entenderam direito, e ela percebeu. Mandy odiava ainda mais ter que repetir alguma coisa, então sempre mudava de estratégia:

- Em outras palavras, o sofrimento dessa aqui - apontou para a Amanda - foi para aquela alí - e apontou para mim - infelizmente, aquela a Amanda, não sabe se manter parada e decidiu vir ajudar - ela continuava apontando pra mim, com um pouco de ódio em sua voz.

Eu lhe mostrei o dedo do meio. 

Não tinha certeza se aquilo era pra irrita-la, ou apenas um ato de dizer "eu sou assim idiota", mas me sentia bem de qualquer jeito.

- E aqui estamos nós agora, ou melhor, eu, pra arrumar essa bagunça... - suspirou irritada.

- Eu não preciso de ajuda - parece algo que eu diria não é? Mas bem, foi a outra Amanda - de nem uma das duas! Eu estou bem!

Com isso, Mandy encarou minha outra versão, tão séria que me fazia dúvidar se queria matar ela ou não.

De repente, seus olhos antes pretos, foram mudando de cor: se tornaram vermelhos, brancos... Um vermelho e outro branco, até parar em um branco e outro preto.

Suspirando, Mandy fechou os olhos e ao abri-los, estavam todos vermelhos, ela se virou para o centro, pensativa.

- Isso é no que você quer acreditar - concluiu - mas eu e ela - apontou com a cabeça para mim - sabemos muito bem como é essa sensação, há de substituir a dor - e com essa última frase olhou de volta para a Amanda.

- Mas...

- Se não acredita, vou te mostrar - e ergueu a mão.

A Amanda claramente estava mentindo. Me conheço bem a ponto de ver os reflexos de uma outra versão.

Toda vez que eu a encarava, ela desviava o olhar, e quando respondia a Mandy, sua voz não tinha confiança.

A questão é: ela estava repetindo aquela mentira para ela mesma, talvez vezes de mais, com intenção de começar a acreditar.

E eu não era única a notar isso, Mandy também notou e por isso, decidiu mostrar.

Aí está mais um brinde que copiou de Kall: não bastava ver outro universo, também poderia mostrar o que via para outras pessoas.

QD - PRÓLOGO

Em uma galáxia distante, esquecida até pelos mapas estelares mais antigos, existe um planeta com uma história única. Seu nome? Lurester - o ...